RLUSD estreia no Japão e acirra disputa com USDC
A Ripple e o SBI Group anunciaram em 24 de junho o lançamento oficial da RLUSD no Japão, após autorização regulatória da Agência de Serviços Financeiros do Japão (FSA). Assim, a stablecoin passa a atender clientes institucionais e de varejo pela SBI VC Trade. O movimento marca a entrada regulada do ativo em um dos mercados mais importantes para a Ripple.
Pela Lei de Serviços de Pagamento do Japão, a RLUSD foi classificada como um novo tipo de instrumento eletrônico de pagamento para stablecoins emitidas no exterior. Em outras palavras, a Ripple passa a operar uma stablecoin atrelada ao dólar com status regulado em um mercado onde já mantém presença consolidada.
Japão abre espaço regulado para stablecoins em dólar
Ripple avança enquanto concorrentes estruturam produtos
O movimento da Ripple ocorre enquanto a concorrência também avança no país. Um dia depois do lançamento da RLUSD, Circle e Nomura prepararam planos para lançar no Japão, já em 2027, um serviço de liquidação de ativos digitais e pagamentos corporativos baseado em USDC.
A proposta prevê que empresas japonesas convertam iene em USDC para pagamentos a fornecedores, transferências para subsidiárias no exterior e liquidações cambiais. Dessa forma, operações internacionais que hoje levam de dois a três dias úteis poderiam cair para poucos minutos.
O peso estratégico dessa disputa aparece nos dados de mercado. Segundo levantamento do Bank for International Settlements (BIS), o mercado cambial japonês movimentou US$ 440 bilhões por dia em 2025, conforme dados reunidos pelo Bank of Japan.
Ao mesmo tempo, a lista de instrumentos eletrônicos de pagamento registrados pela FSA em 24 de junho mostra a SBI VC Trade operando USDC, RLUSD e JPYSC. Portanto, a estratégia da SBI fica clara: atuar como plataforma regulada de distribuição para diferentes emissores, sem depender de um único ativo.
Além de lançar a RLUSD com a Ripple, a SBI já distribuía USDC desde março de 2025. Ademais, participou na mesma semana do lançamento da JPYSC, com emissão supervisionada pelo SBI Shinsei Trust Bank e parceria técnica da Startale.
Parceria entre Ripple e SBI ganha nova camada
Relação de quase uma década sustenta expansão da RLUSD
A posição da Ripple no Japão não surgiu agora. O SBI Group investiu na empresa em 2016, e a SBI Remit passou a construir corredores de remessas usando Ripple Payments após esse aporte. Ao longo dos anos, o XRP também ganhou familiaridade entre investidores de varejo no mercado japonês pela SBI VC Trade.
Agora, a RLUSD amplia essa relação de quase uma década ao se tornar uma stablecoin regulada em dólar distribuída pela infraestrutura já existente da SBI. A Ripple afirma que a RLUSD alcançou cerca de US$ 1,7 bilhão em valor de mercado desde seu lançamento no fim de 2024.
No aviso da SBI VC Trade, a RLUSD apareceu como a segunda stablecoin em dólar da plataforma, ao lado da USDC. Contudo, o diferencial está menos no acesso e mais no histórico operacional entre Ripple e SBI, especialmente em pagamentos internacionais, remessas e liquidação via Ripple Payments.
Esse é o principal espaço defensável da Ripple no Japão. Se a RLUSD capturar fluxo relevante nessas rotas, a parceria com a SBI deixará de ser apenas uma vantagem de distribuição. Nesse sentido, ela poderá se transformar em infraestrutura geradora de receita em pagamentos transfronteiriços.
Além disso, a competição tende a se intensificar dentro do próprio ambiente regulado de stablecoins da SBI. Afinal, a stablecoin da Ripple divide espaço com USDC e JPYSC na mesma plataforma.
Circle, Nomura e bancos japoneses ampliam a pressão
USDC mira tesouraria corporativa enquanto o iene avança
A USDC chegou ao Japão via SBI VC Trade em março de 2025 e abriu caminho para distribuição em nível de corretora. Agora, a parceria com a Nomura tenta levar o ativo para uma etapa mais profunda, alcançando tesourarias corporativas, cadeias de pagamento a fornecedores e mesas de liquidação cambial de empresas japonesas.
Esse território difere do varejo e da simples listagem em plataformas. Uma pesquisa da Nomura e da Laser Digital com 518 profissionais japoneses de investimento mostrou que 63% veem casos de uso para stablecoins em gestão de tesouraria, pagamentos transfronteiriços, investimento em criptomoedas e liquidação de títulos tokenizados.
O mesmo estudo apontou que stablecoins emitidas por grandes instituições financeiras receberam os maiores níveis de confiança entre denominações em iene, dólar e euro. Portanto, esse fator pode favorecer a entrada da Circle ao lado da Nomura no segmento corporativo, onde confiança institucional e relacionamento bancário têm peso decisivo.

Fonte: cronologia de mercado baseada em anúncios institucionais e reportagens citadas.
Ao mesmo tempo, o Japão também vê o avanço de soluções locais em iene. A Reuters informou que MUFG Bank, Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC) e Mizuho Bank planejam emitir conjuntamente stablecoins baseadas em iene até o fim do ano fiscal encerrado em março de 2027, com apoio da FSA na fase experimental.
Esse cronograma corre em paralelo ao alvo de 2027 da parceria entre Circle e Nomura e à distribuição atual da JPYSC via SBI VC Trade. Segundo SBI e Startale, a JPYSC é a primeira stablecoin fiduciária em iene estruturada no modelo trust sob a estrutura regulatória japonesa de instrumentos eletrônicos de pagamento.
O ativo foi desenhado para grandes transferências, câmbio on-chain, crédito institucional e liquidação de ativos do mundo real tokenizados. Por isso, empresas japonesas podem preferir instrumentos denominados em iene, já que eles carregam menos risco cambial em fluxos domésticos e corporativos.
A RLUSD entra no Japão com distribuição regulada e uma parceria histórica relevante. Ainda assim, o mercado local já mostra três frentes de competição claras: remessas internacionais com a Ripple, câmbio corporativo com Circle e Nomura, e pagamentos domésticos em iene com JPYSC e futuros projetos de MUFG Bank, SMBC e Mizuho Bank.
Daqui até os marcos previstos para 2027, o mercado japonês deve testar qual combinação pesa mais: histórico operacional, escala global de uma stablecoin em dólar ou confiança institucional ligada a bancos e ativos em iene.