Bitcoin a US$ 58 mil pressiona Strategy e MSTR

Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, comentou na sexta-feira a forte queda das ações da empresa e de seus papéis preferenciais. A pressão aumentou enquanto investidores reavaliavam a estrutura de capital da companhia. Em mensagem no X, Saylor afirmou que a volatilidade testa qualquer modelo de financiamento. Ainda assim, reforçou que a Strategy segue focada em Bitcoin, disciplina na alocação de capital, qualidade de crédito e criação de valor no longo prazo.

“A volatilidade testa toda estrutura de capital. A Strategy segue focada em Bitcoin, alocação disciplinada de capital, qualidade de crédito e criação de valor no longo prazo. Agradecemos nossos investidores e continuaremos executando com transparência e firmeza. $MSTR.”

Michael Saylor no X

Ao mesmo tempo, MSTR e STRC tocaram as mínimas de 52 semanas. As ações da Strategy acumulam queda superior a 80% em relação ao topo histórico. Já o STRC, ação preferencial perpétua de taxa variável e valor de face de US$ 100, era negociado perto de US$ 74. Portanto, o papel apresentava desconto de 26%.

Queda do Bitcoin agrava a pressão sobre a Strategy

Esse movimento afeta diretamente um dos principais mecanismos usados pela Strategy para financiar novas compras de Bitcoin. Afinal, quando ações preferenciais negociam abaixo do valor de face, a emissão desses instrumentos perde eficiência. Dessa forma, a empresa deixa de captar recursos em condições favoráveis por esse canal.

O estresse cresceu depois que o Bitcoin caiu para US$ 58.000 na quarta-feira, menor nível desde outubro de 2024. Como resultado, as perdas não realizadas da Strategy superaram US$ 14 bilhões. A empresa detém 847.363 Bitcoin, comprados a um preço médio de US$ 75.680 por unidade. Em outras palavras, a diferença supera US$ 17.000 por moeda em relação aos níveis recentes.

Antes mesmo da sexta-feira, as ações MSTR já vinham de uma sequência negativa. O papel recuou cerca de 25% em cinco sessões. No pré-mercado, o ativo ainda ampliava a desvalorização, embora o Bitcoin mostrasse sinais de estabilização. A Bloomberg informou que a ação passou a negociar com mNAV abaixo de 1,0. Isso significa que o mercado atribui à Strategy valor inferior ao montante de Bitcoin registrado em seu balanço.

Modelo de captação perde força com mNAV abaixo de 1,0

Esse ponto atinge o centro do modelo financeiro defendido pela companhia. A lógica da Strategy depende de negociar ações ou instrumentos preferenciais com prêmio sobre o valor patrimonial líquido. Depois, a empresa capta recursos e direciona o dinheiro à compra de Bitcoin. Com isso, busca elevar o NAV por ação. No entanto, sem esse prêmio, os dois canais de captação ficam pressionados ao mesmo tempo.

Além disso, o enfraquecimento do prêmio de mercado reduz a flexibilidade da empresa em um momento de maior sensibilidade dos investidores. Por consequência, qualquer oscilação mais forte no preço do Bitcoin produz impacto mais imediato sobre a percepção de risco em MSTR e STRC.

Dividendos sobem e caixa da Strategy encolhe em 2026

A pressão, porém, não se limita à queda do Bitcoin. As obrigações anuais com dividendos dos instrumentos preferenciais da Strategy, incluindo STRC, STRK, STRF, STRD e STRE, saltaram de US$ 300 milhões no início de 2026 para US$ 1,2 bilhão. Portanto, a alta foi de quatro vezes em apenas seis meses. Ao mesmo tempo, as reservas de caixa da empresa recuaram 38% no ano.

Com isso, a cobertura desses dividendos caiu de mais de sete anos para cerca de 14 meses. Esse dado sinaliza deterioração mais acelerada da folga financeira da companhia. Nesse sentido, o escrutínio sobre o modelo de financiamento de Michael Saylor aumentou de forma relevante.

Nesta semana, a CryptoQuant também defendeu que a Strategy suspenda temporariamente as compras de Bitcoin. A empresa de análise recomendou recompor o caixa para US$ 2,8 bilhões antes de retomar a acumulação. Assim, a recomendação reforçou a leitura de que o mercado passou a observar com mais rigor a sustentabilidade da política de alavancagem da empresa.

Venda de BTC e compra menor ampliam cautela do mercado

No início de junho, a Strategy realizou sua primeira venda de Bitcoin em quatro anos. A empresa se desfez de 32 BTC por um preço médio de US$ 77.135 por unidade. Na ocasião, Michael Saylor tratou o movimento como uma demonstração de que a companhia poderia honrar dividendos por meio da liquidação de ativos. No entanto, a reação do mercado indicou que essa leitura não bastou para reduzir as preocupações.

Na semana passada, a companhia comprou 520 Bitcoin, volume bem inferior ao ritmo anterior. Além disso, de uma captação de US$ 335,5 milhões em ações, a Strategy destinou US$ 300 milhões ao caixa, e não à aquisição de Bitcoin. Até o momento, Saylor não apresentou detalhes adicionais além do comunicado no X.

O quadro recente reúne pressões simultâneas sobre a Strategy. Entre elas estão Bitcoin a US$ 58.000, perdas não realizadas acima de US$ 14 bilhões, MSTR e STRC nas mínimas de 52 semanas, dividendos preferenciais anuais em US$ 1,2 bilhão e uma compra recente de apenas 520 Bitcoin. Além disso, a preservação de US$ 300 milhões em caixa mostrou que a própria companhia adotou uma postura mais defensiva.