TRM liga CoinEx a US$ 3,84 bi com iranianos sancionados

A TRM Labs identificou US$ 3,84 bilhões em fluxos on-chain verificados entre a CoinEx e entidades iranianas sancionadas ao longo de mais de sete anos.

A empresa de inteligência blockchain TRM Labs afirmou que a atividade envolveu mais de 60 plataformas iranianas de criptomoedas. Além disso, o levantamento incluiu a ViaBTC, pool de mineração afiliada à CoinEx. A exposição também alcança a Nobitex, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, conhecido pela sigla IRGC, a Jihad Islâmica Palestina e o Hezbollah.

Nobitex concentrou o maior fluxo externo com a CoinEx

Segundo a TRM Labs, US$ 2,7 bilhões do total rastreado circularam apenas entre CoinEx e Nobitex. Isso equivale a cerca de US$ 1 milhão por dia desde novembro de 2018, em aproximadamente 6,2 milhões de transferências individuais em blockchain.

Em 2024, a CoinEx se tornou a maior contraparte externa nominal da Nobitex. Em contrapartida, a segunda maior exchange identificada registrou volume quase nove vezes menor. No mesmo ano, o volume anual entre as duas chegou a US$ 714 milhões. Em seguida, avançou para US$ 763 milhões em 2025. Nesse estágio, a CoinEx respondeu por cerca de 16,3% de todo o volume anual transacionado pela Nobitex.

A Nobitex enviou cerca de US$ 360 milhões a mais para a CoinEx do que recebeu de volta. Para a TRM Labs, esse desequilíbrio direcional sugere que criptomoedas vinham saindo sistematicamente do Irã por meio da CoinEx, com o propósito de acessar liquidez internacional. Nesse contexto, o fluxo também reforça a relevância de monitorar ativos como Bitcoin em estruturas transfronteiriças.

A TRM Labs rastreou mais de US$ 3,84 bilhões em fluxos verificados em blockchain entre a CoinEx e entidades iranianas sancionadas ao longo de sete anos, abrangendo mais de 50 plataformas, com exposição à Nobitex, ao IRGC, à Jihad Islâmica Palestina e ao Hezbollah.

A CoinEx foi a maior contraparte individual da Nobitex.

TRM Labs no X

Padrões repetidos elevaram o alerta sobre o ecossistema iraniano

A TRM Labs apontou três padrões que, na avaliação da empresa, indicam que a relação entre CoinEx e o ecossistema iraniano não parece resultado de comportamento independente de mercado. Assim, a análise ganhou peso não apenas pelo volume, mas também pela consistência operacional.

Em primeiro lugar, toda grande exchange doméstica iraniana direcionava entre 5% e 15% de seu volume total para a CoinEx. Segundo a análise, a repetição dessa faixa em dezenas de plataformas distintas é estatisticamente incomum em um ambiente de mercado livre.

Em segundo lugar, a sequência temporal de adesão chamou atenção. Nobitex e Excoino começaram a transacionar com a CoinEx em 2018. Em 2019, foi a vez de Wallex, Ramzinex e Sarmayex. Entre 2020 e 2021, surgiram Bit Pin, Bit24, Aban Tether e Ompfinex. Para a TRM Labs, essa progressão se parece mais com uma expansão coordenada de aquisição de clientes do que com descoberta orgânica.

Em terceiro lugar, até plataformas iranianas pequenas e pouco conhecidas apresentavam exposição direta à CoinEx. Entre os nomes citados estão Tabdeal, Sarafi.io, Jibitex e Xchange98.

Banco Central do Irã e ViaBTC ampliam gravidade do caso

A empresa também rastreou US$ 67 milhões saindo do Banco Central do Irã para endereços da CoinEx entre junho de 2025 e junho de 2026. Segundo o relatório, os valores passaram por um esquema multicadeia de lavagem com uso de USDT na TRON, pontes da Ethereum, contratos Gnosis Safe e tokens do protocolo Aave.

Além disso, o papel da ViaBTC, segundo a TRM Labs, foi além de simples repasses ligados à mineração. A empresa rastreou US$ 154 milhões em 4,47 milhões de transferências entre a ViaBTC e carteiras ligadas à Nobitex.

Após o ataque cibernético de 2025 contra a Nobitex, atribuído ao grupo Predatory Sparrow, 117 carteiras de mineração de Bitcoin que estavam inativas voltaram à atividade. Elas enviaram aproximadamente US$ 2,7 milhões para uma nova hot wallet da Nobitex. A ViaBTC apareceu de forma confirmada nesse fluxo de fundos.

Sanções do OFAC reduziram os fluxos on-chain

No campo de financiamento ao terrorismo, a TRM Labs informou ter identificado US$ 6 milhões em 186 transferências para carteiras ligadas ao IRGC. Além disso, citou US$ 374 mil associados à Jihad Islâmica Palestina e interação direta com endereços vinculados ao Hezbollah.

A participação da CoinEx em volume de transações ilícitas ficou perto de 8%. Em contraste com isso, a TRM Labs considera 0,3% o patamar típico para exchanges em conformidade.

Depois das sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA, o OFAC, contra Nobitex, BitPin, Wallex e Ramzinex em 2 de junho de 2026, a CoinEx alterou o uso de suas hot wallets. A partir de 4 de junho, os volumes entre a CoinEx e entidades iranianas caíram para menos de US$ 150 mil.

Ainda assim, a TRM Labs observou que essas exchanges mantêm contas na CoinEx que não aparecem on-chain. Portanto, transações privadas ainda podem estar ocorrendo fora do alcance direto dessa visualização pública.

Em suma, os dados reunidos pela TRM Labs mostram US$ 3,84 bilhões em fluxos verificados entre a CoinEx e entidades iranianas sancionadas. Desse total, US$ 2,7 bilhões envolveram apenas a Nobitex, US$ 67 milhões foram associados ao Banco Central do Irã e US$ 154 milhões passaram pela ViaBTC. O levantamento também cita repasses ligados ao IRGC, à Jihad Islâmica Palestina e ao Hezbollah, bem como forte queda dos volumes on-chain após as sanções de junho de 2026.