Bitcoin: CEO da Ripple critica modelo da Strategy

O CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, criticou a estratégia da Strategy para ampliar suas compras de Bitcoin. Para ele, o valor de longo prazo dos ativos digitais deve vir da utilidade prática, e não apenas de engenharia financeira.

Durante uma entrevista, Brad Garlinghouse questionou a abordagem de Michael Saylor, chairman da Strategy, para expandir a exposição corporativa ao Bitcoin. Segundo ele, o valor duradouro no mercado de criptomoedas precisa estar ligado ao uso no mundo real e à adoção da tecnologia. Além disso, estruturas focadas principalmente em captação de recursos não criam, sozinhas, valor sustentável para o setor.

Ao mesmo tempo, Garlinghouse deixou claro que segue otimista com o Bitcoin. Ainda assim, ele argumentou que a principal criptomoeda do mundo deve sustentar seu crescimento com aplicações reais. Portanto, o avanço não dependeria apenas de mecanismos financeiros usados para comprar mais unidades do ativo.

Garlinghouse mira engenharia financeira da Strategy

Para Garlinghouse, a Strategy depende em excesso de produtos financeiros para reforçar sua tesouraria em Bitcoin. Nesse sentido, ele avaliou que o modelo se aproxima mais de uma estratégia de levantamento de capital. Assim, ficaria distante da criação de valor baseada na tecnologia blockchain. Por isso, o executivo afirmou que essa abordagem acaba prejudicando o mercado cripto como um todo.

Ele também citou as ações preferenciais STRC da Strategy. Segundo suas declarações, o mercado negociava esses papéis perto de US$ 74,57, cerca de 25% abaixo da preferência de liquidação de US$ 100. Além disso, o STRC paga dividendo anual cumulativo de 11,5% e ajuda a companhia a captar recursos para novas compras de Bitcoin.

Na visão do CEO da Ripple, esses números revelam os limites de uma tese baseada sobretudo em engenharia financeira. Em outras palavras, Garlinghouse defendeu que o sucesso de longo prazo dos ativos digitais dependerá de tecnologia robusta, adoção crescente e utilidade concreta. Logo, a simples ampliação de reservas por meio de estruturas complexas de financiamento não resolveria os desafios centrais do setor.

Otimismo com o Bitcoin continua

Apesar das críticas à Strategy, Garlinghouse reforçou sua visão positiva sobre o Bitcoin. Contudo, ele ressaltou que a valorização sustentável do mercado de criptomoedas exige fundamentos sólidos. Dessa forma, o crescimento do setor dependeria cada vez mais de casos reais de uso, infraestrutura confiável e avanço da adoção institucional e comercial.

As falas ocorreram em meio à pressão no mercado. Naquele momento, o Bitcoin negociava abaixo de US$ 60.000. Como resultado, investidores observavam uma tendência de baixa de várias semanas. Além disso, crescia o escrutínio sobre empresas com grandes reservas corporativas expostas ao ativo.

Queda do Bitcoin aumenta pressão sobre a Strategy

A Strategy mantém uma das maiores tesourarias corporativas de Bitcoin do mundo. No entanto, a fraqueza recente do mercado reduziu o valor dessas posições. Os dados citados apontam perda não realizada superior a US$ 13 bilhões.

O preço médio de compra de cada Bitcoin pela empresa está em aproximadamente US$ 75.600. Como o ativo negociava abaixo desse nível, o mercado avaliava as reservas por valor inferior ao montante desembolsado pela companhia. Ainda assim, essa perda permanece no papel, já que a Strategy não vendeu seus Bitcoins.

Esse tipo de resultado representa apenas a desvalorização momentânea de um ativo. Ou seja, o prejuízo só se torna efetivo se a empresa vender suas posições abaixo dos preços de aquisição. Embora isso reduza a pressão imediata, o cenário reforça o debate sobre a sustentabilidade do modelo adotado pela companhia.

mNAV cai abaixo do nível considerado favorável

Além da queda do Bitcoin, os indicadores de mercado da Strategy também perderam força. Uma publicação da conta WuBlockchain no X informou que, no fechamento do mercado dos Estados Unidos em 26 de junho, o mNAV da Strategy estava em 0,99. Na prática, o indicador mostrou que o valor empresarial da Strategy ficou abaixo do valor de mercado de suas reservas em Bitcoin.

A administração da Strategy já havia informado que um mNAV perto de 1,22 representa o nível mínimo para que novas emissões de ações beneficiem os acionistas. Como o indicador atual está abaixo desse patamar, a própria gestão já sugeriu alternativas. Entre elas, vender parte do Bitcoin, recompor caixa ou recomprar ações. O objetivo seria preservar valor de forma mais eficiente do que emitir novos papéis.

Garlinghouse, porém, manteve sua visão otimista para o futuro do Bitcoin. Ainda assim, insistiu que o desempenho de longo prazo dos ativos digitais dependerá de utilidade concreta, aumento da adoção e tecnologia funcional. No caso da Strategy, o debate reúne Bitcoin abaixo de US$ 60.000 e STRC perto de US$ 74,57. Também inclui dividendo anual cumulativo de 11,5%, perda não realizada acima de US$ 13 bilhões e mNAV em 0,99.