Ethereum testa US$ 1.500 com venda de carteiras antigas
Quatro carteiras antigas da rede Ethereum, inativas havia cerca de oito anos, voltaram a se mover em um momento sensível para o ativo. A Lookonchain apontou que esses endereços receberam originalmente 37.602 ETH e ficaram parados durante ciclos de alta mais fortes. Agora, venderam 33.623 ETH em uma operação estimada em US$ 52,5 milhões. O preço médio ficou próximo de US$ 1.560, enquanto o ETH rondava US$ 1.575.
Esse movimento amplia a pressão sobre o mercado. Afinal, não se trata de fluxo rotineiro de formadores de mercado nem de liquidações alavancadas. Pelo contrário, a oferta veio de moedas mantidas por investidores de longo prazo, que reduziram posição bem abaixo dos topos de ciclos anteriores.
US$ 1.500 vira teste de demanda para o ETH
A região de US$ 1.500 deixou de ser apenas um suporte técnico. Na prática, ela passou a funcionar como um teste de convicção dos compradores. Quando moedas antigas retornam à circulação, a recuperação do preço depende de demanda à vista suficiente para absorver a nova oferta.
Embora US$ 52,5 milhões representem pouco diante do volume global negociado de ETH, o efeito psicológico tende a ser mais relevante. Além disso, a volta de carteiras dormentes costuma pesar no sentimento. Isso ocorre, sobretudo, quando compradores marginais já mostram cautela com uma retomada mais firme.
Ao mesmo tempo, a dinâmica recente do Ethereum reforça essa fragilidade. O ativo vem mostrando desempenho mais fraco que o Bitcoin e outros concorrentes de grande capitalização. Nesse sentido, a reentrada dessas moedas ganha importância adicional, pois ocorre quando investidores já questionam a força de uma eventual recuperação.
Saídas dos ETFs reduzem capacidade de absorção
Outro fator que complica o quadro envolve os ETFs à vista de ETH nos Estados Unidos. Dados da Farside mostram saídas líquidas entre 22 e 26 de junho. Dessa forma, um dos canais mais visíveis de entrada institucional no mercado à vista perdeu força.
Esses resgates não explicam diretamente a venda das carteiras antigas. Ainda assim, tornam a absorção dessa oferta mais difícil. Se moedas guardadas durante anos voltam ao mercado, a sustentação do preço depende de quem aceita comprá-las. Com os ETFs à vista perdendo recursos nesse intervalo, o sinal é de menor capacidade institucional de absorção justamente quando o ETH enfrenta pressão adicional.
Base on-chain ainda sustenta a tese estrutural
Por outro lado, o Ethereum mantém uma das bases on-chain mais profundas do mercado de criptomoedas. Dados da DefiLlama indicam cerca de US$ 37,2 bilhões em valor total bloqueado em DeFi na rede. Além disso, o ecossistema concentra mais de US$ 155 bilhões em stablecoins em circulação.
Esses números sustentam a tese estrutural do ativo. No entanto, eles não resolvem automaticamente o problema imediato de oferta. Força de rede e demanda pelo token se relacionam, mas não são fatores idênticos. Em outras palavras, TVL em DeFi, saldo de stablecoins, atividade em DEX e uso para liquidação reforçam a relevância de longo prazo do Ethereum. Porém, esses vetores não garantem compradores suficientes para absorver moedas inativas por anos.
Ao mesmo tempo, a competição entre redes de camada 1 segue intensa. A Solana e outros ecossistemas concorrentes continuam atraindo atenção com maior velocidade e atividade voltada ao consumidor e ao trading. Portanto, o Ethereum precisa provar que sua profundidade de liquidez, sua relevância em finanças descentralizadas e seu papel de liquidação continuam suficientes para atrair capital novo após a recente queda.
Mercado observa retorno da demanda à vista
Na prática, o mercado agora acompanha se a demanda à vista reaparece em uma faixa já sensível. Se a recuperação depender apenas de uma pausa dos vendedores, o repique tende a ser frágil. Por conseguinte, um movimento mais consistente exigiria entrada nova de capital. Essa demanda poderia vir de ETFs, acumulação direta, compras corporativas, uso em DeFi ou melhora mais ampla do apetite por risco.
| Sinal | Condição atual | Implicação para o mercado |
|---|---|---|
| Vendas de carteiras dormentes | 33.623 ETH vendidos de endereços que receberam 37.602 ETH há oito anos | Detentores antigos passaram a reduzir posição em preços mais baixos |
| Pressão no preço do ETH | ETH negociado perto de US$ 1.575 após um período recente de fraqueza | A região de US$ 1.500 funciona como teste de demanda |
| Fluxos de ETFs | ETFs à vista de ETH tiveram saídas entre 22 e 26 de junho | A absorção institucional visível perdeu força |
| Base on-chain | Ethereum segue líder em TVL de DeFi e liquidez em stablecoins | A profundidade da rede permanece como principal fator de sustentação |

No saldo, a venda de 33.623 ETH por carteiras inativas havia aproximadamente oito anos ocorreu perto de US$ 1.560, enquanto o ativo rondava US$ 1.575. No mesmo intervalo, os ETFs à vista de ETH nos Estados Unidos registraram saídas líquidas entre 22 e 26 de junho. Apesar disso, a rede preserva cerca de US$ 37,2 bilhões em TVL de DeFi e mais de US$ 155 bilhões em stablecoins, o que mantém a força estrutural do Ethereum mesmo sob pressão de oferta antiga.