OUSD mira USDC com Visa, Mastercard e Stripe
Uma coalizão com mais de 140 empresas anunciou a Open Standard e a Open USD (OUSD), nova stablecoin pareada ao dólar. O grupo inclui Visa, Stripe, Mastercard, BlackRock e Coinbase. A iniciativa mira um mercado de stablecoins estimado em US$ 300 bilhões. Além disso, tenta redesenhar a distribuição das receitas geradas pelas reservas entre emissor e usuários corporativos.
O projeto é liderado por Zach Abrams, cofundador da Bridge, empresa de infraestrutura para stablecoins adquirida pela Stripe em 2024. Para Abrams, as stablecoins existentes já têm qualidades relevantes. No entanto, o uso empresarial em escala exige um modelo aberto, barato, com alta capacidade de processamento e ampla acessibilidade. A Open Standard também defende alinhamento econômico entre os participantes.
O anúncio teve efeito imediato. As ações da Circle chegaram a cair até 15% na terça-feira. Assim, o mercado sinalizou que vê a OUSD como ameaça direta ao modelo que sustenta a rentabilidade da USDC.
OUSD aposta na divisão dos juros das reservas
A proposta da OUSD se apoia em quatro pilares. Em primeiro lugar, a stablecoin não cobrará taxas de emissão. Em segundo lugar, também não terá taxas de resgate. Além disso, não imporá limites de volume. Por fim, a maior parte dos juros gerados pelas reservas irá para as empresas que usarem o ativo, descontada uma taxa de administração da Open Standard.
Esse ponto atinge o centro do negócio de emissores consolidados. Hoje, Circle e Tether aplicam as reservas de suas stablecoins em títulos do Tesouro dos Estados Unidos de curto prazo. As duas empresas, então, retêm esse rendimento. Pelos dados citados no anúncio, a USDC tem valor de mercado em torno de US$ 73 bilhões, enquanto a USDT está na faixa de US$ 145 bilhões.
Em contrapartida, a OUSD propõe dividir esse retorno com sua rede de distribuição. Dessa forma, empresas de pagamentos, bancos, plataformas de tecnologia e participantes do mercado cripto passam a ter incentivo financeiro direto para impulsionar a adoção do ativo.
A governança também segue essa lógica. Em vez de concentrar decisões em uma única companhia, a Open Standard ficará sob administração de uma organização independente. Assim, as empresas parceiras participarão do processo decisório.
Aposta institucional cresce em 2026
O movimento acontece em um momento decisivo para o setor. Afinal, as stablecoins deixaram de servir apenas para negociações de criptomoedas. Agora, elas ganham espaço em pagamentos internacionais, liquidação de comerciantes e tesouraria corporativa. Nesse contexto, a disputa pelo rendimento das reservas se tornou um fator estratégico.
As projeções reforçam essa leitura. O Citi projeta que o mercado de stablecoins pode alcançar US$ 4 trilhões até 2030. Portanto, a corrida por participação nesse segmento tende a se intensificar nos próximos anos.
Parceiros incluem redes de pagamento e bancos
A base inicial da OUSD reúne empresas de vários segmentos financeiros e tecnológicos. Entre as redes de pagamento, aparecem Visa, Mastercard, American Express e Discover. Já entre os bancos, figuram BNY, Standard Chartered, DBS e U.S. Bank. Além disso, o grupo inclui Google, Shopify e IBM no setor de tecnologia.
No mercado cripto, a lista traz Coinbase, Ripple, MetaMask, Aave, Bybit, OKX, Galaxy, Fireblocks e Anchorage Digital. Assim, a Open Standard tenta nascer com distribuição ampla desde o primeiro dia. A estratégia combina infraestrutura bancária, pagamentos tradicionais e liquidez nativa do ecossistema digital.
Em publicação no X, o chefe de cripto da Visa, Cuy Sheffield, afirmou:
“Estamos nos juntando à Open Standard ao lado de Stripe, Coinbase, Mastercard, American Express, BlackRock, U.S. Bank, BBVA, Standard Chartered e mais de 100 parceiros iniciais com a missão de emitir a OUSD.”
A previsão é que a OUSD entre em operação ainda em 2026 nas redes Solana, Stellar, Base e Polygon. Ao mesmo tempo, Matt Huang, CEO da Tempo, confirmou que a rede terá emissão nativa da stablecoin desde o primeiro dia. A Tempo dará suporte a pagamentos, liquidez, exchanges e finanças descentralizadas.
Concorrência se amplia nos Estados Unidos e na Europa
A Open Standard não inaugura esse modelo sozinha. A Paxos apresentou a Global Dollar Network, ou USDG. A rede tem apoio de Robinhood, Kraken e Galaxy Digital, também com proposta de compartilhar a renda das reservas e ampliar a adoção.
Na Europa, a articulação em torno da Qivalis também avançou com 37 bancos e provedores de pagamento. A stablecoin será denominada em euro. O movimento reflete uma reação à dominância do dólar dos Estados Unidos no setor de ativos digitais.
Com mais de 140 empresas envolvidas, a OUSD chega com uma proposta clara. O projeto prevê lançamento em 2026 nas redes Solana, Stellar, Base e Polygon. Também combina ausência de taxas de emissão e resgate com divisão dos juros das reservas. Dessa forma, tenta capturar espaço justamente onde Circle e Tether mais lucram hoje.