Bitcoin a US$ 57 mil reacende tese de fundo em US$ 49 mil

O Bitcoin voltou a operar sob pressão após cair para a faixa de US$ 57 mil. Com isso, o mercado recolocou no radar a tese de um fundo de ciclo perto de US$ 49 mil. Em 1º de julho, o BTC era negociado ao redor de US$ 58.600, com queda superior a 19% em 30 dias e cerca de 53,5% abaixo da máxima histórica de US$ 126.198.

Entre 26 e 29 de junho, o ativo ainda sustentou a região de US$ 60 mil. No entanto, perdeu força e recuou para US$ 57.735 nas primeiras horas de 1º de julho, durante a sessão asiática. Assim, o preço voltou a se aproximar de níveis técnicos decisivos. Agora, o mercado tenta definir se enfrenta apenas exaustão de curto prazo ou uma aceitação mais clara de preços mais baixos.

Suportes do Bitcoin ganham peso na leitura técnica

A análise aponta o primeiro piso do canal em US$ 56.647. Em seguida, a segunda fronteira aparece em US$ 55.739. Já o suporte mais profundo, dentro de um canal inferior destacado em azul, fica em US$ 49.794. Após renovar mínimas locais entre US$ 57.500 e US$ 57.800, o Bitcoin reagiu para a faixa de US$ 58.200 a US$ 58.600. Ainda assim, o mercado passou a exigir confirmação concreta de demanda compradora.

Gráfico do preço do Bitcoin mostrando correção recente e níveis técnicos de suporte e resistência
Gráfico do preço do Bitcoin com correção a partir da máxima histórica e marcações de suportes e resistências.

A leitura central sustenta que a tese de fundo em US$ 49 mil depende de uma combinação de fatores já observados em outros momentos. Entre eles estão demanda fraca por ETFs, alavancagem ainda vulnerável, pressão sobre mineradores e absorção insuficiente da oferta no mercado à vista. Portanto, o cenário não é inevitável. Porém, volta a ganhar relevância enquanto o Bitcoin não recupera US$ 60 mil com consistência.

Em outras palavras, a diferença principal está entre proximidade e confirmação. Estar perto de US$ 58 mil torna o cenário de baixa novamente relevante. Contudo, a aceitação abaixo de US$ 56.647 e depois de US$ 55.739 indicaria risco maior de avanço até o suporte mais profundo em US$ 49.794.

ETFs e alavancagem ampliam a pressão

Os fluxos dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos seguem no centro da análise. Dados da Farside mostraram saídas líquidas repetidas no fim de junho. Houve retiradas de US$ 469 milhões em 24 de junho, US$ 691,7 milhões em 25 de junho, US$ 444,5 milhões em 26 de junho, US$ 231 milhões em 29 de junho e US$ 222,6 milhões em 30 de junho. Assim, esse comportamento ainda não sinaliza a resposta de demanda necessária para afastar o risco de queda até a faixa de US$ 49 mil.

Ao mesmo tempo, o iShares Bitcoin Trust ETF, da BlackRock, ajuda a medir a pressão sobre investidores institucionais. A página do produto indicava ativos líquidos próximos de US$ 43,23 bilhões. Também mostrava valor patrimonial líquido de US$ 33,19, na parte inferior da faixa de 52 semanas, e retorno acumulado no ano de -31,08% até o fim de junho, conforme dados da BlackRock.

No mercado futuro, a alavancagem continua no radar. A CoinGlass monitora liquidações e posicionamento do BTC. Nesse sentido, se a faixa entre US$ 56.600 e US$ 55.700 ceder enquanto ainda houver exposição excessiva, o movimento rumo ao canal inferior pode ganhar velocidade.

Macro e mineração mantêm risco de baixa no radar

O ambiente macroeconômico também limita uma recuperação rápida. O Bureau of Economic Analysis informou que a inflação medida pelo PCE cheio subiu 4,1% em maio na comparação anual. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve manteve os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% e ressaltou que a inflação continua elevada em relação à meta.

Além disso, a frente da mineração ainda não entregou confirmação completa de deterioração econômica do setor. Dados da CoinWarz mostraram a dificuldade do Bitcoin avançando de cerca de 124,93 trilhões em 26 de junho para aproximadamente 133,87 trilhões em 1º de julho. O aumento foi de 7,15% em sete dias. Ainda assim, essa alta, isoladamente, não resolve a leitura sobre hashprice e receitas com taxas. Porém, impede afirmar que a capitulação dos mineradores já tenha sido totalmente ativada.

Gráfico do Bitcoin mostrando rompimento abaixo de suportes importantes
Gráfico do Bitcoin mostrando perda de suportes importantes e níveis de resistência relevantes.

O que invalida o cenário de fundo em US$ 49 mil

Dentro desse quadro, a invalidação da tese de fundo em US$ 49 mil é objetiva. O Bitcoin precisaria retomar a faixa superior dos US$ 50 mil e, sobretudo, recuperar US$ 60 mil com sustentação ao longo de várias sessões. Além disso, o movimento teria de vir acompanhado por melhora da demanda, desaceleração das saídas dos ETFs, limpeza ordenada da alavancagem e ausência de confirmação de pressão mais intensa sobre os mineradores.

Por outro lado, se ocorrer o oposto, a estrutura técnica tende a ganhar ainda mais peso. A aceitação abaixo de US$ 56.647 colocaria o piso atual do canal para trás. Em seguida, a perda de US$ 55.739 transformaria a barreira seguinte em resistência. Nesse caso, o suporte em US$ 49.794 deixaria de ser apenas uma referência distante. Ele passaria a ser o principal teste de fundo de ciclo.

Como resultado, o quadro atual combina BTC perto de US$ 58.600, recuo superior a 19% em 30 dias, máxima histórica em US$ 126.198, saídas líquidas relevantes dos ETFs no fim de junho, juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% e dificuldade de mineração em alta para 133,87 trilhões. Portanto, os níveis de US$ 56.647, US$ 55.739 e US$ 49.794 seguem no radar enquanto o mercado não reconquista a faixa de US$ 60 mil.