Dow oscila após fala de Warsh e ADP fraca

As bolsas dos Estados Unidos abriram o segundo semestre de 2026 em queda, enquanto investidores avaliavam a participação de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, em um painel do fórum do Banco Central Europeu, em Sintra, Portugal. Ainda assim, parte das perdas diminuiu durante a sessão, o que mostrou um mercado atento à política monetária e aos novos sinais da economia americana.

No início do pregão, o Dow Jones Industrial Average chegou a recuar 0,4%, logo após encerrar a terça-feira em máxima histórica. Ao mesmo tempo, o S&P 500 caiu 0,5% e o Nasdaq Composite perdeu 0,8%.

E-Mini S&P 500 Sep 26 (ES=F)
E-Mini S&P 500 Sep 26

Depois, o movimento perdeu força. O Dow voltou a subir cerca de 0,2%, enquanto o S&P 500 se aproximou da estabilidade. O Nasdaq, por sua vez, seguia em baixa, mas com recuo mais moderado, ao redor de 0,3%.

Investidores reavaliam juros, inflação e crescimento

O mercado não esperava uma sinalização direta de Kevin Warsh sobre os próximos passos dos juros nos Estados Unidos. No entanto, suas declarações ganharam peso em meio à reprecificação das apostas sobre política monetária. Assim, investidores monitoraram cada comentário em busca de pistas sobre inflação e atividade econômica.

Segundo as falas repercutidas no mercado, Kevin Warsh afirmou que os riscos inflacionários diminuíram de forma significativa nas últimas semanas. Além disso, reforçou o compromisso do Federal Reserve com a estabilidade de preços. Embora isso não represente uma orientação formal de política monetária, o tom ajudou a moldar as expectativas para os próximos meses.

Esse contexto também afeta setores além da renda variável. Afinal, a trajetória dos juros influencia commodities e ativos de risco, incluindo o mercado cripto. Nesse sentido, a leitura sobre inflação e crescimento segue no centro das decisões globais de alocação.

ADP decepciona antes do payroll

Ao mesmo tempo, novos dados do mercado de trabalho reforçaram a cautela em Wall Street. A ADP informou que o setor privado dos Estados Unidos criou apenas 98 mil vagas em junho, abaixo do esperado. Dessa forma, o número aumentou a percepção de desaceleração na economia americana.

Além disso, a Challenger, Gray & Christmas informou que empregadores norte-americanos anunciaram pouco menos de 46 mil cortes de empregos no mês. O total ficou levemente abaixo dos quase 48 mil cortes planejados em junho de 2025. Ainda assim, o dado não eliminou a preocupação com a perda de fôlego do mercado de trabalho.

Esses indicadores antecedem o relatório oficial de emprego de junho, previsto para quinta-feira, um dia antes do habitual por causa do feriado de 4 de julho nos Estados Unidos. Em contrapartida, a atividade industrial avançou pelo sexto mês consecutivo, o que trouxe um contraponto positivo em meio ao enfraquecimento de outros indicadores.

Petróleo recua e tecnologia mostra divergência

No mercado de commodities, o petróleo devolveu os ganhos iniciais e passou a cair cerca de 1%. O Brent recuou para perto de US$ 72 por barril, enquanto o West Texas Intermediate caiu abaixo de US$ 69. O movimento ocorreu depois de o Irã afirmar que seus representantes não se reuniriam com a equipe do presidente Donald Trump nas negociações de paz em andamento no Catar.

Assim, a queda do petróleo adicionou mais volatilidade a uma sessão já pressionada por dúvidas sobre crescimento, inflação e juros. Além do cenário geopolítico, a reação dos investidores mostrou como diferentes mercados seguem sensíveis a mudanças nas expectativas.

Software avança, mas chips pesam nos índices

Dentro do mercado acionário, o desempenho setorial foi misto. As empresas de software lideraram os ganhos do dia. A Salesforce apareceu como principal destaque positivo do Dow, enquanto o iShares Expanded Tech-Software Sector ETF subiu 3,6% após o banco de investimento Guggenheim divulgar uma visão otimista para o setor.

Por outro lado, as ações de semicondutores sofreram forte pressão. O iShares Semiconductor ETF tombou 3,7%, pesando sobre o S&P 500 e o Nasdaq. Entre os papéis de tecnologia que caíam no pré-mercado estavam Micron e Sandisk.

Mesmo com a fraqueza dos principais índices, a amplitude do mercado mostrava um quadro menos negativo. A maior parte das ações do S&P 500 operava em alta. Da mesma forma, o Invesco S&P 500 Equal Weight ETF, que acompanha o desempenho médio dos componentes do índice, avançava 0,7%.

Os melhores desempenhos apareceram nos setores de serviços de comunicação, financeiro, materiais e consumo discricionário. Já tecnologia, serviços públicos, bens de consumo básico e energia ficaram entre os segmentos mais fracos.

Por fim, o ouro também perdeu força e recuou para abaixo de US$ 4.000 por onça, pressionado pelo receio de juros elevados. Na véspera, o Dow havia encerrado em máxima histórica. Portanto, qualquer fechamento positivo nesta quarta-feira poderia abrir espaço para um novo marco. Ainda assim, o foco da sessão permaneceu na fala de Kevin Warsh, no dado fraco da ADP e na divergência entre a alta das empresas de software e a forte queda das companhias de chips.