Lime levanta US$ 167 mi em IPO na Nasdaq
A Lime, empresa de aluguel de bicicletas e patinetes elétricos apoiada pela Uber, levantou US$ 167 milhões em IPO nos Estados Unidos em 30 de junho de 2026. A companhia vendeu 6,68 milhões de ações a US$ 25 cada, no ponto médio da faixa indicativa de US$ 24 a US$ 26. Assim, os papéis estrearam na Nasdaq Global Select Market sob o ticker LIME.
A Neutron, mais conhecida como Lime, precificou seu IPO a US$ 25 por ação, no ponto médio da faixa ofertada, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.
Bloomberg no X
Demanda supera em seis vezes a oferta
A Bloomberg informou que a demanda pelo IPO ficou em cerca de seis vezes o volume de ações disponível. Além disso, os dez maiores investidores absorveram mais de 75% dos papéis ofertados, o que indica uma distribuição concentrada.
Fundada em 2017 e sediada em San Francisco, a Lime opera locações de curta duração de bicicletas e patinetes elétricos em mais de 230 cidades. Anteriormente, a empresa usava o nome Neutron Holdings. Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Jefferies atuaram entre os coordenadores da oferta.
Esse movimento ocorre em um momento no qual o mercado volta a observar estreias de empresas de tecnologia e mobilidade com mais atenção. Nesse sentido, a Lime tenta aproveitar uma janela mais favorável para captar recursos e ampliar sua posição em um segmento competitivo.
Receita cresce, mas prejuízo ainda pressiona
Os números financeiros mostram expansão relevante, mas ainda sem lucro. Em 2025, a receita da Lime chegou a US$ 886,7 milhões, alta de quase 30% em relação aos US$ 686,6 milhões registrados no ano anterior. Ao mesmo tempo, o prejuízo líquido aumentou para US$ 59,3 milhões, ante US$ 33,9 milhões.
Em outras palavras, a companhia cresce em faturamento, mas ainda enfrenta dificuldade para transformar escala em margens sustentáveis. Entre os fatores que pressionam a operação estão custos elevados, exigências regulatórias locais em centenas de cidades e o desafio de tornar corridas curtas em receita recorrente com rentabilidade.
A Lime chegou a ser avaliada em US$ 2,4 bilhões em 2019. Contudo, a pandemia reduziu esse valor para cerca de US$ 510 milhões em 2020. Agora, o IPO de US$ 167 milhões marca a entrada da empresa na bolsa em um cenário de recuperação do apetite por novas listagens.
Uber mantém papel central no modelo de negócios
A Uber segue com papel importante na estrutura da Lime. Em 2020, a empresa de transporte por aplicativo liderou uma rodada de financiamento da companhia. Além disso, a Uber já sinalizou interesse em comprar até US$ 20 milhões em ações na oferta pública.
A parceria comercial também pesa no resultado operacional. Uma parcela significativa da receita da Lime vem diretamente da integração com a plataforma da Uber, pois os patinetes da empresa aparecem como opção de transporte dentro do aplicativo. Dessa forma, a Lime amplia seu alcance junto a uma base consolidada de usuários.
Na véspera do IPO, as ações da Uber caíram 4,42% e fecharam a US$ 72,16. Ainda assim, analistas que acompanham a companhia mantinham consenso de Strong Buy, com preço-alvo médio de US$ 108,12. Portanto, esse nível implicava potencial de valorização de cerca de 50% em relação àquele fechamento.
Para investidores que acompanham o setor de tecnologia e mobilidade, a leitura sobre a Lime tende a considerar tanto o crescimento operacional quanto a dependência de parceiros estratégicos. Do mesmo modo, o mercado deve observar se a empresa consegue reduzir prejuízos sem desacelerar a expansão.
Janela de mercado favorece novas listagens
A estreia da Lime acontece em um ambiente mais construtivo para IPOs. O mercado de novas listagens voltou a ganhar tração após um período de volatilidade associado ao conflito com o Irã. Assim, algumas ofertas de grande visibilidade ajudaram a restaurar a confiança dos investidores em empresas recém-listadas.
Por causa de sua exposição às tendências de mobilidade urbana e de sua ligação com uma das maiores plataformas de transporte por aplicativo do mundo, a Lime surge como uma das estreias mais observadas deste ciclo. Ainda que a empresa avance em receita, os primeiros dias de negociação devem manter o foco sobre a distância entre crescimento e rentabilidade.
No fechamento da operação, a Lime levantou US$ 167 milhões com a venda de 6,68 milhões de ações a US$ 25. A demanda superou em seis vezes a oferta disponível, enquanto a Uber indicou interesse em adquirir até US$ 20 milhões em papéis. Para o mercado de IPO, a estreia se tornou um teste relevante do apetite por empresas de tecnologia em 2026.