Tesla sobe 1,1% antes de entregas do 2º trimestre
nAs ações da Tesla Inc. avançaram 1,1% na quarta-feira e fecharam a US$ 425,30, após tocarem máxima intradiária de US$ 432,86. O movimento ocorreu na véspera da divulgação das entregas do segundo trimestre, indicador tratado pelo mercado como decisivo para medir a demanda da montadora de veículos elétricos em 2026.
O volume negociado somou cerca de 39,7 milhões de ações, abaixo da média habitual de 58,6 milhões. Ainda assim, o papel destoou do restante do setor de tecnologia. No mesmo dia, o Nasdaq Composite caiu 0,4%, enquanto o S&P 500 recuou 0,1%.
Além disso, entre nomes relevantes do mercado, a Micron Technology perdeu 6% e a Nvidia caiu cerca de 2%. Já cotações secundárias atribuídas à SpaceX, empresa privada, recuaram mais de 6%, embora esse dado não seja diretamente comparável a ações listadas em bolsa.
Antes mesmo do fechamento de quarta-feira, os papéis da Tesla já acumulavam alta de 10,8% na semana. O avanço também refletiu as sessões positivas de segunda e terça-feira.
Com isso, a companhia passou a valer US$ 1,60 trilhão e negociava a um múltiplo preço/lucro de 390. Ao mesmo tempo, investidores tentam definir se a alta recente antecipa um resultado forte ou apenas amplia o risco de frustração.
Estimativas para entregas mostram ampla divergência
As projeções de Wall Street para as entregas do segundo trimestre mostram diferença relevante entre casas e plataformas de dados. A FactSet aponta expectativa em torno de 409 mil unidades. Já a projeção da Bloomberg fica perto de 400 mil veículos. Em contrapartida, o consenso reunido internamente pela própria Tesla indica cerca de 406 mil unidades.
Essa dispersão reforça a incerteza sobre a demanda. Afinal, o mercado ainda tenta medir o impacto de conflitos internacionais, mudanças nos subsídios para veículos elétricos nos Estados Unidos e aumento dos custos de energia. Nesse sentido, cada milhar de veículos entregue pode influenciar a leitura sobre o restante do ano.
Se a Tesla superar as expectativas, a empresa poderá registrar o segundo trimestre consecutivo de crescimento anual nas entregas. Esse desempenho não ocorre desde 2024. O pico anual da montadora veio em 2023, com aproximadamente 1,8 milhão de entregas. Depois disso, a companhia recuou em 2024 e 2025.
Para 2026, as projeções atuais apontam cerca de 1,7 milhão de veículos entregues no ano. Além disso, parte das dúvidas está ligada à estratégia de produto. A Tesla decidiu não avançar com uma arquitetura de veículo mais acessível e redirecionou recursos para o Cybercab, seu projeto de táxi autônomo.
Ao mesmo tempo, o fim do incentivo fiscal federal de US$ 7.500 para veículos elétricos elevou as preocupações com acessibilidade para consumidores nos Estados Unidos. Por isso, a leitura do trimestre ganhou ainda mais peso para analistas e gestores.
Europa melhora, mas cenário global ainda exige cautela
Os dados mais recentes de registros de veículos publicados na quarta-feira mostraram melhora da demanda pela Tesla em vários mercados europeus durante junho. Na Dinamarca, os registros subiram 39%. Já na Suécia, a alta chegou a 56%. E na Espanha, o avanço foi de 5,6%. Na França, o volume mais que dobrou na comparação anual.
No entanto, a Noruega destoou do grupo, com queda de 43% nos registros. Parte desse movimento pode refletir consumidores que anteciparam compras antes de mudanças regulatórias esperadas para 2026. Ainda assim, os números europeus trouxeram algum alívio depois de meses mais fracos.
Os sinais positivos surgem após um período difícil para a Tesla. A montadora perdeu participação para concorrentes chineses, enfrentou críticas por um portfólio considerado limitado e ainda lidou com resistência de parte dos consumidores em razão do envolvimento político do diretor executivo Elon Musk.
Além disso, o comportamento da ação passou a refletir não apenas fundamentos operacionais, mas também expectativas sobre execução, posicionamento competitivo e sensibilidade a preço. Esse fator pesa mais em um ambiente menos favorável para veículos elétricos.
Analistas divergem sobre TSLA e vendidos ampliam pressão
No campo das recomendações, Deutsche Bank e Royal Bank of Canada mantêm classificação de compra para a ação. A BTIG, por outro lado, mudou sua visão para neutra no início de junho. A Truist passou a recomendar manutenção, com preço-alvo de US$ 400. Já a Mizuho segue com recomendação outperform e preço-alvo de US$ 480.
No conjunto, o consenso de 45 analistas que cobrem o papel é de manutenção, com preço-alvo médio de US$ 403,07. Dessa forma, a ação já negocia acima da média das projeções. Isso aumenta a sensibilidade do mercado ao resultado de curto prazo.
Nem todos os sinais são positivos. O gestor Michael Burry revelou novas posições vendidas contra a Tesla, citando preocupações com valuation e execução operacional. Ao mesmo tempo, a BYD aparece bem posicionada para retomar a liderança global em vendas de veículos totalmente elétricos.
No primeiro trimestre, a Tesla reportou lucro por ação de US$ 0,41, acima da expectativa consensual de US$ 0,39. A receita somou US$ 22,39 bilhões, alta anual de 15,8%, embora tenha ficado ligeiramente abaixo da projeção de US$ 22,96 bilhões. Esses números ajudam a explicar por que o mercado mantém uma visão dividida.
Por fim, a divulgação das entregas do segundo trimestre deve oferecer o próximo dado concreto para um papel que já subiu com força antes do anúncio. O mercado observará se a Tesla ficará mais próxima das 400 mil unidades previstas nas estimativas mais conservadoras ou das 409 mil projetadas nas leituras mais otimistas.