Palantir sobe 9% após parceria de IA com Nvidia
As ações da Palantir Technologies fecharam a US$ 127,22 na quarta-feira, em alta de 8,8%. Assim, o papel acumulou recuperação de cerca de 19% em quatro pregões desde 25 de junho. Foi a melhor sequência recente da companhia desde o início de 2025.
O principal gatilho foi a colaboração estratégica com a Nvidia, anunciada na segunda-feira. As empresas afirmaram que a iniciativa criará soluções de inteligência artificial sob medida para agências do governo dos Estados Unidos. O projeto combina a infraestrutura de IA da Nvidia com as plataformas operacionais da Palantir.
Acordo com Nvidia mira IA para órgãos federais
Segundo a Palantir, o projeto busca oferecer a órgãos federais sistemas protegidos para desenvolver e implementar modelos de inteligência artificial. Além disso, a companhia descreve a oferta como um “motor inteligente” para clientes que precisam manter controle sobre computação, modelos e dados.
O CEO Alex Karp participou da CNBC, no programa Squawk Box. Ele disse que a parceria busca dar aos clientes “controle sobre sua capacidade computacional, seus modelos, sua pilha de dados e seu alpha”. Desse modo, a fala reforçou o posicionamento da empresa como uma camada operacional crítica para IA em ambientes sensíveis.
Karp também declarou que a Palantir mantém “infraestrutura crítica” nos Estados Unidos, na Ucrânia e em Israel. Além disso, afirmou que modelos de linguagem de grande porte usados “no campo de batalha” operam por meio da estrutura Ontology. A empresa apresenta a plataforma como peça central para ampliar segurança e precisão no uso de IA.
Embora esta não seja a primeira parceria entre Palantir e Nvidia, o momento do anúncio chamou atenção do mercado. Afinal, a notícia surgiu quando o papel havia recuado para mínimas de vários meses. Com isso, ajudou a reverter o sentimento negativo das últimas semanas.
Queda em 2026 abriu espaço para retomada
Antes da reação desta semana, a ação da Palantir enfrentava forte pressão. No acumulado de 2026, o papel havia caído 39%. Apenas em junho, a desvalorização chegou a 25%.
Entre 16 e 25 de junho, a ação passou por sete pregões consecutivos de baixa. Nesse intervalo, também rompeu níveis técnicos importantes. Como resultado, o ativo tocou US$ 107,27 em 25 de junho, ponto que virou referência para a recuperação mais recente.
Parte da preocupação vinha da tese de que a inteligência artificial poderia substituir plataformas de software que hoje dão suporte a essa tecnologia. No entanto, a Guggenheim contestou essa leitura na quarta-feira. A casa elevou as recomendações para ServiceNow e Salesforce para compra. Também classificou a tese de que “a IA elimina o software” como uma “alucinação”.
Além da parceria com a Nvidia, a Palantir ganhou impulso adicional após divulgações financeiras mostrarem posições de investimento do presidente Donald Trump em várias empresas, incluindo a própria Palantir.
Analistas veem crescimento, mas apontam valuation alto
A Wolfe Research iniciou cobertura da ação em 16 de junho com recomendação Peer Perform. Segundo o analista Alex Zukin, as ofertas corporativas de IA da Palantir têm “o melhor encaixe entre produto e mercado de qualquer empresa de software corporativo no mercado atualmente”.
Apesar da visão positiva sobre os produtos, a casa evitou recomendar compra por considerar elevada a avaliação de mercado da companhia. Ainda assim, os números chamaram atenção. A Wolfe destacou retenção líquida de receita de 150%, expansão anual de receita de 85% e crescimento de 97% no valor residual anual da carteira de contratos. Esses indicadores são sustentados por cerca de 1.000 clientes e 4.000 funcionários.
Nas projeções da casa, a receita da Palantir pode crescer a uma taxa composta anual de 39% entre 2026 e 2029. Em um cenário mais otimista, esse ritmo pode chegar a 55%, dentro de um mercado endereçável total superior a US$ 385 bilhões.
Ademais, a companhia informou nesta semana a ampliação de seu acordo comercial com a Surf Air Mobility. Após o fechamento de quarta-feira, o valor de mercado da Palantir estava em aproximadamente US$ 279,7 bilhões. Já o volume médio diário negociado girava em torno de 45 milhões de ações.
Como resultado, a reação à parceria com a Nvidia passou a dividir espaço com quatro referências centrais: a queda acumulada de 39% em 2026, o piso recente em US$ 107,27, a classificação Peer Perform da Wolfe Research e a projeção de crescimento anual de receita entre 39% e 55% até 2029.