Anthropic negocia chip de IA de 2 nm com Samsung

A Anthropic, desenvolvedora dos modelos Claude, abriu negociações preliminares para criar um chip próprio de inteligência artificial. A empresa avalia a Samsung Electronics, da Coreia do Sul, como possível parceira de fabricação. As discussões, atribuídas a informações do The Information, ainda estão em estágio inicial e não resultaram em trabalho formal de design ou produção.

Fonte: Wall St Engine no X

Plano inclui processo de 2 nanômetros

As conversas incluem o processo de 2 nanômetros da Samsung Electronics, bem como suas soluções de empacotamento avançado. Esse ponto importa porque chips voltados a cargas intensivas de IA exigem alto desempenho térmico e integração eficiente em servidores.

Assim, se o projeto avançar, a companhia sul-coreana pode disputar espaço com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, conhecida como TSMC. A empresa taiwanesa domina hoje a produção de semicondutores de ponta.

Por enquanto, a Anthropic ainda define a função exata do processador. A companhia também avalia como ele se integraria a servidores e clusters de IA. Em outras palavras, o projeto permanece em fase conceitual.

Ainda assim, esse tipo de iniciativa tem valor estratégico. Chips próprios podem otimizar desempenho, consumo de energia e custo operacional ao longo do tempo.

Além disso, a contratação de Clive Chan representa um sinal relevante. Chan integrou a equipe inicial de chips da OpenAI. Sua chegada reforça a capacidade interna de engenharia de semicondutores da Anthropic e sugere um esforço mais estruturado em hardware próprio.

Gigantes de IA buscam ASICs próprios

O movimento da Anthropic segue uma estratégia já adotada por grandes empresas de tecnologia. O Google desenvolveu suas Tensor Processing Units há anos. A Amazon, por sua vez, opera com as famílias Trainium e Inferentia.

Mais recentemente, a OpenAI firmou parceria com a Broadcom para projetar o chip Jalapeño. O processador, revelado no mês passado, tem foco em inferência.

Nesse cenário, chips personalizados, conhecidos como ASICs, oferecem uma vantagem clara. Eles podem ser ajustados para tarefas específicas. Portanto, tendem a elevar a eficiência quando comparados com processadores padronizados comprados de terceiros.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento desse tipo de solução exige tempo, talento técnico e acesso a foundries capazes de operar em nós avançados. Mesmo com essa tendência, a Nvidia segue como principal referência do setor.

De acordo com os dados citados, a Nvidia ainda detém cerca de 74% do mercado de chips para IA. Esse domínio continua elevado, embora laboratórios e grandes plataformas ampliem seus investimentos em silício próprio.

Além disso, a Anthropic mantém uma estratégia ampla em infraestrutura. A companhia indicou que AWS Trainium, Google TPUs e GPUs da Nvidia continuarão centrais para sua expansão de capacidade computacional. Desse modo, o chip próprio não surge como substituição imediata, mas como complemento para necessidades específicas.

Samsung combina capital e capacidade industrial

A relação entre Anthropic e Samsung vai além das conversas industriais. Em maio, a Anthropic levantou US$ 6,5 bilhões em uma rodada Series H e alcançou valuation de US$ 96,5 bilhões. Samsung Electronics, SK Hynix e Micron participaram da captação.

Assim, a Samsung ocupa dois papéis nas negociações. A companhia atua como investidora e também aparece como possível fabricante do futuro chip.

Entre os investidores mencionados, a Samsung é a única que também opera uma foundry. Ou seja, a empresa fabrica chips para projetos de terceiros em suas próprias unidades industriais. Por isso, ela surge como candidata natural para um eventual contrato de produção.

Ademais, essa combinação entre capital e capacidade industrial amplia a relevância da companhia sul-coreana. A disputa ocorre em um momento no qual grandes clientes de IA buscam mais alternativas à TSMC.

O movimento também acompanha uma ofensiva maior da indústria da Coreia do Sul. No início desta semana, Samsung Group e SK Group anunciaram um investimento combinado de US$ 518 bilhões ao longo de uma década. O plano prevê a construção de quatro fábricas de chips de memória no país.

Dessa forma, o anúncio reforça o esforço regional para ampliar escala e competitividade no setor global de semicondutores. Além disso, o Google também estaria avaliando usar a Samsung em parte de uma futura geração de Tensor Processing Unit. Se esse plano avançar, a foundry sul-coreana ganhará outro impulso em manufatura sob contrato.

Anthropic mantém fornecedores atuais

Apesar do interesse em um chip próprio, a Anthropic indicou ao The Information que não pretende substituir seus fornecedores atuais. A empresa afirmou que AWS Trainium, Google TPUs e GPUs da Nvidia seguirão no centro de sua estratégia.

Ao mesmo tempo, a companhia mantém conversas para usar chips da Microsoft e da startup britânica Fractile. Esse posicionamento mostra uma abordagem de múltiplos fornecedores.

Com isso, a Anthropic busca reduzir dependência excessiva de uma única foundry ou de um só parceiro de hardware. Nesse sentido, a empresa tenta equilibrar flexibilidade, escala e especialização técnica, fatores cada vez mais importantes no avanço da IA.

Para o mercado, a principal dúvida agora é se a Samsung conseguirá transformar essas conversas iniciais em um contrato formal. Um acordo confirmado representaria um desafio direto ao domínio da TSMC na fabricação de chips de IA em nós avançados.

No entanto, a Samsung ainda enfrenta dúvidas recorrentes sobre rendimento produtivo em processos de ponta. Esse ponto pesa na comparação com a rival taiwanesa, que mantém forte liderança entre clientes de alto desempenho.

O quadro, portanto, mostra um movimento estratégico consistente. A Anthropic negocia fabricação em 2 nm com a Samsung, reforçou sua engenharia com Clive Chan, captou recursos com participação de Samsung Electronics, SK Hynix e Micron, e manteve Nvidia, AWS Trainium e Google TPUs como pilares de infraestrutura. Se avançar, o chip próprio pode ampliar a autonomia tecnológica da empresa e reposicionar a Samsung na corrida global por chips de IA.