HSBC eleva preço-alvo da Intel para US$ 200
As ações da Intel Corp. (NASDAQ: INTC) mantiveram forte alta em junho. Como resultado, reforçaram a visão otimista de Frank Lee, analista do HSBC Holdings plc (NYSE: HSBC), para os próximos 12 meses.
A nota, enviada a clientes na quinta-feira, 2 de julho, e analisada em 3 de julho, reiterou recomendação de compra para os papéis da fabricante. Além disso, Lee elevou o preço-alvo da ação de US$ 100 para US$ 200.
Na prática, a nova projeção dobra a estimativa anterior do próprio analista. Ela também indica potencial adicional relevante frente ao preço observado no momento da publicação. Ainda assim, o restante de Wall Street mantém postura mais cautelosa sobre a tese de investimento na companhia.
Segundo Lee, a revisão decorre principalmente da inclusão da Intel Foundry no modelo de avaliação do HSBC pela primeira vez. De acordo com o analista, a mudança reflete dois fatores centrais: maior engajamento de clientes externos e melhora da capacidade operacional da unidade de fundição.
HSBC vê avanço operacional na Intel Foundry
Nesse sentido, o banco passou a enxergar uma nova fase para a Intel. Lee também revisou para cima suas projeções para as remessas de CPUs para servidores.
A estimativa de crescimento para 2026 passou de 20% para 25% na base anual. Já a previsão para 2027 subiu de 20% para 30% ano a ano.
Ademais, o analista destacou que sua projeção de receita de US$ 33 bilhões para a divisão Data Center and AI (DCAI) em 2027 está cerca de 20% acima do consenso de Wall Street.
Uma publicação de deitaone no X sintetizou o ponto central sobre a tecnologia de processo 18A da companhia:
“A tecnologia 18A da Intel avança acima das projeções internas, o que aumenta a confiança na execução do roadmap da companhia.”
Lee afirmou, além disso, que a Intel está bem posicionada para entregar resultados acima do esperado em 2026 e 2027. Segundo ele, esse cenário deve receber apoio da realocação interna da capacidade da fundição e da aceleração dos compromissos assumidos por clientes externos.
A princípio, esse movimento deve começar no segundo semestre de 2026. Ao mesmo tempo, a leitura do HSBC sugere que a unidade de fundição pode ganhar peso crescente na tese de valorização da ação.
Assim, a visão positiva do banco não depende apenas da recuperação tradicional do negócio de semicondutores. Ela também considera a expansão da Intel como prestadora de serviços de fabricação para terceiros.
Consenso de Wall Street segue abaixo da meta do HSBC
Após a forte revisão promovida por Frank Lee, o preço-alvo médio para as ações da Intel entre 38 analistas de Wall Street era de US$ 101,09 no momento da publicação, segundo a TipRanks. Portanto, a projeção do HSBC ficou muito acima da média do mercado.

Fonte: TipRanks
Essa diferença mostra que o mercado ainda adota postura mais conservadora em relação à Intel. Isso ocorre, sobretudo, porque concorrentes relevantes avançam rapidamente em áreas estratégicas.
Entre os principais rivais da companhia estão a Advanced Micro Devices, Inc. (NASDAQ: AMD) e a NVIDIA Corp. (NASDAQ: NVDA).
Enquanto isso, os papéis da Intel acumulavam alta superior a 205% em 2026 e eram negociados em torno de US$ 120,35 no momento da publicação. Com esse patamar, o preço-alvo de US$ 200 indicado por Lee implicava potencial adicional de valorização acima de 66%.
Em contrapartida, a média dos analistas de Wall Street apontava para uma possível queda de cerca de 16%.

O que sustenta a meta de US$ 200 para a ação
Em resumo, a tese apresentada pelo HSBC combina quatro pilares principais. Em primeiro lugar, a inclusão da Intel Foundry na avaliação ampliou a percepção de valor sobre a empresa.
Em segundo lugar, o banco elevou as estimativas de remessas de CPUs para servidores em 2026 e 2027. Em terceiro lugar, a projeção de US$ 33 bilhões para a divisão DCAI em 2027 superou o consenso do mercado em aproximadamente 20%.
Por fim, o avanço da tecnologia 18A reforçou a confiança na execução operacional da companhia. Além disso, o cenário traçado por Frank Lee ganha força porque a ação já exibe forte desempenho em 2026, mesmo sem consenso amplo entre analistas.
Dessa forma, o HSBC aposta que a Intel ainda pode surpreender positivamente caso converta o avanço técnico em crescimento operacional e financeiro nos próximos trimestres.
Para investidores que acompanham o setor de semicondutores, a distância entre a meta de US$ 200 e o consenso de US$ 101,09 resume a divergência do momento. Parte do mercado continua cética, ao passo que o HSBC enxerga uma reprecificação estrutural da Intel.