Intel mira alta de 66% com alvo de US$ 200 do HSBC
A Intel entrou no radar de Wall Street depois que Frank Lee, analista do HSBC, elevou o preço-alvo das ações da companhia de US$ 100 para US$ 200. Além disso, ele manteve a recomendação de compra. No início do pregão de sexta-feira, investidores negociavam os papéis a US$ 120,35, o que indicava potencial de alta de cerca de 66% até o novo alvo.
Fundição passa a pesar no valuation
Na avaliação de Lee, a operação de fundição da Intel ganhou peso demais para ficar fora dos modelos de valuation. Em abril, o HSBC ainda excluía essa divisão por causa das dúvidas sobre a adoção por clientes externos. Agora, contudo, o banco vê uma virada mais concreta nesse segmento.
Segundo Lee, as parcerias com clientes estão acelerando e devem abrir espaço para compromissos de design na segunda metade de 2026. Esse tipo de acordo importa ao mercado porque costuma antecipar demanda futura para a estrutura fabril da empresa. Assim, a leitura do HSBC passou de cautelosa para claramente altista.
Além disso, o analista destacou o aprofundamento das relações da Intel com Apple, Alphabet, Nvidia, Microsoft e Amazon. De acordo com sua análise, vários projetos com essas gigantes da tecnologia devem avançar ao longo do segundo semestre de 2026. Dessa forma, a empresa amplia o potencial de colaboração em áreas consideradas estratégicas.
Outro fator relevante envolve a solução de empacotamento EMIB. Segundo o HSBC, essa tecnologia pode conquistar participação adicional de mercado, sobretudo se fabricantes de semicondutores buscarem alternativas a fundições concorrentes com restrições de capacidade. Nesse sentido, a Intel ganha um argumento comercial relevante em um mercado cada vez mais sensível a gargalos produtivos.
CPUs para servidores ganham projeções mais fortes
Além da operação de fundição, o HSBC vê nos processadores para servidores o principal motor de expansão dos lucros da Intel nos próximos anos. O banco elevou sua projeção de crescimento dos embarques de CPUs para servidores em 2026 de 20% para 25%. Para 2027, por sua vez, a estimativa subiu de 20% para 30%.
De acordo com Lee, a forte demanda por servidores voltados à inteligência artificial sustenta essa revisão. Em outras palavras, a Intel pode capturar parte importante da nova onda de investimentos em infraestrutura de IA, especialmente em ambientes corporativos e de nuvem. Ainda assim, o mercado segue atento à execução da empresa e ao ritmo de conversão dessa demanda em resultados.
Os números trimestrais mais recentes reforçaram esse tom positivo. No primeiro trimestre, a Intel reportou lucro por ação de US$ 0,29, acima da projeção consensual de US$ 0,01. Ademais, a receita somou US$ 13,58 bilhões, acima da expectativa de US$ 12,32 bilhões, com crescimento anual de 7,4%.
Esses resultados ajudaram a consolidar a percepção de melhora operacional. Afinal, a combinação entre avanço em fundição, perspectiva mais favorável para servidores e surpresa positiva no balanço cria uma narrativa mais sólida para justificar a revisão do HSBC. Ainda que parte de Wall Street permaneça cautelosa, o banco entende que o mercado pode estar subestimando a magnitude dessa inflexão.
Fluxo institucional avança, mas consenso segue moderado
O posicionamento de investidores institucionais também mostrou aumento de confiança na empresa. A Turtle Creek Wealth Advisors ampliou sua participação na Intel em 17,3% no primeiro trimestre. Com isso, a gestora elevou a posição para 38.906 ações, com valor aproximado de US$ 1,72 milhão.
Outras gestoras seguiram caminho semelhante. A iA Global Asset Management aumentou sua fatia em 17% no quarto trimestre. Da mesma forma, a Van ECK Associates ampliou sua posição em 18,3% no terceiro trimestre e passou a deter mais de 55 milhões de ações. No total, investidores institucionais e fundos de hedge controlam 64,53% das ações em circulação da Intel.
Apesar disso, nem todos os movimentos internos apontaram na mesma direção. A vice-presidente executiva April Miller vendeu 40.256 ações no início de maio a um preço médio de US$ 99,53. Com a operação, ela reduziu sua participação em 27,7%. Embora esse tipo de venda não defina sozinho a tese de investimento, o mercado costuma acompanhar essas movimentações com atenção.
Mesmo com a visão otimista do HSBC, o restante de Wall Street ainda adota uma postura mais moderada. O consenso entre analistas é de manutenção, com 11 recomendações de compra, 25 de manutenção e 2 de venda nos últimos três meses. O preço-alvo médio está em US$ 101,09, o que indica potencial de queda de aproximadamente 16% em relação aos níveis atuais.
No intervalo de 52 semanas, as ações da Intel oscilaram entre US$ 18,97 e US$ 142,35. Atualmente, o papel segue bem acima da média móvel de 200 dias, situada em US$ 70,62. Portanto, a revisão de Frank Lee combina melhora de percepção sobre a fundição, expectativa de compromissos de design a partir do fim de 2026, laços mais fortes com Apple, Alphabet, Nvidia, Microsoft e Amazon, além de projeções maiores para CPUs de servidor. Ainda assim, o consenso do mercado continua predominantemente neutro.