Bitcoin: Sell-Side Risk sinaliza acumulação rara

O Bitcoin voltou a uma faixa rara de acumulação no Sell-Side Risk Ratio ajustado. Ao mesmo tempo, baleias intermediárias distribuíram 55.312 BTC. A Binance registrou 0% das entradas monitoradas desse grupo em 2 de julho, segundo dados da CryptoQuant.

Os fluxos entre corretoras mostram que a Binance não recebeu nenhuma das entradas rastreadas de baleias em 2 de julho. Em contrapartida, Kraken, Bitfinex e Coinbase Prime concentraram a maior parte do movimento observado.

Ao mesmo tempo, outro sinal on-chain ganhou força. O Sell-Side Risk Ratio ajustado do Bitcoin recuou para uma zona historicamente muito baixa. Esse nível já apareceu no início de 2019, no fim de 2020 e durante a consolidação de 2023.

Sell-Side Risk Ratio volta a nível extremo

Uma análise QuickTake da CryptoQuant aponta que passagens anteriores por essa região antecederam expansões relevantes de preço. Em outras palavras, o indicador voltou a um patamar que, em ciclos passados, apareceu antes de fortes altas.

Um índice deprimido sugere lucros e perdas realizados pequenos em relação ao valor de mercado do Bitcoin. Assim, os detentores mostram baixa disposição para vender nos níveis atuais. Quando esse comportamento persiste, carteiras de longo prazo mantêm suas moedas paradas. Como resultado, a oferta disponível tende a encolher.

Além disso, a leitura destaca que permanências longas abaixo desse limiar foram raras nos ciclos anteriores. O indicador não define quando um rompimento acontecerá. Ainda assim, ajuda a identificar momentos em que a pressão vendedora perde força.

Gráfico do Sell-Side Risk Ratio ajustado do Bitcoin

Fonte: CryptoQuant

Leituras on-chain separadas também mostraram aumento de acumulação em quase todas as faixas de carteiras ao longo da semana. Além disso, parte desse movimento veio de investidores de varejo. No entanto, as baleias intermediárias passaram a mostrar um comportamento diferente do restante do mercado.

Acumulação ampla contrasta com venda de baleias

As carteiras com saldo entre 100 e 1.000 BTC registraram distribuição de 55.312 BTC em 60 dias em 3 de julho. Segundo o conjunto de dados observado, esse foi o maior volume de venda já registrado para esse grupo. Além disso, o número ficou abaixo da marca vista no fim de junho e superou a mínima de fevereiro em intensidade.

Já o grupo com 1.000 a 10.000 BTC continuou acumulando, embora em ritmo menor. A leitura foi de 47.830 BTC, cerca de 29% abaixo do nível visto duas semanas antes. Ou seja, essas grandes carteiras seguem como compradoras líquidas, mas com menos apetite do que antes.

No campo corporativo, o movimento foi diferente. A Metaplanet elevou sua tesouraria em Bitcoin para 43.000 BTC nesta semana. Dessa forma, a companhia reforçou que investidores institucionais podem seguir outra lógica e outro horizonte de tempo em relação às baleias monitoradas nas corretoras.

Fluxos em corretoras mudam a distribuição

Na distribuição das entradas em corretoras, a Kraken respondeu por 30% dos influxos de baleias em 2 de julho. Em seguida, a Bitfinex apareceu logo atrás, enquanto a Coinbase Prime ficou pouco abaixo das duas. Juntas, as três plataformas concentraram 84% da estrutura monitorada no período.

Estrutura de entrada de BTC em corretoras por investidores baleia

Fonte: CryptoQuant

A CryptoQuant ressalvou que entradas em corretoras não equivalem automaticamente a vendas. Elas indicam apenas que as moedas foram movidas para locais onde podem ser negociadas. Ainda assim, essa leitura ganha mais peso quando aparece junto à distribuição entre carteiras de 100 a 1.000 BTC.

Em 23 de junho, esse mesmo grupo havia registrado distribuição de 48.900 BTC. Depois disso, o quadro se intensificou até alcançar 55.312 BTC em 3 de julho. Nesse meio tempo, o Sell-Side Risk Ratio ajustado retornou a uma zona extrema de baixa, enquanto a Binance ficou com 0% dos influxos de baleias monitorados em 2 de julho.

Mercado combina retenção e redistribuição

Kraken, Bitfinex e Coinbase Prime absorveram a maior parte desses fluxos. Por isso, o mercado acompanha dois sinais relevantes ao mesmo tempo. De um lado, o indicador on-chain aponta compressão da pressão vendedora. De outro, as carteiras intermediárias mostram distribuição recorde.

Nesse contexto, o comportamento do Bitcoin pode depender de qual força prevalecerá nas próximas sessões. Se a retenção de longo prazo continuar e a oferta líquida encolher, o ativo pode repetir padrões vistos após 2019, 2020 e 2023. Contudo, se a distribuição das baleias intermediárias crescer, a volatilidade de curto prazo tende a aumentar.