Coca-Cola rende US$ 848 mi por ano a Buffett
Há mais de 30 anos, a Coca-Cola funciona como uma das fontes mais consistentes de caixa para Warren Buffett. Em 2026, esse papel continua intacto. A Berkshire Hathaway mantém 400 milhões de ações da gigante de bebidas. A companhia consolidou essa posição em 1994 e, hoje, ela rende cerca de US$ 848 milhões por ano em dividendos.
Fonte: knockoutstocks.com
Quando a Berkshire Hathaway montou sua fatia na companhia, os dividendos anuais da Coca-Cola somavam US$ 75 milhões para o conglomerado de Buffett. Agora, sem alteração no número de ações, a mesma posição gera um fluxo anual estimado em US$ 848 milhões. Além disso, a renda anual em dividendos já supera o valor total originalmente investido pela Berkshire na empresa.
Esse desempenho ajuda a explicar por que a ação segue no radar de Wall Street. Assim, a Coca-Cola reforça sua imagem como um dos investimentos mais emblemáticos da carteira de Buffett, sobretudo pela combinação entre previsibilidade operacional e disciplina na remuneração ao acionista.
Dividendos sustentam aposta histórica de Buffett
As ações da Coca-Cola cotavam a US$ 83,93 na manhã de sexta-feira, muito perto da máxima de 52 semanas de US$ 84,14. Ao mesmo tempo, a empresa exibia valor de mercado de US$ 361 bilhões e índice preço sobre lucro de 26,39. A média móvel simples de 50 dias estava em US$ 80,18, enquanto a média de 200 dias aparecia em US$ 76,72.
No primeiro trimestre, a companhia superou as expectativas de Wall Street. O lucro por ação ficou em US$ 0,86, acima da projeção consensual de US$ 0,81. A receita trimestral somou US$ 12,47 bilhões, acima da estimativa de US$ 12,24 bilhões, com avanço anual de 11,4%.
Além disso, a administração divulgou guidance para o lucro por ação de 2026 na faixa de US$ 3,24 a US$ 3,27. Dessa forma, a empresa reforçou a leitura de estabilidade operacional em um momento no qual o papel segue perto das máximas recentes.
A Coca-Cola pagou em 1º de julho um dividendo trimestral de US$ 0,53 por ação. Em base anualizada, isso equivale a US$ 2,12 por ação e a um dividend yield de aproximadamente 2,5%. O índice de distribuição de lucros, ou payout ratio, está em 66,67%.
Para investidores focados em renda, esse histórico mantém a companhia entre os nomes mais observados do mercado americano. Nesse sentido, a busca por dividendos previsíveis continua favorecendo empresas com longa tradição de pagamentos crescentes.
64 anos seguidos de aumento nos pagamentos
A empresa acumula 64 anos consecutivos de crescimento no dividendo. Com isso, integra o seleto grupo das chamadas Dividend Kings. Warren Buffett destacou essa regularidade mais de uma vez em suas cartas anuais aos acionistas.
"O crescimento ocorreu todos os anos, tão certo quanto os aniversários", escreveu Buffett na carta de 2022. "Tudo o que Charlie e eu precisávamos fazer era descontar os cheques trimestrais de dividendos da Coca-Cola."
Fonte: carta anual da Berkshire Hathaway aos acionistas de 2022.
Esse histórico ajuda a explicar o interesse contínuo dos investidores institucionais pelo papel. Os dados citados mostram que 70,26% das ações em circulação da companhia estão nas mãos de investidores institucionais.
No primeiro trimestre, a QRG Capital Management ampliou sua posição em 20,2%, com a compra de 76.998 ações adicionais. Com isso, sua participação total chegou a um valor aproximado de US$ 34,8 milhões. Já a Jump Financial aumentou sua posição em 450,5% no segundo trimestre. No mesmo período, a Osterweis Capital Management expandiu sua exposição em 548,2%.
Wall Street mantém viés positivo para as ações da KO
O sentimento dos analistas segue predominantemente positivo. A TD Cowen mantém recomendação de compra com preço-alvo de US$ 90,00. O Morgan Stanley definiu meta de US$ 89,00 em junho. Além disso, o JPMorgan elevou seu preço-alvo de US$ 83 para US$ 85 e manteve a classificação Overweight. O Deutsche Bank, por sua vez, revisou sua projeção de US$ 83 para US$ 86.
Ao todo, 16 analistas acompanham o papel, com preço-alvo médio de US$ 86,88. Portanto, o consenso do mercado é de Moderate Buy, o que indica potencial adicional mais limitado a partir dos níveis atuais de negociação. Entre essas recomendações, 15 são de compra e uma é de manutenção. Não havia recomendação de venda ativa no momento dos dados citados.
Ainda assim, o quadro geral permanece favorável. Afinal, a empresa combina resiliência de marca, escala global e forte geração de caixa. Por isso, o mercado continua tratando a posição da Berkshire Hathaway como uma referência clássica de investimento de longo prazo.
Vendas de executivos seguiram planos preestabelecidos
Nas movimentações internas, o presidente do conselho James Quincey vendeu 436.296 ações em 5 de junho, a um preço médio de US$ 80,13. A operação totalizou cerca de US$ 35 milhões. A vice-presidente executiva Jennifer Mann vendeu 100.000 ações em 8 de junho, ao preço de US$ 79,46.
As duas vendas seguiram planos de negociação preestabelecidos sob a Regra 10b5-1. Além disso, as operações estavam relacionadas a obrigações tributárias sobre remuneração em ações que se tornou elegível. Mesmo assim, os insiders corporativos seguem com 0,90% do total de ações da companhia.
Em suma, a Coca-Cola continua sendo uma das posições mais rentáveis e simbólicas da carteira de Warren Buffett. Com 400 milhões de ações mantidas desde 1994, dividendos anuais estimados em US$ 848 milhões, pagamento trimestral de US$ 0,53 por ação, 64 anos seguidos de alta nos dividendos e preço-alvo médio de US$ 86,88 em Wall Street, a tese permanece sólida em 2026.