Revolut removerá USDT do app até o fim de agosto

A Revolut informou que deixará de oferecer suporte ao USDT, maior stablecoin do mercado em valor de mercado, dentro do seu aplicativo até o fim de agosto. A medida afeta clientes que mantêm saldo no ativo ou usam o token para negociação na plataforma. Além disso, a decisão reforça o ajuste de empresas financeiras às exigências regulatórias mais rígidas sobre criptoativos.

Saída do USDT inclui custódia e negociação

A fintech confirmou a deslistagem em agosto e atribuiu a retirada a preocupações regulatórias e de risco. A remoção alcança tanto a custódia quanto a negociação do ativo dentro do aplicativo. Portanto, o prazo final indicado pela empresa é o encerramento de agosto.

Na prática, clientes que ainda mantêm saldo em USDT na Revolut precisam revisar suas posições antes da data-limite. Em deslistagens desse tipo, plataformas costumam abrir uma janela para venda ou conversão do ativo. Ao mesmo tempo, elas normalmente interrompem novas compras. Contudo, os detalhes dependem da política interna de cada plataforma.

A Revolut não detalhou publicamente quais etapas operacionais adotará em cada mercado onde atua. Assim, usuários devem verificar no próprio aplicativo se poderão vender o USDT, converter o saldo para outros ativos compatíveis ou movimentar recursos antes da interrupção definitiva do suporte.

Impacto direto para quem usa USDT na Revolut

O impacto recai sobre clientes que usam o USDT como reserva de liquidez, unidade de referência em dólar ou par de negociação dentro da fintech. Nesse caso, a atenção ao prazo de agosto se torna essencial para evitar restrições operacionais de última hora.

A medida não significa, por si só, uma interrupção do token no mercado. Ela altera apenas a disponibilidade do USDT no ambiente da Revolut. Desse modo, o usuário que depende da stablecoin dentro do aplicativo terá de adaptar sua estratégia à nova lista de ativos suportados.

MiCA amplia rigor sobre stablecoins na União Europeia

A Revolut relacionou a retirada do USDT a fatores regulatórios e de risco em um momento de maior pressão sobre stablecoins na União Europeia. O Markets in Crypto-Assets Regulation, conhecido como MiCA, segue remodelando a atuação de prestadores de serviços de criptoativos no bloco.

Além disso, a Revolut opera sob licença MiCA registrada junto à Cyprus Securities and Exchange Commission, conforme o registro público da autoridade cipriota. Esse contexto reforça o aumento do escrutínio sobre ativos digitais oferecidos a clientes de varejo.

O MiCA estabelece exigências específicas para stablecoins, incluindo regras sobre reservas, transparência e autorização de emissores. Nesse cenário, o USDT, emitido pela Tether, passou a receber atenção adicional em mercados europeus. Ainda assim, a Revolut não apontou quais dispositivos regulatórios motivaram diretamente a retirada.

O fator de risco também vai além da regulação formal. Plataformas com forte presença no varejo revisam periodicamente os ativos suportados para reduzir exposição operacional, jurídica e reputacional. Por isso, a decisão da Revolut se insere em um movimento mais amplo de reavaliação de stablecoins na União Europeia.

USDT segue funcionando fora da Revolut

Apesar da decisão da fintech, o USDT continua operando nas redes blockchain e em serviços que ainda oferecem suporte ao ativo. Ou seja, a medida se restringe ao ecossistema da Revolut e não altera a funcionalidade do token em corretoras, carteiras ou protocolos compatíveis.

Esse ponto importa porque o USDT permanece como uma das principais bases de liquidez do mercado de criptomoedas. Investidores e plataformas ainda usam o ativo como par de negociação em ambientes centralizados e descentralizados. Dessa forma, o efeito imediato da retirada atinge a experiência do usuário na Revolut, não a existência do token no mercado.

Em outras palavras, a Revolut mudará onde seus clientes podem interagir com o USDT. A empresa não altera a utilidade do token fora de sua própria estrutura. Assim, a distinção entre acesso em uma plataforma específica e disponibilidade em nível de protocolo ajuda a dimensionar corretamente o alcance da decisão.