Bitcoin: mineradores retêm BTC e holders perdem 20%
O índice de posição dos mineradores de Bitcoin permanece perto de -0,94, enquanto investidores ativos acumulam perda média de 20%. A resistência on-chain em US$ 76.700 ainda limita a recuperação do preço.
A CryptoQuant mostra que o Miners’ Position Index, ou MPI, quase não mudou nas últimas semanas. Atualmente, o indicador segue perto de -0,94, enquanto o Bitcoin gira em torno de US$ 63.000.
Quando o MPI fica abaixo de zero, os mineradores enviam menos BTC para corretoras do que a média dos últimos 12 meses. Em outras palavras, esse grupo não despeja reservas no mercado neste momento. Assim, a leitura sugere convicção na manutenção das posições ou, ao menos, menor disposição para vender nas condições atuais.
Ao longo de 2026, os picos do índice perderam força antes de indicar qualquer virada consistente. Além disso, depois dos avanços curtos vistos no início do ano, o indicador entrou em uma faixa mais estreita. Desde então, ele não sustentou retorno ao campo positivo.
Pressão vendedora dos mineradores segue contida
As leituras negativas passaram a superar as positivas desde o segundo trimestre. Dessa forma, o padrão continuou nesta semana e reforçou a percepção de que o comportamento dos mineradores ainda não mudou de forma estrutural.
Ao mesmo tempo, outros fluxos para corretoras chamaram mais atenção no mercado. No fim de junho, os depósitos de Bitcoin em exchanges chegaram perto de 49.000 BTC em uma única sessão. Esse patamar é extremo e apareceu apenas poucas vezes em 2026. Além disso, o tamanho médio desses depósitos dobrou no período analisado.

Fonte: CryptoQuant, Bitcoin Miners’ Position Index
Apesar disso, o MPI ainda indica menor pressão de venda por parte dos mineradores. Portanto, mesmo com entradas relevantes de BTC em corretoras, os dados não mostram capitulação desse grupo específico. Esse detalhe importa porque mineradores costumam influenciar o sentimento em fases de fraqueza do mercado.
Fluxos para exchanges cresceram no fim de junho
Embora os mineradores tenham reduzido a oferta imediata, o mercado observou aumento expressivo em outros depósitos. Por conseguinte, o contraste entre o MPI negativo e as entradas elevadas em exchanges sugere que a pressão vendedora veio de outras categorias de participantes.
Esse contexto ajuda a explicar por que o preço continua travado. Afinal, a retenção dos mineradores sozinha não basta para reverter uma tendência quando outros agentes aproveitam repiques para vender.
Custo médio dos holders ativos virou resistência
Em outra frente, a CryptoQuant acompanha o True Market Mean, ou TMM. O indicador mede o custo médio de aquisição das moedas que seguem circulando com atividade. Ao mesmo tempo, ele exclui carteiras paradas desde os primeiros anos do Bitcoin, já que parte dessas moedas pode estar perdida.
Atualmente, esse custo médio está perto de US$ 76.700 e funciona como uma barreira para o preço. Segundo Joao Wedson, autor do gráfico citado, o mercado deixou esse mecanismo claro em maio. Na prática, investidores que chegaram perto do ponto de equilíbrio preferiram encerrar posições sem lucro relevante, em vez de manter exposição a uma nova perna de baixa.

Fonte: CryptoQuant, gráfico de Joao Wedson
Assim, a região de US$ 76.700 continua como resistência relevante. Ainda que o mercado tente reagir, muitos participantes enxergam esse nível como oportunidade de saída. Por isso, a recuperação do Bitcoin segue limitada no curto prazo.
AVIV Ratio aponta desvalorização entre investidores ativos
Outro indicador ligado ao TMM é o AVIV Ratio. Ele mede o quanto os investidores ativos estão abaixo do próprio custo médio. No momento, a métrica gira em torno de 0,8, faixa considerada de desvalorização. Em termos diretos, isso indica perda média próxima de 20% para esse grupo.
Joao Wedson observou que ciclos de baixa anteriores foram mais profundos. Em mercados de baixa passados, o AVIV Ratio caiu para a região entre 0,5 e 0,6. Nesses casos, as desvalorizações ficaram mais próximas de 40% e, às vezes, foram até maiores. Ainda assim, ele afirmou que o ciclo atual não precisa repetir a mesma intensidade, sobretudo por causa do nível de adoção alcançado pelo Bitcoin nos últimos anos.
Mesmo com a entrada de instituições e com os ETFs absorvendo bilhões de dólares, Wedson destacou que esse movimento não anulou o comportamento cíclico histórico do ativo. Portanto, a presença institucional não eliminou os padrões já conhecidos do mercado de criptomoedas.
Neste mês, as leituras de pressão vendedora também recuaram para uma zona rara no Sell-Side Risk Ratio. Historicamente, esse patamar antecedeu movimentos fortes de expansão em 2019, 2020 e 2023. Ainda assim, os dados mais recentes mostram um quadro pressionado: o MPI encerrou a semana em -0,94, o True Market Mean segue perto de US$ 76.700 e os investidores ativos continuam, em média, com perda de cerca de 20%.