Ethereum: Vitalik planeja defesa quântica até 2029
Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, apresentou um roteiro de três a quatro anos para preparar a rede contra a computação quântica. Assim, o plano avança até cerca de 2029 com foco em reforçar a segurança do protocolo, ampliar a escalabilidade e melhorar a eficiência do ecossistema.
A proposta indica que a proteção de longo prazo do Ethereum exigirá mudanças profundas na base cripto da rede. Em outras palavras, o roteiro prevê uma nova forma de verificar transações, a substituição dos esquemas de assinatura atuais e uma expansão relevante da capacidade de armazenamento de estado.
Além disso, a rede não pretende esperar a ameaça se tornar imediata. Pelo contrário, a estratégia prioriza antecipação, coordenação técnica e implantação progressiva, já que uma mudança desse porte exige vários anos de testes.
Vitalik Buterin mira mudanças na base da rede
STARKs podem reduzir custos e acelerar verificações
No centro do plano está a migração do modelo atual de reexecução de transações para uma verificação nativa com STARKs. Nesse formato, aplicativos descentralizados construídos no Ethereum poderiam validar operações com muito mais eficiência. Segundo a proposta, alguns cálculos custariam mais de dez vezes menos do que no modelo atual.
STARK é um método de prova baseado em conhecimento zero. Dessa forma, ele permite verificar transações sem repetir todos os detalhes da execução. Como resultado, o Ethereum tende a lidar melhor com volumes maiores de transações e com aplicativos descentralizados mais complexos.
Ademais, o roteiro prevê a troca dos esquemas de assinatura ECDSA e BLS por alternativas baseadas em hash, consideradas resistentes à computação quântica. Portanto, esse ponto aparece como um dos pilares da defesa futura da rede.
Essas mudanças na base cripto são vistas como decisivas para proteger os ativos dos usuários, sustentar a operação dos validadores e preservar a integridade do blockchain do Ethereum. Nesse sentido, a avaliação por trás do plano é direta: avanços da computação quântica podem desafiar, em algum momento, os métodos de cripto usados hoje.
Meta de 100 terabytes amplia a escala da rede
Armazenamento de estado deve crescer até 2030
O Ethereum também definiu uma meta ambiciosa para sua infraestrutura de dados. Até 2030, a rede pretende lidar com cerca de 100 terabytes de dados de estado. Assim, essa expansão busca aumentar a escalabilidade sem comprometer o desempenho.
Além disso, a medida pode abrir espaço para protocolos DeFi mais robustos, ativos tokenizados e usos corporativos de blockchain. Afinal, o crescimento da rede depende não apenas de segurança, mas também de capacidade operacional para atender aplicações cada vez maiores.
No campo de pesquisa, a Ethereum Foundation criou, em janeiro de 2026, uma nova equipe dedicada à segurança pós-quântica. A entidade sem fins lucrativos apoia pesquisas e desenvolvimentos centrais para o funcionamento e a evolução de todo o ecossistema.
Entre as iniciativas em andamento estão as assinaturas leanXMSS voltadas à segurança pós-quântica, o leanVM, uma máquina virtual de conhecimento zero focada em compressão de assinaturas, testes semanais de interoperabilidade com mais de dez equipes diferentes de clientes e vários projetos dedicados à otimização da infraestrutura de disponibilidade de dados.
Roteiro segue padrões dos Estados Unidos
EIP-8141 pode facilitar adoção gradual
Outro ponto relevante é o alinhamento do novo roteiro do Ethereum aos padrões de cripto desenvolvidos em 2024 pelo National Institute of Standards and Technology, dos Estados Unidos. Dessa maneira, a rede aproxima sua evolução técnica de referências formais para segurança pós-quântica.
Ao mesmo tempo, a EIP-8141 introduz a abstração local de contas. Assim, os usuários podem adotar assinaturas resistentes à computação quântica sem depender de uma atualização total e imediata em toda a rede. Isso reduz atritos de migração e oferece um caminho mais realista para implementação.
Para investidores e participantes do mercado de criptomoedas, o plano apresentado por Vitalik Buterin mostra que a evolução do Ethereum não se limita a ganhos de escala no curto prazo. Em suma, a proposta combina redução de custos de verificação, substituição de assinaturas ECDSA e BLS, criação de uma equipe pós-quântica em janeiro de 2026, alinhamento com padrões do National Institute of Standards and Technology e a meta de alcançar cerca de 100 terabytes de dados de estado até 2030.
Por fim, o roteiro reforça que a defesa quântica do Ethereum não depende de uma única atualização. Em vez disso, ela exige camadas complementares de segurança, pesquisa contínua e transição gradual, a fim de preservar a rede diante de um cenário tecnológico que pode mudar rapidamente nos próximos anos.