UMC cai 6% após receita superar consenso no 2T
A United Microelectronics Corporation, conhecida pela sigla UMC, reportou resultados do segundo trimestre de 2026 acima das estimativas de Wall Street. Ainda assim, as ações caíam cerca de 6% no pré-mercado de segunda-feira, 7 de julho de 2026, em meio à fraqueza mais ampla do setor de semicondutores.
Receita da UMC cresce no trimestre
A companhia taiwanesa informou vendas de NT$ 23,12 bilhões em junho. Dessa forma, o valor representou alta anual de 22,85%. No consolidado do segundo trimestre, a receita atingiu NT$ 69 bilhões, com avanço de 13% na comparação sequencial e crescimento de 17% ante o mesmo período de 2025.
Além disso, o resultado ficou cerca de 1,8% acima das projeções de consenso dos analistas. No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a receita somou NT$ 129,7 bilhões, o que marcou crescimento anual de 11,28%.
A atualização de receita de junho da UMC indica crescimento sólido no negócio de fundição de semicondutores, embora a dinâmica mais ampla da indústria continue no radar do mercado.
EmmanuelInvest no X
A Wedbush manteve recomendação neutra para a UMC, com preço-alvo de NT$ 80. Segundo o analista Matt Bryson e sua equipe, a surpresa positiva na receita, registrada antes dos ajustes recentes de preços, sinaliza impulso real nas operações centrais da empresa.
De acordo com a Wedbush, dois fatores sustentaram o trimestre. Em primeiro lugar, a demanda ligada a data centers seguiu em expansão. Em segundo lugar, a queda no segmento de eletrônicos de consumo foi menos intensa do que o mercado previa. Ademais, os analistas avaliaram que as margens podem melhorar com a alta sequencial das taxas de utilização da capacidade.
Reajustes de preços elevam foco no terceiro trimestre
No início deste mês, a UMC aplicou reajustes de preços em algumas linhas de produtos. Assim, a Wedbush acredita que o terceiro trimestre de 2026 deve capturar esse efeito por meio de preços médios de venda mais altos. A casa também avalia que suas projeções atuais talvez ainda subestimem esse potencial de alta.
Por outro lado, a Bernstein adotou postura mais cautelosa. A instituição manteve recomendação de desempenho abaixo do mercado para as ações da UMC e preço-alvo de US$ 7,40. Na visão da firma, a principal preocupação está nos múltiplos de valuation.
Atualmente, os papéis negociam a 5,3 vezes o valor patrimonial passado, muito acima da média histórica pré-ciclo, de 0,8 vez. Além disso, a ação apresenta múltiplo preço sobre lucro de 42,85 e PEG de 3,29. Nesse sentido, a reação negativa do mercado sugere que parte dos investidores priorizou o risco de valuation, mesmo diante do avanço da receita.
No campo tecnológico, a UMC segue com o desenvolvimento do processo de 12 nanômetros. O cronograma permanece inalterado, com entrega do PDK em 2026, tape-out em 2027 e início da produção em volume no fim de 2027. As aplicações-alvo incluem sistemas de televisão digital, soluções de conectividade Wi-Fi e produtos de interface de alta velocidade.
Números servem de termômetro para fundições
De acordo com a Wedbush, os números da UMC também trazem sinais positivos para concorrentes focadas em fundição de nós maduros, como Vanguard International Semiconductor, GlobalFoundries e Tower Semiconductor. Ainda assim, a equipe de Matt Bryson observou que GlobalFoundries e Tower têm menor exposição a segmentos mais comoditizados.
Por consequência, essas empresas podem capturar de forma menos imediata os movimentos de oferta e demanda de curto prazo vistos nesse mercado. Esse ponto ajuda a explicar por que o desempenho operacional da UMC não se traduz automaticamente em leitura uniforme para todas as empresas do setor.
Mais cedo em 2026, a UMC já havia superado as projeções de lucro por ação no primeiro trimestre, ao entregar US$ 0,20 frente à expectativa de US$ 0,13. Isso representou surpresa positiva de 53,85%. Em contrapartida, a receita de US$ 1,93 bilhão ficou ligeiramente abaixo do consenso de US$ 1,96 bilhão.
Para o segundo trimestre, a empresa havia projetado expansão sequencial de embarques de wafers em um percentual de um dígito alto, impulsionada por aplicações de consumo e pela recuperação da demanda em comunicações. Já no primeiro trimestre, a orientação para preço médio de venda apontava poder de precificação praticamente estável no primeiro semestre de 2026.
Contudo, os reajustes adotados para a segunda metade do ano podem marcar um ponto de inflexão para a expansão de margens. Além disso, o desempenho recente reforça o interesse do mercado por fabricantes de chips e por temas ligados a semicondutores, sobretudo em um ambiente de recuperação seletiva da demanda.
Em suma, a queda de cerca de 6% no pré-mercado contrastou com uma receita trimestral de NT$ 69 bilhões, vendas mensais de NT$ 23,12 bilhões em junho e uma leitura construtiva da Wedbush, que manteve alvo de NT$ 80. Entretanto, a visão mais negativa da Bernstein, com preço-alvo de US$ 7,40 e foco no valuation, limitou o entusiasmo dos investidores.