Dominância do Bitcoin cai a 54% e altcoins reagem
A dominância do Bitcoin recuou para 54%, o menor nível em um mês, após marcar 58,12%, segundo a tabela de dominância da CoinGecko. Ao mesmo tempo, a categoria das altcoins, que reúne ativos fora de Bitcoin, Ethereum e stablecoins, avançou de 19,39% para 24,68% do valor total do mercado de criptomoedas.
Esse movimento ganhou força depois que o Bitcoin caiu abaixo de US$ 58.000 na semana passada. Em seguida, o ativo reagiu até uma máxima intradiária de US$ 63.976,16. Além disso, o Índice de Medo e Ganância subiu de 12 para 24 nesta semana, embora ainda permaneça na zona de medo extremo.
Altcoins avançam com perda de espaço do Bitcoin
A queda recente da dominância do Bitcoin amplia uma tendência observada nos últimos 12 meses. Nesse período, a participação do BTC caiu de 63% para 56%. Ao passo que isso ocorreu, as stablecoins quase dobraram seu espaço, passando de 7% para 13%.

Os dados indicam que a recuperação das altcoins se concentra em tokens com características específicas. Entre elas estão protocolos que geram taxas reais, executam programas de recompra ou queima de tokens, ocupam posição relevante na infraestrutura on-chain da Solana ou mantêm conexão com distribuição institucional. Assim, em vez de uma alta generalizada como em ciclos anteriores, os traders fazem apostas mais seletivas.
O token HYPE, da Hyperliquid, subiu 24% em 30 dias, a menor alta entre os principais destaques do período. Ainda assim, o ativo acumula valorização próxima de 200% no ano, com preço perto de US$ 71. Além disso, o Assistance Fund da Hyperliquid direciona mais de 97% das taxas para recompras do token, fator que ajudou a iniciar essa rotação mais restrita.
Tokens com receita e recompra lideram o movimento
Entre os maiores ganhos, a Lighter se destacou. O token LIT avançou 83,85% em 30 dias, impulsionado pela busca do mercado por uma nova vencedora entre as exchanges perpétuas descentralizadas. A DefiLlama aponta volume de perpétuos da Lighter perto de US$ 40 bilhões em 30 dias. Além disso, o protocolo passou a queimar os tokens recomprados após o fechamento do segundo trimestre.
A Aerodrome também avançou 82,3%, sustentada pela expectativa de fusão com a Velodrome e por uma atualização chamada “Predictive Allocation”. Em tese, essa mudança deve substituir a votação semanal de gauges por uma alocação de liquidez mais rápida na rede Base.
No caso da Aave, a valorização chegou a 59%. O movimento ocorreu depois que a Aavenomics 3.0 conectou diretamente a stablecoin GHO e a receita do protocolo a um sistema automatizado de recompra de AAVE. Da mesma forma, a Uniswap subiu 31,3%, apoiada em uma tese semelhante. O Standard Chartered estabeleceu uma meta de US$ 100 para o token UNI em 2030, enquanto o debate interno sobre ativação de taxas e queima do ativo segue aberto.
No ecossistema Solana, a movimentação também ganhou força. O token JUP, da Jupiter, subiu 57,2% após uma proposta para elevar a taxa de recompra para 70% das taxas geradas e expandir o protocolo para crédito e ações on-chain. Ao mesmo tempo, a própria Solana avançou 32,74%, refletindo maior atividade em sua infraestrutura base. Já o JTO, da Jito, registrou ganho de 45% com exposição aos fluxos de MEV e staking da rede.
Destaques incluem Solana, Pyth, Morpho e Zcash
Outro destaque foi a Pyth Network. O token PYTH subiu 46,5% depois de um acordo, em 30 de junho, para distribuir dados de livro de ofertas Nasdaq TotalView por sua rede. Em seguida, o projeto anunciou integração com a testnet da Arc no início de julho.
Já o Morpho avançou 21,8%, beneficiado pela cobertura iniciada pelo Standard Chartered, com preço-alvo de US$ 60 para 2030. Além disso, a Robinhood escolheu os cofres da Morpho para alimentar o produto Earn com saldos em USDG.
A Zcash também entrou na lista, com alta de 25,2%. Nesse caso, a valorização acompanhou o roteiro Tachyon, voltado à preparação quântica, anunciado em 30 de junho. Além disso, a atualização Ironwood para a rede principal está prevista para 21 de julho, com mudanças em verificação de oferta e no pool blindado.
Maiores altas em 30 dias
LIT liderou com 83,85%, seguido por AERO, com 82,3%, AAVE, com 59,0%, JUP, com 57,2%, PYTH, com 46,5%, JTO, com 45,0%, SOL, com 32,7%, UNI, com 31,3%, ZEC, com 25,2%, HYPE, com 24,0%, e MORPHO, com 21,8%.
A análise aponta dois motores principais para esse deslocamento de capital. Em primeiro lugar, a receita on-chain ganhou relevância. Protocolos como Hyperliquid, Lighter e Aave passaram a converter taxas de negociação ou receitas operacionais diretamente em recompras ou queimas. Dessa forma, o uso real tende a oferecer suporte potencial ao preço dos tokens.
Em segundo lugar, o acesso institucional passou a pesar mais. O acordo da Nasdaq com a Pyth e o uso dos cofres da Morpho pela Robinhood conectam esses projetos a estruturas mais próximas das finanças reguladas. Portanto, se o modelo de recompra continuar se espalhando, tokens sem mecanismos de taxa ou queima podem precisar adotar estruturas semelhantes para competir por capital.
Cenários para o mercado cripto após a queda da dominância
No cenário otimista, o Bitcoin manteria seu preço enquanto sua dominância cairia para a faixa de 50% a 52%, com altcoins acima de 27%. Nesse contexto, uma temporada de altcoins passaria a parecer mais plausível.
No cenário-base, a recuperação seguiria estreita, com BTC entre 53% e 55% de dominância e altcoins entre 24% e 26%. Assim, o mercado continuaria premiando apenas tokens com receita, recompra e narrativa institucional.
Já no cenário pessimista, o Bitcoin voltaria a ganhar participação, com dominância acima de 56% e a categoria altcoins abaixo de 22%. Esse quadro poderia ganhar força com uma correção do BTC, liquidez fraca no fim de semana, desbloqueios de tokens mal absorvidos ou permanência do Índice de Medo e Ganância perto do medo extremo. Ainda assim, a análise observa que, se memecoins passarem a superar os tokens com geração de receita, o rali tende a perder durabilidade.
Em suma, a dominância do Bitcoin em 54%, a alta de altcoins para 24,68%, a recuperação do BTC até US$ 63.976,16 e os ganhos de LIT, AAVE, AERO, JUP, PYTH e MORPHO mostram uma rotação concentrada. O capital privilegia projetos com receita, recompra, queima ou conexão institucional.