Tesla cai 4% com rumor de fusão com SpaceX
As ações da Tesla fecharam a terça-feira perto de US$ 402,90, com queda superior a 4%. O recuo ocorreu em meio a especulações em Wall Street sobre uma possível fusão com a SpaceX, empresa também liderada por Elon Musk. Ainda assim, o tema segue hipotético, sem anúncio oficial de negociação entre as companhias.
A discussão ganhou força depois que a SpaceX concluiu um IPO de US$ 75 bilhões, operação que levou sua avaliação de mercado a US$ 1,77 trilhão. A partir desse movimento, analistas passaram a avaliar se os principais negócios de Musk poderiam ficar sob uma única estrutura corporativa. A combinação reuniria inteligência artificial, robótica, energia sustentável, transporte e setor aeroespacial.
RBC Capital projeta prêmio para a Tesla
Tom Narayan, analista do RBC Capital, elevou o preço-alvo da Tesla de US$ 475 para US$ 500. Além disso, manteve recomendação de compra para os papéis. Segundo ele, a atenção crescente da mídia sobre uma eventual combinação entre Tesla e SpaceX levou investidores a calcular os possíveis efeitos financeiros de um acordo.
Para Narayan, a estrutura mais provável seria uma transação integralmente em ações. Nesse formato, a SpaceX compraria a Tesla com prêmio de 20% a 30% sobre os preços atuais de mercado. Portanto, esse cálculo sustentou o novo preço-alvo de US$ 500.
O analista também afirmou que os acionistas da Tesla tenderiam a exigir esse prêmio. Isso ocorreria porque a participação de Elon Musk na empresa combinada superaria 50%. Hoje, sua fatia na Tesla é de cerca de 20%.
Mesmo sem considerar uma fusão, Narayan estima que a Tesla valha aproximadamente US$ 435 por ação de forma independente. Assim, esse cenário indicaria potencial de alta de cerca de 10% sobre os níveis recentes de negociação.
Robotáxis, humanoides e energia entram na conta
O relatório do RBC Capital também revisou o valor atribuído às divisões da Tesla. Em primeiro lugar, Narayan aumentou em 20% sua avaliação da unidade de robotáxis. O ajuste ocorreu após elevar sua projeção para a frota global.
Para o analista, esse segmento continua sendo a principal avenida de crescimento de longo prazo da companhia. O mercado endereçável total estimado para a área chega a US$ 4,2 trilhões.
Em contrapartida, a divisão de robôs humanoides teve sua avaliação reduzida em cerca de 40%. O corte veio após Narayan reduzir sua estimativa de penetração nos Estados Unidos de 50% para 20%. Ainda assim, os robôs humanoides representam cerca de 25% de seu modelo total de valuation para a empresa.
Além disso, o segmento de armazenamento de energia sofreu revisão negativa de 30%. Segundo o relatório, um ambiente de mercado mais fraco e a concorrência crescente pressionam as margens. No entanto, a demanda ainda recebe suporte da infraestrutura de centros de dados ligados à inteligência artificial.
JPMorgan vê lógica estratégica, mas aponta riscos
Rajat Gupta, analista do JPMorgan, reconheceu que uma fusão teria coerência estratégica no papel. Em sua leitura, a Tesla acrescentaria veículos elétricos, tecnologia de baterias, software de direção autônoma e robótica. Ao mesmo tempo, a SpaceX contribuiria com sistemas de lançamento de foguetes, rede de satélites Starlink, infraestrutura orbital e conexões com o setor de defesa.
Dessa forma, os ativos combinados formariam algo mais próximo de um conglomerado industrial de tecnologia integrada. Ainda assim, Gupta não recomendou a ação com base apenas nessa especulação.
O analista ressaltou obstáculos regulatórios e geopolíticos relevantes. Nesse sentido, a China aparece como o ponto mais sensível. A Tesla mantém operações industriais importantes no país e gera parte significativa de sua receita no mercado chinês. Já a SpaceX atua em áreas delicadas, como comunicações por satélite e setores próximos à defesa.
Por conseguinte, uma eventual combinação entre os grupos poderia enfrentar resistência política de Pequim. Por esse motivo, Gupta manteve recomendação neutra para os papéis da montadora.
Wall Street mantém cautela sobre TSLA
O consenso de Wall Street segue moderado para a Tesla. Entre as casas que publicaram avaliações sobre TSLA nos últimos três meses, 10 indicaram compra. Outras 15 recomendaram manutenção, enquanto três sugeriram venda. O preço-alvo médio do mercado está em US$ 399,71, levemente abaixo dos níveis recentes de negociação.
Além disso, as ações da Tesla continuaram pressionadas no pré-mercado de quarta-feira. O movimento manteve a fraqueza observada após o fechamento anterior. Para investidores que acompanham tecnologia e veículos elétricos, o episódio mostra como rumores corporativos ainda movem o preço da ação de forma imediata.
Em suma, o debate atual gira em torno de uma proposta ainda especulativa, mas suficiente para mexer com TSLA. De um lado, o RBC Capital elevou seu alvo para US$ 500 com base em uma possível aquisição da Tesla pela SpaceX, com prêmio de 20% a 30%. De outro, o JPMorgan reconheceu o mérito estratégico da ideia, porém destacou entraves regulatórios e a exposição da Tesla à China como riscos centrais.