Tesla cai mesmo com Model Y L em produção nos EUA
As ações da Tesla recuaram no pré-mercado de quarta-feira, para US$ 396,61, queda de 1,1%, depois de perderem 4% na sessão anterior. Ainda assim, a montadora iniciou a produção do novo Model Y L, versão de entre-eixos longo do utilitário esportivo elétrico, agora oferecida nos Estados Unidos e em Porto Rico.
O novo veículo traz configuração de três fileiras e seis assentos. Além disso, a empresa destaca mais espaço interno, maior área para as pernas e conforto ampliado aos passageiros. O preço inicial gira em torno de US$ 62 mil, cerca de US$ 4 mil acima do Model Y Performance. Já o Model Y convencional parte de aproximadamente US$ 39 mil.
Apresentamos o Model Y Long Wheelbase, agora disponível nos Estados Unidos e em Porto Rico.
Uma configuração de 3 fileiras e 6 assentos que oferece espaço interno amplo, com folga para cabeça e pernas para todos os passageiros.
De 0 a 60 mph em 4,4 segundos
Autonomia de 325 milhas
Tesla no X
O Model Y L apareceu primeiro na China. Em tese, sua expansão para os Estados Unidos poderia reforçar o volume de vendas. No entanto, a reação do mercado permaneceu limitada. Dessa forma, investidores indicam que acompanham hoje outros vetores de crescimento da companhia.
Mercado avalia Tesla para além dos veículos
Embora a Tesla tenha informado entregas robustas no segundo trimestre, o desempenho não sustentou o papel. As entregas de veículos somaram 480.126 unidades, cerca de 70 mil acima das projeções de Wall Street e com alta de 25% na comparação anual. Mesmo assim, as ações seguiram pressionadas após a divulgação.
A leitura predominante entre investidores mudou. Em vez de olhar apenas para a operação automotiva, o mercado passou a concentrar atenção em inteligência artificial, direção autônoma e robótica. Nesse sentido, essas frentes hoje pesam mais na narrativa de crescimento da Tesla do que as vendas de veículos elétricos.
A operação de robotáxis ganhou destaque nesse processo. A empresa iniciou o serviço em Austin, no Texas, há cerca de doze meses. Em seguida, ampliou a operação para Miami e, agora, soma presença em três estados. Por isso, parte do mercado avalia que esse segmento pode se tornar uma fonte relevante de receita nos próximos anos.
Outro ponto central envolve o Optimus, robô humanoide da Tesla. Além disso, o desenvolvimento da terceira geração da plataforma segue em andamento. Assim, a companhia reforça a visão de que o mercado a avalia não apenas como montadora, mas também como empresa de tecnologia com exposição crescente a automação e IA.
Resultados de 22 de julho seguem no radar
Na frente financeira, a Tesla divulgará seus resultados do segundo trimestre em 22 de julho. No trimestre anterior, a companhia reportou lucro por ação de US$ 0,41, acima da estimativa consensual de US$ 0,39. A receita ficou em US$ 22,39 bilhões, levemente abaixo da projeção de US$ 22,96 bilhões, mas ainda com crescimento anual de 15,8%.
Além dos balanços, o mercado segue atento ao valuation da empresa. A Tesla negocia com relação preço/lucro de 369,63 e valor de mercado de US$ 1,51 trilhão. No intervalo de 52 semanas, o papel oscilou entre US$ 293,55 e US$ 498,83.
Para investidores que acompanham empresas expostas à inovação e inteligência artificial, a leitura sobre a Tesla depende cada vez mais de execução futura do que de lançamentos pontuais de veículos. Afinal, o mercado busca sinais concretos de monetização em autonomia, software e robótica.
Wall Street mantém visão dividida sobre TSLA
As avaliações dos analistas seguem mistas. O Royal Bank of Canada, conhecido como RBC, elevou seu preço-alvo para US$ 500 e manteve recomendação de desempenho superior ao mercado. Segundo o banco, uma eventual combinação com a SpaceX poderia gerar benefícios para a tese de investimento. O UBS também mantém preço-alvo de US$ 500 para os papéis.
No consolidado, porém, o consenso ainda aponta para manutenção. O preço-alvo médio está em US$ 408,52. Entre 45 analistas acompanhados, 21 recomendam compra, 20 sugerem manter posição e 4 indicam venda.
Entre investidores institucionais, a Jericho Financial LLP ampliou sua participação na Tesla em 13,4% no primeiro trimestre, com a compra de 1.469 ações adicionais. Com isso, sua posição total chegou a 12.452 ações, avaliadas em cerca de US$ 4,63 milhões.
Por outro lado, as movimentações internas mostraram predominância vendedora. A conselheira Kathleen Wilson-Thompson vendeu 26.409 ações em 30 de abril, a um preço médio de US$ 378,11. Já o diretor financeiro Vaibhav Taneja vendeu 3.000 ações em 13 de maio, a US$ 450,00 por papel, com recursos destinados a obrigações tributárias ligadas ao vesting de remuneração em ações. Nos últimos 90 dias, as vendas internas totalizaram 32.015 ações, equivalentes a aproximadamente US$ 12,38 milhões.
No fim, o início da produção do Model Y L não mudou sozinho a percepção do mercado. Embora o novo veículo chegue com preço inicial perto de US$ 62 mil e a Tesla tenha entregado 480.126 veículos no trimestre, investidores seguem mais atentos aos robotáxis, ao Optimus e aos resultados de 22 de julho. Portanto, a capacidade da empresa de transformar IA e autonomia em receita continua no centro da tese para as ações.