Bitcoin: ETFs somam US$ 509 mi e futuros vão a US$ 79 bi

O Bitcoin tenta sustentar a recuperação após voltar à região de US$ 63 mil, com apoio das entradas nos ETFs spot dos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado segue dividido. A reação precisa resistir ao avanço da alavancagem, à pressão das taxas de financiamento e a uma possível desaceleração na demanda por fundos.

No momento da apuração, o BTC negociava perto de US$ 61.500, com queda de 3,2% em 24 horas, mas alta de 2,8% na semana. Assim, o preço ainda buscava firmar a reação após a mínima do fim de junho. Naquele período, o ativo caiu para a faixa de US$ 58.500 em meio a saídas dos ETFs, maior oferta nas exchanges e liquidez mais fraca.

ETFs voltam a atrair capital nos Estados Unidos

Os ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos registraram mais de US$ 500 milhões em entradas somadas nas últimas três sessões de negociação. Dessa forma, o mercado viu a primeira sequência positiva desde maio.

Os 12 fundos receberam US$ 221,72 milhões em 2 de julho. Esse fluxo encerrou uma sequência de 10 sessões consecutivas de saídas, que havia retirado cerca de US$ 2,73 bilhões desses produtos. Em seguida, após o feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, os ETFs adicionaram US$ 265,69 milhões em 6 de julho e outros US$ 21 milhões em 7 de julho. Ao todo, o período acumulou cerca de US$ 509 milhões.

Fluxos diários dos ETFs de Bitcoin dos Estados Unidos
Fluxos diários dos ETFs de Bitcoin dos Estados Unidos desde maio.

Fonte: SoSoValue.

Com isso, o retorno da demanda ajudou o Bitcoin a recuperar parte do terreno perdido e reforçou a percepção de suporte perto de US$ 60 mil. Como os ETFs spot se tornaram um dos canais mais visíveis de demanda regulada, a mudança de retiradas persistentes para entradas consecutivas alterou o tom do curto prazo.

No entanto, três sessões positivas ainda não encerram a discussão sobre a força dessa recuperação. O movimento reduz a pressão vendedora, mas não elimina a deterioração anterior dos fluxos. Além disso, também não confirma que a compra à vista conseguirá absorver nova oferta caso o estresse retorne.

Demanda à vista ainda precisa confirmar a alta

Esse ponto importa porque o mercado não depende apenas dos ETFs. Além disso, a recuperação ainda enfrenta um ambiente de liquidez mais apertado. Esse cenário limita a margem para novos avanços se a entrada de capital perder força.

Por isso, a sustentação do preço acima de US$ 60 mil depende de continuidade. Se as entradas persistirem, o Bitcoin pode consolidar a reação. Caso contrário, o mercado pode voltar a testar regiões inferiores em um ambiente mais sensível à volatilidade.

Futuros elevam risco com mais alavancagem

Enquanto os ETFs melhoraram o suporte de curto prazo, a próxima prova para o Bitcoin está no mercado de derivativos. Dados da CoinGlass mostram que o volume de futuros de BTC subiu para cerca de US$ 78,9 bilhões em 24 horas, o maior nível em duas semanas. Ao mesmo tempo, o volume spot ficou em torno de US$ 4,36 bilhões.

O interesse em aberto também avançou cerca de US$ 3 bilhões desde 28 de junho, alcançando aproximadamente US$ 47 bilhões. Em outras palavras, operadores voltaram a assumir mais risco à medida que o Bitcoin se recupera da liquidação observada no fim de junho.

Leituras da Glassnode reforçam esse quadro. Segundo a empresa, o interesse em aberto nos futuros de BTC aumentou enquanto os pagamentos de financiamento das posições compradas chegaram a US$ 1,5 milhão. O valor ficou acima da banda estatística superior de US$ 1,3 milhão. Na prática, isso mostra que traders otimistas estão pagando mais para manter exposição comprada.

Infográfico com volume de futuros, volume spot, interesse em aberto e sinais de liquidez do Bitcoin

Fonte: dados citados de CoinGlass e Glassnode.

Esse tipo de recomposição pode prolongar a recuperação enquanto o impulso permanecer positivo. Contudo, também deixa o mercado mais vulnerável quando o preço perde força. Posições mais alavancadas costumam ampliar a necessidade de desmontagem se o custo de financiamento subir, a liquidez enfraquecer ou os fluxos dos ETFs perderem intensidade.

Exchanges e stablecoins entram no radar

A fragilidade não se limita aos derivativos. O Bitcoin ainda sai de um ajuste ocorrido em junho, quando cerca de 49 mil BTC chegaram às exchanges durante a queda. Assim, o risco de mais oferta atingir o mercado aumenta se o fôlego da alta diminuir.

Ao mesmo tempo, a oferta de stablecoins recuou para US$ 312 bilhões no segundo trimestre. Essa foi a primeira queda trimestral desde o terceiro trimestre de 2023. Como as stablecoins representam uma das principais fontes de capital para tomada de risco no mercado de criptomoedas, esse enfraquecimento reduz parte importante da sustentação da liquidez.

Em conjunto, esses sinais indicam uma recuperação ainda estruturalmente delicada. A alavancagem pode empurrar o Bitcoin para cima no curto prazo. Ainda assim, a demanda spot modesta, o aumento da oferta nas exchanges e a menor liquidez em stablecoins deixam o mercado mais exposto se a volatilidade voltar a subir.

Taxa de financiamento pode definir o próximo passo

Um dos principais termômetros para medir se a recuperação está excessivamente carregada no mercado futuro perpétuo é a taxa de financiamento. Esse mecanismo mantém os contratos perpétuos alinhados ao preço spot. Quando a taxa é positiva, normalmente indica demanda mais forte por posições compradas alavancadas. Quando é negativa, os vendidos pagam os comprados, o que costuma refletir maior peso das posições short ou da busca por proteção.

No momento da apuração, a CoinGlass mostrava a taxa de financiamento em tempo real do BTC em 0,004039%. Portanto, os traders posicionados na ponta comprada estavam pagando os vendidos no intervalo atual de financiamento.

Taxa de financiamento do Bitcoin
Taxa de financiamento do Bitcoin desde junho.

Fonte: CoinGlass.

Esse dado ganha relevância porque sobe junto com o interesse em aberto e com a atividade mais intensa em futuros. Por outro lado, o risco aumentaria se os traders continuassem pagando mais para sustentar posições compradas enquanto os fluxos dos ETFs enfraquecem ou o volume spot não acompanha.

Para que a recuperação do Bitcoin se torne mais saudável, as entradas nos ETFs precisariam persistir além dessas três sessões. Além disso, o financiamento teria de permanecer sob controle durante a recomposição do interesse em aberto. O volume à vista também precisaria assumir uma parcela maior do movimento de alta.

Se isso não ocorrer, o mercado terá menos margem para absorver frustrações. Afinal, fluxos mais fracos para ETFs, um ajuste nas taxas de financiamento ou uma nova onda de vendas forçadas poderiam atingir um ambiente em que operadores alavancados já precificaram mais força do que a demanda spot conseguiu confirmar até agora.

Em suma, os números centrais seguem claros: cerca de US$ 509 milhões entraram nos ETFs spot em três sessões, enquanto o volume de futuros de BTC alcançou aproximadamente US$ 78,9 bilhões em 24 horas. Além disso, o interesse em aberto subiu para perto de US$ 47 bilhões, a taxa de financiamento permaneceu positiva em 0,004039% e a oferta de stablecoins caiu para US$ 312 bilhões no segundo trimestre.