PepsiCo sobe após receita superar previsões no 2T26

A PepsiCo divulgou nesta quinta-feira resultados mistos para o segundo trimestre de 2026. Ainda assim, as ações da companhia, negociadas sob o ticker PEP, subiram cerca de 1% no mercado de ações. A reação veio porque a receita superou as projeções de Wall Street e a empresa manteve sua projeção anual.

A dona de marcas de bebidas e snacks registrou receita de US$ 24,18 bilhões, acima da estimativa de US$ 23,96 bilhões. Além disso, o número representou alta de 6,4% sobre os US$ 22,73 bilhões apurados no mesmo período de 2025.

O lucro por ação ajustado ficou em US$ 2,20, um centavo abaixo da projeção consensual de US$ 2,21. Mesmo assim, investidores acompanharam com mais atenção a resiliência da receita e dos volumes globais, sobretudo fora dos Estados Unidos.

Na métrica de receita orgânica, que desconsidera aquisições, desinvestimentos e câmbio, a expansão foi de 2,4%. Nesse sentido, o indicador segue relevante, pois oferece um retrato mais fiel da demanda subjacente pelos produtos da empresa.

Destaques do balanço da PepsiCo no 2T26

Receita: US$ 24,181 bilhões, ante estimativa de US$ 23,96 bilhões; alta anual de 6,4%
Lucro por ação ajustado: US$ 2,20; lucro operacional: US$ 4,02 bilhões
Foods North America: US$ 6,37 bilhões
Receita em EMEA: US$ 4,98 bilhões

Fonte: Wall St Engine no X

América do Norte pressiona margens da PepsiCo

O lucro líquido atribuível à PepsiCo somou US$ 2,98 bilhões, equivalente a US$ 2,18 por ação. Em contrapartida, no mesmo trimestre do ano passado, a companhia havia reportado US$ 1,26 bilhão, ou US$ 0,92 por ação.

O lucro operacional core avançou 4%, para US$ 4,07 bilhões. No entanto, a margem operacional core recuou 40 pontos-base, para 16,8%. Esse movimento reforçou a leitura mais cautelosa sobre a qualidade do crescimento.

Apesar do avanço consolidado, a operação na América do Norte continuou pressionando o desempenho. O volume de alimentos na região ficou estável no trimestre, enquanto o volume de bebidas caiu 4%.

O diretor financeiro Steve Schmitt reconheceu que a operação norte-americana veio mais fraca do que o esperado. Segundo ele, a empresa agora trabalha com uma recuperação mais gradual ao longo do restante de 2026.

O presidente-executivo Ramon Laguarta afirmou que os orçamentos mais apertados dos consumidores seguem como um obstáculo importante. Além disso, a companhia apontou que a alta dos preços da gasolina também afetou o consumo discricionário.

O galão chegou a US$ 4,56 no fim de maio, o maior nível em quatro anos. O movimento ocorreu em meio à volatilidade do petróleo ligada ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Dessa forma, o ambiente doméstico seguiu desafiador para categorias mais sensíveis ao bolso do consumidor.

Preços menores e reposicionamento tentam recuperar demanda

A PepsiCo já vinha tentando reagir à fraqueza em seu mercado doméstico de snacks. Em fevereiro, a empresa reduziu preços de produtos como Lay’s, Tostitos, Doritos e Cheetos em até 15%, a fim de recuperar a demanda.

Ao mesmo tempo, a companhia reposiciona marcas principais, como Gatorade e Lay’s, com o propósito de impulsionar as vendas. Contudo, a administração indicou que o progresso ainda ocorre de forma lenta.

Fora dos Estados Unidos, o cenário foi mais favorável. A empresa informou que suas divisões de alimentos na Ásia-Pacífico, franquia internacional de bebidas e região da Europa, Oriente Médio e África registraram expansão orgânica de volume.

No consolidado global, os volumes de alimentos cresceram 3%, enquanto os volumes de bebidas subiram 2%. Segundo Ramon Laguarta, esse avanço da demanda orgânica global tem sido o mais forte desde 2022.

Ele atribuiu o desempenho às operações internacionais e aos ajustes feitos no portfólio. Entre eles estão ofertas em porções controladas, inovações em bebidas funcionais e alternativas sem açúcar. Por conseguinte, a diversificação geográfica ajudou a compensar parte da pressão no mercado doméstico.

A divisão de bebidas da América do Norte também recebeu suporte de aquisições concluídas em 2025. Essas operações ajudaram a elevar a receita geral, mesmo com a demanda central ainda fraca.

Guidance para 2026 é mantido após resultado misto

Analistas da Vital Knowledge avaliaram o balanço como um relatório em grande parte dentro do esperado, embora com viés líquido negativo nos detalhes. Em outras palavras, a erosão de margem e a fraqueza na América do Norte limitaram uma reação mais forte do mercado.

A PepsiCo manteve sua projeção para o ano cheio de 2026. A companhia segue esperando crescimento de 2% a 4% na receita orgânica e avanço de 4% a 6% no lucro por ação core em moeda constante.

Considerando o efeito favorável do câmbio, o ponto médio da estimativa implica crescimento de 5% a 7% no lucro por ação core. Assim, a manutenção do guidance reforçou a percepção de que a empresa ainda enxerga estabilidade operacional no restante do ano.

Os números do trimestre mostram um quadro dividido para a PepsiCo. Por um lado, a companhia entregou receita acima do esperado, volumes globais em alta, avanço internacional mais forte e manutenção das metas anuais. Por outro lado, a América do Norte segue pressionada por consumo mais fraco, queda de 4% em bebidas e volumes estagnados em alimentos.

Esse conjunto ajuda a explicar a reação positiva, porém moderada, das ações após o balanço. Embora o lucro ajustado tenha ficado um centavo abaixo do consenso, a receita, a demanda internacional e a previsibilidade do guidance sustentaram uma leitura construtiva.