Cerebras mira 200 MW na Europa e desafia Nvidia

A Cerebras Systems avançava cerca de 7% no pré-mercado desta quinta-feira. O movimento veio após o anúncio de uma expansão relevante de computação para inteligência artificial na Europa.

Segundo o CEO Andrew Feldman, o plano envolve ampliações em grande escala, avaliadas em vários bilhões de dólares.

Cerebras Systems Inc. CBRS
Cerebras Systems Inc. (CBRS)

Capacidade europeia deve chegar a 200 MW

A empresa colocará sua primeira capacidade de data center em operação na Europa até o fim de 2026. Em seguida, pretende acelerar a construção de infraestrutura na França, na Noruega e na Finlândia.

A meta é atingir capacidade combinada de 200 MW no continente até o fim de 2027.

A Cerebras planeja construir 200 MW de capacidade de computação para IA na Europa até o fim de 2027, com a primeira etapa prevista para entrar em operação até o fim de 2026.

As expansões estão planejadas para França, Noruega e Finlândia, e parte da capacidade dará suporte a cargas de trabalho da OpenAI, segundo comunicado da empresa.

Fonte: Wall St Engine no X

Em termos de escala, o alvo é ambicioso. Afinal, instalações de nuvem em padrão hyperscale costumam consumir 100 MW ou mais. Já data centers empresariais menores geralmente operam entre 1 MW e 20 MW.

Dessa forma, a Cerebras deixa claro que mira a faixa mais alta do mercado de infraestrutura para IA.

A empresa destinará parte dessa capacidade europeia a cargas de trabalho da OpenAI, dentro de uma parceria já existente entre as duas companhias. Além disso, esse detalhe reforça o peso estratégico da expansão, já que a demanda por inferência da OpenAI segue em crescimento.

Soberania de dados impulsiona demanda

A Cerebras atribui a decisão à forte demanda de empresas, governos e instituições de pesquisa europeias. Esses compradores buscam alternativas à concentração de capacidade computacional nos Estados Unidos e na Ásia.

Nesse sentido, a soberania de dados ganhou peso central para clientes da região.

Em declaração à AFP durante o RAISE Summit, em Paris, Andrew Feldman afirmou que a procura na Europa cresce mais rápido do que a empresa consegue acompanhar no momento.

“Ao posicionar data centers em toda a Europa, acreditamos que podemos atender a todos os requisitos específicos do mercado europeu”, disse Andrew Feldman, destacando diretamente as preocupações com soberania de dados.

A Cerebras concentra sua estratégia em chips voltados para inferência de IA, etapa em que os modelos respondem aos comandos dos usuários. Ao mesmo tempo, essa frente ganhou ainda mais relevância com a expansão dos agentes de IA.

Esses sistemas exigem muito mais capacidade computacional do que consultas tradicionais.

A companhia afirma que seus chips Wafer Scale Engine 3 entregam desempenho superior ao das GPUs da Nvidia. No entanto, a Nvidia segue como a principal referência do setor.

Segundo a Nvidia, a empresa abastece mais de 90% dos projetos anunciados de fábricas de IA na Europa. Portanto, esse domínio é o alvo direto da nova ofensiva regional da Cerebras.

CBRS reage ao plano bilionário

A estreia da Cerebras na Nasdaq ocorreu em maio. Na oferta pública inicial, a companhia levantou US$ 5,5 bilhões em uma das 15 maiores aberturas de capital da história de Wall Street.

Assim, o anúncio da expansão europeia adiciona um novo catalisador a uma ação que já vinha recebendo avaliações positivas de analistas.

Atualmente, Wall Street mantém consenso de Strong Buy para CBRS, com 10 recomendações unânimes de compra. Além disso, o preço-alvo médio está em US$ 296,44.

Esse valor implica potencial de alta de 63,1% em relação aos níveis atuais.

De acordo com a empresa, os data centers europeus oferecerão infraestrutura de inferência de IA em alta velocidade. O foco está em respostas mais rápidas para cargas de trabalho complexas.

“Essas implementações nos permitirão avançar de forma decisiva no que nossos clientes vêm pedindo: computação de IA rápida, de alto desempenho e localizada na Europa”, afirmou Feldman.

Em suma, a Cerebras quer ativar sua primeira capacidade europeia até o fim de 2026. Depois disso, a empresa planeja acelerar a expansão na França, na Noruega e na Finlândia, com meta total de 200 MW até 2027.

Parte da estrutura atenderá a OpenAI, enquanto a companhia tenta ganhar espaço em um mercado europeu ainda amplamente dominado pela Nvidia.