Tesla sobe 3% após UBS elevar alvo para US$ 442
As ações da Tesla (TSLA) subiram 3,2% na quinta-feira, depois que o UBS elevou seu preço-alvo de US$ 364 para US$ 442. Ainda assim, o banco manteve a recomendação neutra para o papel.
Durante o pregão, TSLA tocou US$ 407,86 e fechou a US$ 406,55, após abrir em US$ 394,06. Assim, investidores reagiram positivamente à revisão, embora a instituição tenha preservado uma leitura cautelosa sobre a ação.
UBS mantém cautela, enquanto RBC vê alta maior
Além do UBS, o RBC Capital também revisou sua projeção para a montadora. A instituição elevou o preço-alvo de US$ 475 para US$ 500 e reiterou a recomendação de desempenho acima do mercado, ou Outperform.
De acordo com o banco, a principal tese de longo prazo segue ligada ao avanço da Tesla em inteligência artificial e direção autônoma. No entanto, Wall Street ainda mostra divisão sobre o potencial imediato das ações.
A Citizens iniciou cobertura com recomendação de desempenho em linha com o mercado, ou Market Perform. A instituição afirmou que o entusiasmo com os produtos de autonomia pode estar à frente do cronograma real de comercialização. Em outras palavras, parte do mercado enxerga valor estrutural, mas prefere esperar por entregas concretas.
Esse equilíbrio aparece no consenso atual dos analistas. No momento, a Tesla soma 21 recomendações de compra, 21 de manutenção e 4 de venda. Ao mesmo tempo, o preço-alvo médio está em US$ 406,87, praticamente em linha com o fechamento mais recente.
Entregas recordes sustentam a tese operacional
Os investidores também acompanham os fundamentos da companhia. A Tesla divulgou entregas recordes de 480.126 veículos no segundo trimestre de 2026, além de produção de 451.758 unidades.
Na China, o Model Y retomou a liderança de vendas em junho. Dessa forma, a empresa reforçou a percepção de resiliência em um mercado altamente competitivo para veículos elétricos.
Além do segmento automotivo, a frente de armazenamento de energia ganhou mais peso na narrativa de crescimento. A empresa já garantiu mais de US$ 9 bilhões em pedidos do sistema Megapack.
Com isso, a Tesla amplia sua avenida de expansão para além dos veículos elétricos. Esse fator ajuda parte dos analistas a defender múltiplos elevados, mesmo com a ação perto da média projetada por Wall Street.
Institucionais aumentam posição, mas insiders vendem
O fluxo institucional também chamou atenção nos últimos meses. A AlpenGlobal Capital LLC revelou uma nova posição em Tesla no primeiro trimestre, com a compra de 35.911 ações avaliadas em cerca de US$ 13,35 milhões.
Com essa operação, o papel passou a representar aproximadamente 8,7% da carteira da gestora. Além disso, tornou-se sua maior posição individual.
No conjunto, investidores institucionais detêm cerca de 66,2% das ações em circulação da Tesla. Outras casas também ampliaram exposição recentemente, entre elas Brighton Jones, Revolve Wealth Partners e Bison Wealth.
Por outro lado, a movimentação de insiders seguiu em direção oposta. O diretor financeiro Vaibhav Taneja vendeu 2.606 ações da Tesla em junho, a um preço médio de US$ 402,20, e reduziu sua posição em 10,57%.
Segundo a divulgação, a operação atendeu a obrigações fiscais relacionadas ao vesting de prêmios em ações. Da mesma forma, a conselheira Kathleen Wilson-Thompson vendeu 26.409 ações a US$ 378,11 no fim de abril, o que cortou sua participação em 35,3%.
Embora esse tipo de venda nem sempre indique mudança de tese, o mercado costuma monitorar essas operações com atenção. Isso ocorre, sobretudo, quando a ação negocia perto de máximas recentes.
Balanço de julho vira próximo teste para TSLA
O próximo grande catalisador para TSLA será a divulgação de resultados em 22 de julho. No primeiro trimestre, a empresa reportou lucro por ação de US$ 0,41, acima da expectativa de consenso de US$ 0,39.
Em contrapartida, a receita somou US$ 22,39 bilhões, ligeiramente abaixo dos US$ 22,96 bilhões esperados por analistas. Ainda assim, a receita avançou 15,8% na comparação anual.
Para o ano fiscal de 2026, analistas projetam lucro por ação entre US$ 1,29 e US$ 1,30. Mesmo assim, a ação continua negociada em patamares exigentes.
A relação preço/lucro gira em torno de 374, enquanto o PEG está em 14,89. Além disso, o valor de mercado alcança US$ 1,53 trilhão. Na janela de 52 semanas, o papel variou entre US$ 297,82 e US$ 498,83.
Nesse sentido, o mercado tenta equilibrar crescimento operacional e valuation. Afinal, entregas recordes, avanço em energia e potencial em direção autônoma sustentam parte do otimismo.
Contudo, o preço atual já embute expectativas elevadas. Por isso, a margem para decepções no balanço ou no cronograma de novos produtos ficou menor.
O cenário inclui ainda riscos regulatórios. Um projeto de lei em Nova Jersey pode limitar as operações de direção autônoma da empresa. Além disso, o acordo de Elon Musk com a U.S. Securities and Exchange Commission segue sob escrutínio.
Em 2 de julho, o Morgan Stanley reiterou recomendação de peso equivalente, ou Equal Weight, e preço-alvo de US$ 415 para a ação. Dessa forma, a Tesla chega à temporada de resultados perto do preço-alvo médio de Wall Street, após o UBS elevar sua projeção para US$ 442, o RBC Capital subir sua estimativa para US$ 500 e a companhia reportar entregas recordes no segundo trimestre de 2026.