Hill cobra voto do CLARITY Act no Senado em julho

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O deputado republicano French Hill, presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, ampliou a pressão para que o Senado vote o CLARITY Act ainda em julho, antes do recesso legislativo de agosto. Em entrevista à Fox Business, Hill afirmou que uma data formal pode destravar as negociações finais e acelerar um acordo sobre a proposta, que busca criar uma estrutura regulatória para o mercado de ativos digitais.

Segundo Hill, o Congresso precisa de um prazo concreto para avançar. Por isso, ele disse que incentivou a liderança do Senado a marcar a votação neste mês. Além disso, argumentou que, quando existe uma data definida, as últimas reuniões ganham intensidade. Em sua avaliação, sem essa meta, a construção de consenso perde força.

Hill também agradeceu o trabalho dos senadores Kirsten Gillibrand, Cynthia Lummis, John Boozman e Tim Scott nas tratativas. Ademais, lembrou que, há um ano, o texto que passou pela Câmara recebeu o apoio de 78 democratas. Para o deputado, esse histórico reforça o potencial bipartidário do projeto.

Hill usa calendário para acelerar acordo

O parlamentar sustenta que o CLARITY Act pode responder às críticas éticas que cercam o debate sobre regulação. De acordo com Hill, a proposta não ampliaria os questionamentos levantados por opositores. Pelo contrário, ela criaria mais transparência para operações e investimentos ligados ao setor de criptomoedas.

Críticos do projeto têm citado os empreendimentos de Donald Trump ligados ao mercado cripto, incluindo o licenciamento da memecoin $TRUMP e as vendas de tokens da World Liberty Financial. Uma divulgação financeira de 1º de julho associou essas iniciativas a cerca de US$ 1,4 bilhão em renda em 2025.

Mesmo assim, Hill argumentou que a raiz do problema está justamente na ausência de um marco regulatório claro. Em outras palavras, ele afirmou que, se o CLARITY Act tivesse avançado no verão de 2025, pontos hoje sensíveis já estariam sujeitos a regras de mercado mais transparentes. Nesse grupo, ele citou emissão de memecoin, coinvestimento, uso de exchange e investimento em exchanges.

“Se tivéssemos aprovado o CLARITY Act no verão passado, muitas das coisas que hoje geram preocupação, como emissão de memecoin, coinvestimento, uso de exchange e investimento em exchanges, estariam sob uma estrutura regulatória de mercado com clareza, e isso daria muito mais transparência às pessoas preocupadas com os investimentos da família Trump”, afirmou Hill.

Durante a mesma ofensiva pública, Hill indicou que haverá uma audiência de campo em Nova York na próxima semana. A iniciativa, citada no X, deve ampliar a defesa política do texto e mobilizar apoio antes do recesso parlamentar.

Debate regulatório ganha peso com janela curta

O calendário legislativo acrescenta urgência ao movimento. O Senado retorna em 13 de julho e terá cerca de três semanas de trabalho antes do recesso. Portanto, a janela para votação é curta. Ainda assim, Hill tenta transformar esse prazo em instrumento de pressão política.

Ao mesmo tempo, o tema segue no centro das discussões sobre ativos digitais nos Estados Unidos. Como resultado, a tramitação do CLARITY Act passou a funcionar como teste para a capacidade do Congresso de liderar a formulação de regras para o setor.

CLARITY Act e GENIUS Act formam base regulatória

French Hill enquadrou o CLARITY Act como a peça que falta para completar um sistema regulatório mais amplo ao lado do GENIUS Act, lei de stablecoins que o Congresso aprovou no ano passado. Segundo ele, uma stablecoin sem estrutura de mercado seria como um telefone celular sem conexão com a rede. Assim, o marco de mercado funcionaria como a infraestrutura necessária para o restante do sistema operar.

A audiência em Nova York deverá ficar sob condução do deputado Bryan Steil, presidente do subcomitê de ativos digitais. O objetivo, portanto, é reforçar publicamente a necessidade de aprovar uma estrutura de mercado que complemente a legislação já existente sobre stablecoins.

A fala de Hill recebeu apoio de outras vozes presentes na entrevista com Maria Bartiromo. O presidente da Commodity Futures Trading Commission, Michael Selig, alertou para um possível desvio de foco além do que considera essencial no debate. Além disso, afirmou que, se o projeto continuar parado, os reguladores acabarão definindo as regras na prática, e não o Congresso.

Já Ryan VanGrack, vice-presidente da Coinbase e ex-integrante da Securities and Exchange Commission, disse que o texto está na “linha de uma jarda”, expressão usada para indicar que a aprovação estaria muito próxima. Segundo ele, senadores democratas e republicanos trabalham sem parar para levar a proposta à linha de chegada. A avaliação de VanGrack também reforçou a leitura de apoio bipartidário.

Mercados de previsões mostram cautela

Apesar da mobilização política, os mercados de previsões passaram a refletir mais cautela sobre o avanço do projeto ainda em 2026. Na Polymarket, a probabilidade implícita de aprovação do CLARITY Act caiu para perto de 39%, abaixo dos 74% registrados no mês anterior. Dessa forma, o ambiente político combina urgência institucional e crescente incerteza entre os apostadores do mercado.

No fim, a pressão de French Hill reúne argumento político, calendário apertado e defesa de maior transparência regulatória. Além disso, ele voltou a destacar o apoio anterior de 78 democratas na Câmara, agradeceu o trabalho de Kirsten Gillibrand, Cynthia Lummis, John Boozman e Tim Scott e associou o CLARITY Act ao GENIUS Act. Para Hill, uma votação ainda em julho pode forçar as negociações finais antes do recesso de agosto.

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