Bitcoin encara CPI dos EUA com Wall Street comprando

O mercado de criptomoedas entra em uma semana decisiva para o segundo semestre. O calendário dos Estados Unidos prevê dados de inflação de junho em 14 e 15 de julho. Entre oito eventos econômicos relevantes, o índice de preços ao consumidor, o CPI, concentra a maior atenção. Afinal, o dado pode definir a direção de curto prazo do Bitcoin.

Ao mesmo tempo, o pano de fundo macroeconômico ficou mais sensível após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, romper oficialmente o Memorando de Entendimento com o Irã. Como resultado, os preços do petróleo avançaram com força e adicionaram pressão ao ambiente de risco. Nesse sentido, uma leitura do CPI acima do esperado pode virar o principal gatilho macro da semana para os ativos digitais.

Probabilidade de juros do Federal Reserve no FedWatch
Fonte: FedWatch

Origem do gráfico: FedWatch

O gráfico indica que a probabilidade de alta de juros subiu para 34,7%, ante cerca de 18% uma semana antes. Em outras palavras, o mercado passou a precificar com mais intensidade uma inflação persistente e um Federal Reserve mais duro na condução monetária.

CPI pode ditar a reação de curto prazo

Esse reposicionamento amplia a importância da leitura do CPI. Se a inflação vier novamente acima do esperado, o mercado pode reagir com nova aversão ao risco em diferentes classes de ativos. Afinal, esse comportamento apareceu recentemente.

Depois que a inflação de maio atingiu 4,3%, o maior nível em vários anos, o Bitcoin encerrou junho com queda de 20%. A retração refletiu a redução do apetite por risco entre investidores, sobretudo diante da perspectiva de juros mais altos por mais tempo.

Além disso, o mercado observa se o CPI de junho confirmará um novo ciclo de pressão inflacionária. Ainda que o dado venha em linha com as projeções, a combinação entre petróleo mais caro e política monetária rígida segue no radar. Portanto, qualquer surpresa altista pode elevar a volatilidade dos ativos digitais no curto prazo.

Wall Street amplia exposição apesar do risco macro

Enquanto a incerteza macroeconômica cresce, grandes instituições seguem ampliando exposição ao Bitcoin. O Morgan Stanley adicionou US$ 13,2 milhões em Bitcoin na última semana. Já os ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram mais US$ 197 milhões em entradas líquidas.

Além disso, Michael Saylor publicou sua conhecida imagem do ponto laranja no X. O mercado costuma associar esse sinal a uma nova compra de Bitcoin.

Gráfico do Bitcoin contra USDT
Fonte: TradingView (BTC/USDT)

Origem do gráfico: TradingView

Fluxo institucional sustenta zona técnica

Esse fluxo institucional ganha relevância quando aparece junto da estrutura técnica do ativo. O Bitcoin não conseguiu sustentar os ganhos obtidos no rali de março e abril. Depois disso, a correção entre maio e junho apagou mais de 35% desde a máxima local.

Ainda assim, em julho o ativo já acumula valorização superior a 7% e volta a testar uma zona técnica considerada importante. Dessa forma, as compras institucionais podem ajudar o Bitcoin a sustentar a recuperação recente, mesmo diante de um Federal Reserve mais duro.

Um CPI acima do esperado, porém, pode reverter rapidamente o sentimento e reativar a postura defensiva vista no episódio anterior de pressão inflacionária. No entanto, a diferença agora está no comportamento de Wall Street, que continua comprando em meio ao medo.

Se esse padrão de acumulação institucional continuar, o mercado poderá interpretar que o Bitcoin está mais resistente à pressão macroeconômica. Assim, abre-se espaço para a continuidade da tendência de alta no segundo semestre, desde que o cenário de inflação não se deteriore de forma mais intensa.

Cenários para os próximos dias

Por ora, a semana combina inflação, juros, petróleo e fluxo institucional em um mesmo ponto de tensão. Se o CPI surpreender para cima, o mercado de criptomoedas pode enfrentar nova rodada de pressão. Por outro lado, se o dado vier controlado, o avanço recente do Bitcoin poderá ganhar força, sobretudo porque a demanda institucional segue ativa.

Nesta semana, o foco do mercado está na inflação de junho nos Estados Unidos, com divulgação prevista para 14 e 15 de julho. Ao mesmo tempo, a probabilidade de alta de juros avançou para 34,7%, o Morgan Stanley comprou US$ 13,2 milhões em Bitcoin, os ETFs spot somaram US$ 197 milhões em entradas líquidas e o ativo já sobe mais de 7% em julho após uma correção superior a 35% entre maio e junho.