Bitcoin: baleias vendem 67 mil BTC, diz CryptoQuant
Carteiras de Bitcoin com saldo entre 100 e 1.000 BTC distribuíram cerca de 67 mil moedas em 13 de julho. O movimento marcou a venda mais intensa dessa coorte desde fevereiro. Ainda assim, fluxos para exchanges como Binance e Coinbase ficaram abaixo do esperado, segundo leituras on-chain da CryptoQuant.
Os dados mais recentes da CryptoQuant mostram uma divergência incomum no mercado de Bitcoin. De um lado, investidores de médio porte, frequentemente tratados como baleias, aceleraram a distribuição de moedas. Ao mesmo tempo, as principais exchanges centralizadas não receberam entrada proporcional desses BTC. Portanto, a leitura sugere vendas fora dos canais tradicionais de depósito.
Na Upbit, o indicador de netflow de Bitcoin caiu 2.004% em relação à sua linha de base recente ao longo da semana. Em outras palavras, o dado aponta forte saída líquida de moedas da corretora da Coreia do Sul, e não entrada de ativos para venda.
Distribuição contrasta com fluxo fraco nas exchanges
O ponto central da leitura de Amr Taha, colaborador da CryptoQuant, é direto. Em 13 de julho, carteiras com 100 a 1.000 BTC enviaram ao mercado aproximadamente 67.000 moedas. Assim, esse grupo registrou sua maior distribuição em quase cinco meses.
O movimento chama atenção porque essa mesma faixa de investidores havia comprado de forma agressiva em momentos anteriores. Apesar disso, a Binance recebeu cerca de 2.800 BTC no mesmo dia. O volume ficou abaixo do observado em meados de junho.
Em condições normais, uma distribuição desse porte elevaria com clareza os depósitos em exchanges. No entanto, desta vez, os endereços de entrada não refletiram o tamanho da venda.

Fonte: CryptoQuant, acumulação vs. distribuição de BTC por coorte
Esse descompasso é o ponto mais relevante do relatório. Houve distribuição expressiva por uma faixa tradicionalmente influente no mercado, mas sem inundação equivalente de BTC nas carteiras de exchanges. Além disso, a liquidez em stablecoins na Binance estaria parada, sem reação compradora significativa.
Na Coinbase Prime, os recebimentos ficaram perto de 1.690 BTC, em linha com o ritmo do fim de junho. Já a Coinbase Advanced registrou cerca de 3.170 BTC. Esse nível indica maior aquecimento, embora ainda esteja abaixo dos picos locais recentes. Portanto, mesmo somados, esses volumes seguem modestos diante da distribuição identificada.
Fevereiro serve de referência para traders
A última vez que esse mesmo grupo de carteiras vendeu com intensidade comparável ocorreu em meados de fevereiro. Na ocasião, a distribuição atingiu cerca de 47.000 BTC antes de perder força. Posteriormente, o preço do Bitcoin voltou a subir. Esse precedente agora atrai a atenção de traders.

Fonte: CryptoQuant, estrutura de inflow de BTC em exchanges por investidores médios
Mudança de postura supera 159 mil BTC
O contraste com o comportamento anterior dessa coorte é marcante. Em 25 de abril, essas mesmas carteiras acumulavam Bitcoin de forma agressiva, com mais de 92.000 moedas absorvidas em um único movimento. Segundo Amr Taha, aquela compra intensa também apareceu perto de topos locais de preço em janeiro. Ainda assim, para o analista, o dado atual não representa necessariamente sinal de fundo. Ele indica, antes de tudo, uma mudança clara de postura.
Uma segunda leitura da CryptoQuant, assinada por CryptoOnchain, descreve a semana como um êxodo global do mercado spot. De acordo com essa análise, o netflow agregado das exchanges recuou 172% em relação à linha de base dos sete dias anteriores. Na Coinbase, a queda chegou a 434%.
Quando se compara o pico de acumulação de abril com o fundo de distribuição de julho, a oscilação total dessa faixa de investidores supera 159.000 BTC. Dessa forma, o movimento recente ganha peso e pode refletir uma reconfiguração importante da oferta disponível no mercado.
Escassez spot encontra liquidez mais fraca
Mesmo com a redução das reservas em exchanges, o preço ainda não respondeu de forma proporcional a essa escassez. Na visão de CryptoOnchain, isso ocorre porque a própria liquidez está sendo drenada. O estudo aponta que a oferta de stablecoins estaria encolhendo em ritmo estrutural. Enquanto isso, os netflows dessas moedas permanecem, em média, negativos em US$ 169 milhões.
Em outras palavras, o poder de compra encolhe mais rápido do que o Bitcoin sai das plataformas. Assim, o analista descreve esse cenário como uma mola comprimida. A combinação entre reservas menores de Bitcoin nas exchanges e contração da liquidez fiduciária cria um mercado mais apertado e menos líquido. Nesse contexto, uma eventual retomada na emissão de stablecoins pode amplificar o próximo movimento direcional, seja ele qual for.

Fonte: CryptoQuant, escassez spot de Bitcoin e queima de stablecoins
No conjunto, as duas leituras da CryptoQuant não confirmam a formação de um fundo de mercado. O episódio de fevereiro levou semanas para se desenrolar, e o atual é maior em volume. Em 13 de julho, a Binance recebeu menos de 3.000 BTC, enquanto carteiras com 100 a 1.000 BTC distribuíram cerca de 67.000 moedas. Ao mesmo tempo, a Upbit registrou netflow de Bitcoin 2.004% abaixo da base recente. O fluxo agregado das exchanges caiu 172%, com a Coinbase marcando retração de 434%.