AppLovin cai 13% após alerta do BofA no e-commerce
As ações da AppLovin Corporation caíram 13% na segunda-feira e foram negociadas na faixa de US$ 442 a US$ 452. Com isso, o papel ficou entre os piores desempenhos do S&P 500 no pregão. Além disso, acumulou cinco sessões consecutivas de perdas, com recuo de 18,56% no período.
O movimento ganhou força após uma nova nota de pesquisa do Bank of America, assinada pelo analista Omar Dessouky. O relatório apontou sinais de desaceleração na divisão de publicidade para e-commerce da AppLovin. Dessa forma, investidores elevaram a cautela em um momento decisivo para a tese de crescimento da companhia.
Desaceleração no e-commerce pesa sobre APP
Com base em dados de monitoramento da Store Leads, Omar Dessouky afirmou que a AppLovin adicionou cerca de 750 novos pixels em junho. Em maio, por outro lado, esse número havia sido de 950. Embora a base total de comerciantes tenha alcançado aproximadamente 8.300, os dados semanais não indicaram aceleração relevante desde 22 de junho. Naquela data, a plataforma passou a ficar disponível para todos os anunciantes de e-commerce.
Segundo a análise, tanto as instalações quanto as remoções de pixels avançaram nos primeiros sete dias após a abertura ampla da plataforma. Esse comportamento sugere que muitos anunciantes ainda testam a tecnologia antes de ampliar investimentos. Ainda assim, Dessouky ressaltou que há apenas duas semanas de dados, o que impede uma leitura definitiva sobre a tendência de adoção.
O analista também destacou que os primeiros usuários em teste provavelmente ainda não geraram contribuição relevante de receita para a companhia. Ao mesmo tempo, a AppLovin tenta ampliar seu alcance entre lojistas menores, que antes não faziam parte do grupo elegível para a oferta.
Para isso, a empresa iniciou campanhas de visibilidade de marca no YouTube e nas plataformas da Meta. Além disso, lançou uma oferta de geração de leads voltada para segmentos premium, como seguros e serviços residenciais. Esses mercados, por sua vez, costumam depender de Google e Meta para aquisição de clientes.
Na avaliação de Dessouky, o setor de seguros chama atenção pelo alto valor de vida útil do cliente. Nesse sentido, os custos de aquisição podem ficar em torno de cinco vezes acima dos investimentos vistos em jogos mobile. Portanto, caso a adoção da plataforma avance, o potencial de monetização pode crescer de forma relevante.
Bank of America mantém compra, mas corta estimativas
Apesar da cautela no curto prazo, Omar Dessouky manteve recomendação de compra para as ações da AppLovin e preservou o preço-alvo de US$ 705. Ainda assim, revisou para baixo suas estimativas financeiras para os próximos anos, refletindo um ritmo mais lento de expansão na vertical de e-commerce.
A projeção de receita para 2026 caiu em US$ 130 milhões. Agora, o analista espera que a companhia encerre o ano com 15.000 anunciantes em disponibilidade geral, abaixo da previsão anterior de 20.000. Já a estimativa para 2027 sofreu corte de US$ 255 milhões, embora o modelo ainda projete 55.000 anunciantes até o fim daquele ano.
Mesmo com a revisão, Dessouky classificou a avaliação atual da AppLovin como razoável em 17 vezes o EBITDA de 2027. Além disso, observou que a operação de games ainda pode entregar crescimento anual superior a 20%. No entanto, alertou que os ventos contrários no curto prazo podem persistir até que surjam sinais mais claros de adoção no e-commerce.
Em paralelo, o desempenho negativo de APP ocorreu em um pregão marcado por fraqueza mais ampla nos mercados. O Nasdaq caiu 1,55%, enquanto o S&P 500 recuou 0,79% e o Dow Jones perdeu 0,26%. Isso aconteceu em meio à reação dos investidores ao aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.
Resultados do segundo trimestre entram no radar
A AppLovin divulgará seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 em 5 de agosto. A administração projetou receita entre US$ 1,915 bilhão e US$ 1,945 bilhão. Em outras palavras, a faixa indica expansão anual de 52% a 54% frente aos US$ 1,259 bilhão reportados no segundo trimestre de 2025.
A orientação para EBITDA ajustado ficou entre US$ 1,615 bilhão e US$ 1,645 bilhão. Assim, a empresa sinaliza crescimento anual de 58,6% a 61,6%, números que ainda sustentam uma visão construtiva sobre a rentabilidade do negócio.
Mesmo após a volatilidade recente, o sentimento de Wall Street segue majoritariamente positivo. O consenso da TipRanks mantém a ação com classificação Strong Buy, apoiada por 20 recomendações de compra e uma de manutenção. O preço-alvo médio de US$ 666,32 implica potencial de valorização de aproximadamente 50% em relação aos níveis atuais de negociação.
Queda reflete espera por sinais mais claros
Em suma, o quadro combina a queda de 13%, a redução nas projeções de receita do Bank of America e a desaceleração na adição de pixels em junho. Também inclui a base total de cerca de 8.300 comerciantes e a expectativa pelos resultados de 5 de agosto. Desse modo, o próximo balanço deve ajudar o mercado a medir o avanço da estratégia de e-commerce da AppLovin e a capacidade da empresa de transformar testes em receita recorrente.