SpaceX cai 40% com lockup, China e compra da ARK

As ações da Space Exploration Technologies Corp. (SPCX), conhecida como SpaceX, acumulam forte correção desde o pico de 16 de junho. Depois de atingir US$ 225,64, o papel caiu cerca de 40% e encerrou a segunda-feira a US$ 139,14. Assim, a cotação voltou para perto do preço do IPO, fixado em US$ 135 em 11 de junho.

Na estreia em bolsa, o mercado reagiu com forte entusiasmo. Em menos de 24 horas após o IPO, a ação avançou para US$ 150. Em seguida, continuou subindo até a máxima de meados de junho. No entanto, a perda de fôlego passou a dominar o movimento recente.

Na mínima intradiária de segunda-feira, o ativo tocou US$ 136,78. Dessa forma, o mercado ficou perto de testar uma quebra abaixo do nível inicial da oferta pública. No pré-mercado de terça-feira, o papel ainda recuava 0,4%, para US$ 138,61.

Apesar da correção, parte relevante de Wall Street mantém uma visão positiva sobre a companhia. Entre os analistas acompanhados pelo mercado, 80% mantêm recomendação de compra para a ação. Esse percentual fica bem acima do consenso típico do S&P 500, que costuma variar entre 55% e 60%.

Além disso, o preço-alvo médio gira em torno de US$ 240. Esse cenário implicaria uma capitalização de mercado próxima de US$ 3,2 trilhões. Ainda assim, o otimismo não interrompeu a pressão vendedora. Na terça-feira, a Evercore ISI iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 230. Porém, a reação do mercado permaneceu limitada.

Concorrência chinesa e fim do lockup elevam cautela

Um dos fatores que mais chamaram a atenção dos investidores veio da China. Em 10 de julho, o país demonstrou a recuperação bem-sucedida de um propulsor Long March. O teste usou um sistema de cabos em uma embarcação.

Com efeito, o avanço reforçou temores competitivos em um segmento no qual a SpaceX vinha sendo tratada como líder incontestável. A tese de investimento na companhia sempre dependeu, acima de tudo, da vantagem tecnológica na reutilização de foguetes.

Por isso, qualquer sinal de aproximação de concorrentes tende a afetar rapidamente a percepção de valor da empresa. Embora a escala operacional e a execução da SpaceX ainda sejam superiores, o teste chinês sugeriu ao mercado uma vantagem menos isolada.

Ao mesmo tempo, uma questão técnica ligada à estrutura acionária também pesa sobre o papel. O primeiro resultado trimestral da empresa como companhia aberta deve sair em meados de agosto. Depois disso, cerca de 20% das ações em circulação deixarão de ficar sujeitas ao período de lockup.

Na prática, isso libera um volume relevante de papéis para negociação. Como resultado, cresce a oferta potencial no mercado. Esse tipo de evento costuma levar investidores a reduzir exposição antes da data. Afinal, muitos antecipam uma pressão adicional de venda.

Outro ponto central envolve o valuation. A empresa sustenta valor de mercado na faixa de US$ 1,8 trilhão, apesar de não haver expectativa de lucratividade neste ano. Pelas estimativas mencionadas, a SpaceX negocia perto de 50 vezes a receita projetada para 2026.

Em outras palavras, trata-se de um múltiplo elevado até mesmo para um negócio com forte crescimento esperado. Nesse contexto, o mercado passou a pesar com mais rigor a combinação entre risco técnico, competição e prêmio de valuation.

ARK Invest amplia posição durante a queda

Enquanto parte do mercado reduziu posição, a ARK Invest, gestora comandada por Cathie Wood, adotou a estratégia oposta. Na segunda-feira, a empresa comprou 130.241 ações da SPCX, equivalentes a aproximadamente US$ 21,3 milhões.

As compras ficaram distribuídas entre os fundos ARKK, ARKQ e ARKW. Além disso, o movimento veio logo após outra rodada de aquisições na semana anterior. Na ocasião, a gestora já havia acumulado cerca de US$ 52 milhões em ações da companhia.

As aquisições, contudo, ainda não mudaram a tendência de curto prazo. A análise técnica citada no texto aponta deterioração de momentum, com o indicador MACD em sinal de baixa. Além disso, a faixa de US$ 145 passou a funcionar como nova zona de resistência.

Antes, esse mesmo nível atuava como suporte. Portanto, a inversão recebe atenção especial dos operadores, porque sugere perda de força compradora. Em termos gráficos, um fechamento consistente abaixo de US$ 135 teria peso simbólico e técnico.

Afinal, esse movimento representaria a perda do preço do IPO. Ao mesmo tempo, poderia sinalizar uma ruptura importante da estrutura formada desde a estreia em bolsa. Por isso, o mercado acompanha esse patamar como um nível psicológico decisivo para a ação.

O contraste entre a convicção dos analistas e a queda recente explica por que a SpaceX se tornou um dos casos mais observados do mercado. De um lado, seguem presentes projeções agressivas de valorização e a aposta de investidores como Cathie Wood.

Por outro lado, pesam a realização após a disparada inicial, a futura liberação de ações, o valuation esticado e os sinais de maior concorrência. Na manhã de terça-feira, a ação era negociada a US$ 138,61. Assim, os investidores seguem atentos à resistência em US$ 145, ao piso de US$ 135 do IPO e à liberação de 20% das ações após os resultados de agosto.