Bitcoin tem alívio com US$ 197 mi em ETFs
O Bitcoin atravessou o primeiro semestre de 2026 sob forte pressão. Depois de tocar US$ 96 mil em janeiro, o ativo caiu para US$ 62,7 mil no momento do levantamento. Portanto, o mercado enfrentou meses de fraqueza, mesmo com repiques pontuais.
Nas últimas semanas, porém, parte do estresse perdeu força. Ainda assim, o cenário segue cauteloso, já que os sinais de recuperação ainda parecem iniciais. Em outras palavras, o segundo semestre começou com alívio, mas sem confirmação de reversão ampla.
ETFs de Bitcoin voltam a atrair capital
Um dos principais vetores dessa melhora veio dos fundos negociados em bolsa, os ETFs. Os produtos de criptomoedas somaram US$ 281,8 milhões em fluxo positivo. Assim, o setor registrou a primeira entrada líquida semanal desde a segunda semana de maio.
Desse total, produtos ligados ao Bitcoin receberam US$ 197,4 milhões. Além disso, fundos de Ethereum captaram US$ 84,4 milhões. Dessa forma, o movimento encerrou uma sequência de oito semanas de saídas, período em que investidores retiraram mais de US$ 7 bilhões dos ETFs de criptomoedas.

Apesar da melhora, o quadro mais amplo ainda exige prudência. Os fluxos acumulados em 12 meses caíram para cerca de US$ 1 bilhão. Em contraste, o pico havia alcançado US$ 12 bilhões em outubro de 2025, além de US$ 10 bilhões no fim de abril.
Esse recuo sugere que compradores podem estar retornando após dois meses especialmente duros. No entanto, ainda não há confirmação de fundo. Por enquanto, o dado mais relevante está na aparente estabilização dos fluxos nas duas primeiras semanas de julho.
Entradas melhoram, mas não apagam a sangria
Uma única semana forte de captação não compensa, por si só, a perda anterior. Afinal, o mercado ainda absorve os efeitos das retiradas bilionárias dos últimos meses. Assim sendo, a reação recente melhora o sentimento, mas não elimina a fragilidade da estrutura de preços.
Oriente Médio e juros altos limitaram o preço
Entre os fatores que mais pesaram sobre o Bitcoin no primeiro semestre esteve o conflito no Oriente Médio. Esse ambiente sustentou o viés de baixa por vários meses. Já no início do segundo semestre de 2026, entretanto, a percepção passou a indicar alguma estabilização.
Mesmo com o petróleo avançando mais de 5% em direção à resistência de US$ 75, o Bitcoin mostrou resiliência comparativa. Ainda assim, a pressão macroeconômica não desapareceu. Isso ficou evidente depois que o presidente Donald Trump abandonou o cessar-fogo com o Irã, reacendendo a incerteza global.
Ao mesmo tempo, a política monetária continuou como obstáculo. O Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% até meados de 2026. Além disso, sinalizou que não tem pressa para iniciar cortes, já que a inflação permanece acima da meta.
Para ativos de risco, como criptomoedas, esse ambiente tende a reduzir o apetite dos investidores. Portanto, a manutenção dos juros elevados dificulta uma recuperação mais consistente. Em resumo, o Bitcoin ganhou fôlego, mas ainda opera sob forte influência do cenário macro.
Venda da Strategy adiciona cautela
Em julho, outro elemento pesou sobre o sentimento. A Strategy vendeu 3.588 BTC, equivalentes a cerca de US$ 216 milhões, para pagar dividendos de ações preferenciais. Com isso, a redução nas reservas de Bitcoin da empresa chamou atenção e reforçou uma postura mais defensiva entre investidores.
Segurança e RWAs influenciam o segundo semestre
O mercado também enfrentou mais incidentes de segurança em blockchains. A SlowMist contabilizou 182 ocorrências, alta de cerca de 50% na comparação anual. Ainda que o número de eventos tenha avançado, as perdas financeiras recuaram aproximadamente 60%, para cerca de US$ 956 milhões, ante US$ 2,37 bilhões no mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, os ativos do mundo real, conhecidos como RWAs, trouxeram um contraponto mais construtivo. A capitalização total desse mercado superou US$ 33 bilhões. Isso representa crescimento anual de 200% e expansão de quase 20 vezes desde janeiro de 2024.

Segundo o relatório da Birdeye Research para o primeiro semestre de 2026, o avanço dos RWAs superou com folga o crescimento de 2,4 vezes visto entre as stablecoins no mesmo intervalo. Dessa maneira, o dado não elimina os riscos do mercado, mas mostra áreas de expansão estrutural dentro do setor.
Índice de Medo e Ganância ainda pede prudência
Apesar da melhora recente nos fluxos, a leitura predominante segue defensiva. Essa percepção também aparecia no Índice de Medo e Ganância, que permanecia na zona de medo extremo no momento do levantamento.

Como resultado, o segundo semestre de 2026 começou com sinais iniciais de alívio para o Bitcoin e para o mercado de criptomoedas. Contudo, as saídas de US$ 7 bilhões dos ETFs, os juros entre 3,50% e 3,75%, os 182 incidentes registrados pela SlowMist, a venda de 3.588 BTC pela Strategy e o medo extremo no Índice de Medo e Ganância indicam que a recuperação ainda precisa de confirmação.