Bitcoin supera US$ 65 mil após inflação dos EUA cair

O Bitcoin superou US$ 65 mil ontem (14), após a inflação dos Estados Unidos desacelerar mais que o esperado em junho. Assim, operadores reduziram o temor de uma alta imediata de juros pelo Federal Reserve ainda neste mês.

Durante a sessão, o BTC tocou US$ 65.100 e acumulou ganho diário superior a 4%. Além disso, o avanço favoreceu ativos mais sensíveis ao custo do dinheiro, já que uma inflação menor tende a aliviar a pressão por aperto monetário.

CPI mais fraco reduz pressão sobre os juros

O Bureau of Labor Statistics informou que o Índice de Preços ao Consumidor caiu 0,4% em junho. Foi a maior queda mensal desde abril de 2020, acima da projeção de economistas, que esperavam recuo de 0,2%.

Na comparação anual, a inflação desacelerou para 3,5%, ante 4,2% em maio. Em outras palavras, o dado mostrou perda de força relevante após a inflação atingir, no mês anterior, o maior nível em três anos.

A queda dos custos de energia explicou boa parte do alívio. Os preços da gasolina recuaram mais de 9% em junho e, dessa forma, compensaram aumentos moderados em alimentos e moradia.

Com efeito, a leitura mais fraca sustentou o apetite por risco no mercado de criptomoedas. Afinal, juros altos costumam pressionar ativos voláteis, ao passo que sinais de alívio monetário favorecem Bitcoin e outras criptomoedas.

Ether avança mais que o Bitcoin no dia

O Ether, criptomoeda nativa da rede Ethereum, teve desempenho ainda mais forte no mesmo intervalo. O ativo subiu quase 7% e era negociado perto de US$ 1.895.

Ao mesmo tempo, a alta conjunta de Bitcoin e Ether reforçou a leitura de que o Federal Reserve pode agir com menos agressividade. Ainda assim, investidores seguem atentos à energia e ao cenário geopolítico.

AtivoVariação diáriaPreço atual
Bitcoin (BTC)+4%US$ 65.100
Ether (ETH)+7%US$ 1.895

FedWatch aponta menor risco de alta imediata

Dados do CME FedWatch indicaram maior probabilidade de manutenção da taxa de juros na faixa entre 3,5% e 3,75% na reunião deste mês. No entanto, parte relevante do mercado ainda espera que o banco central avalie uma alta de 25 pontos-base em setembro.

Anteriormente, declarações de Warsh sobre o Federal Reserve apontavam para uma política monetária mais dura, mesmo diante de dados recentes. Entretanto, a nova leitura da inflação reduziu parte da urgência por uma resposta imediata do banco central.

Durante a primavera no hemisfério norte, a alta da energia, impulsionada por tensões entre Estados Unidos e Irã, manteve a inflação pressionada. Nesse sentido, autoridades militares dos Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira que preparavam medidas para restabelecer um bloqueio a portos iranianos, após ataques perto do Estreito de Ormuz.

Por isso, o pano de fundo geopolítico segue no radar. Caso os preços de energia voltem a subir, a inflação pode ganhar força novamente e pressionar o apetite por ativos de maior risco.

Risco energético ainda limita o otimismo

Em suma, Bitcoin e Ether avançaram enquanto o CPI de junho caiu 0,4%, a inflação anual recuou para 3,5% e cresceram as apostas de juros estáveis entre 3,5% e 3,75%. Mesmo assim, o mercado acompanha o risco de nova pressão energética ligada às tensões no Estreito de Ormuz.