NYDIG vê risco de Bitcoin a US$ 38 mil até outubro

O Bitcoin perdeu força frente a outros ativos de risco em 2026. Para a NYDIG, a criptomoeda ainda pode testar a faixa de US$ 38 mil a US$ 39 mil até outubro.

A análise atribui a pressão não apenas ao menor apetite por risco. Acima de tudo, ela aponta fatores ligados à oferta do ativo e ao comportamento visto em ciclos anteriores.

Segundo o relatório, se o padrão de outros mercados baixistas voltar a prevalecer, o preço pode encontrar um fundo próximo dessa região nos próximos meses. Assim, a projeção recoloca a tese do ciclo de quatro anos no centro do debate entre analistas do mercado de criptomoedas.

Descolamento das ações de tecnologia pesa no ciclo

Em ciclos anteriores, o Bitcoin acompanhou com mais proximidade as ações de tecnologia dos Estados Unidos. Em 2026, contudo, essa correlação enfraqueceu. Enquanto papéis ligados à inteligência artificial avançaram com força, o Bitcoin acumulou perdas relevantes.

No momento da publicação da análise, o Bitcoin estava em US$ 64.809. Esse nível representava queda de quase 30% no ano. Além disso, indicava recuo próximo de 50% em relação ao topo de US$ 126.080, registrado em outubro de 2025.

A NYDIG destacou que a correção de 2026 reacendeu as discussões sobre o ciclo de mercado de quatro anos. De fato, a empresa identificou semelhanças com os períodos de baixa de 2014, 2018 e 2022. Embora a trajetória atual não repita exatamente os mesmos movimentos, a estrutura e o timing da queda sustentam paralelos consistentes.

Na avaliação da companhia, o Bitcoin teve o pior desempenho entre as principais classes de ativos acompanhadas no estudo. Portanto, ficou atrás dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, da prata e até de moedas fiduciárias relevantes, como o franco suíço.

AtivoDesempenho em 2026Moeda de referência
Bitcoin-30%USD
Ações de tecnologia ligadas à IAGanhos expressivosUSD
Títulos do Tesouro dos EUASuperaram o BitcoinUSD
Franco suíçoSuperou o BitcoinCHF
PrataSuperou o BitcoinUSD

Ciclo de quatro anos volta ao radar

O relatório pondera que uma queda adicional para a região de US$ 38 mil a US$ 39 mil não pode ser descartada. Ainda assim, a NYDIG observou que a volatilidade ficou em mínimas históricas em 2025. Dessa forma, esse fator pode indicar uma correção menos intensa do que as vistas em mercados de baixa mais antigos.

A pesquisa da NYDIG afirmou que a recente desvalorização do Bitcoin está “trazendo de volta o foco para a narrativa do ciclo de quatro anos, porque o timing e a estrutura se parecem cada vez mais com os anos de reinicialização anteriores de 2014, 2018 e 2022, embora o caminho não tenha reproduzido exatamente aquelas quedas”.

Correlação com ouro e regulação entram no foco

Outro ponto relevante foi o aumento da correlação entre Bitcoin e ouro no segundo trimestre de 2026. Segundo a NYDIG, os dois ativos passaram por movimentos de venda coordenados. Nesse sentido, a leitura sugere uma mudança no comportamento dos investidores.

Historicamente, o Bitcoin costuma receber a comparação com o ouro, como uma forma de “ouro digital”. No entanto, em 2025, sua relação com as ações de tecnologia dos Estados Unidos havia sido mais forte.

A NYDIG também observou que outras commodities recuaram no segundo trimestre. Ao mesmo tempo, a estratégia de proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias perdeu força. Como resultado, ativos geralmente usados para proteção patrimonial não conseguiram sustentar uma recuperação no período.

Minidicionário: o CLARITY Act é uma proposta legislativa voltada à criação de regras mais claras para a estrutura do mercado de ativos digitais nos Estados Unidos. Sua aprovação é vista como um evento com potencial de transformação para o Bitcoin e para o mercado mais amplo de criptomoedas.

Em relatório separado, a gestora de ativos digitais Bitwise afirmou que o Bitcoin encerrou o segundo trimestre de 2026 em sua queda mais profunda e mais longa desde o último mercado de baixa. Ainda assim, a empresa avalia que uma legislação mais favorável ao setor e a melhora dos fundamentos da indústria podem atuar como catalisadores de recuperação.

CLARITY Act pode beneficiar a indústria cripto

A NYDIG ressaltou ainda que a aprovação do CLARITY Act representaria um avanço importante para o setor de ativos digitais nos Estados Unidos. Segundo a análise, o efeito imediato sobre preços tende a ser mais relevante para altcoins e ações de empresas expostas ao mercado cripto. No entanto, maior clareza regulatória deve beneficiar toda a indústria, inclusive o Bitcoin.

O relatório da NYDIG destacou: “Para o Bitcoin, o impacto direto do CLARITY sobre o preço é menos significativo do que para altcoins e ações do setor cripto, mas a implicação para investimentos segue sendo material, porque um regime mais claro de estrutura de mercado nos Estados Unidos beneficiaria toda a indústria”.

Em suma, a leitura da NYDIG combina dois vetores centrais. De um lado, o Bitcoin acumula queda de quase 30% em 2026 e permanece cerca de 50% abaixo do topo de US$ 126.080 de outubro de 2025. Por outro, mudanças regulatórias podem criar um ambiente mais favorável para o setor. Ainda assim, a projeção de fundo de ciclo na faixa de US$ 38 mil até outubro segue no radar dos investidores.