Bitcoin: holders têm recorde de 16,34 mi BTC
Investidores de longo prazo de Bitcoin acumularam cerca de 371 mil BTC nos últimos 30 dias. Com isso, esse grupo passou a deter 16,34 milhões de BTC, o maior volume já registrado, segundo a análise on-chain mais recente de Axel Adler Jr.
Segundo o analista, a tendência de acumulação segue ativa desde meados de janeiro. Além disso, a leitura indica uma migração de oferta. Parte das moedas saiu das mãos de traders de curto prazo e foi para carteiras com horizonte mais longo. Dessa forma, menos BTC fica disponível para negociação imediata.
Oferta de longo prazo reduz liquidez do Bitcoin
Os números citados por Adler mostram que a oferta de Bitcoin nas mãos dos holders de longo prazo, conhecidos pela sigla LTH, avançou 2,32% no último mês. Assim, o indicador de oferta desse grupo alcançou novo recorde histórico. Ao mesmo tempo, a métrica permaneceu em território positivo por 186 dias consecutivos.
No mesmo intervalo, porém, o preço do Bitcoin caiu de US$ 65.700 para US$ 63.800. Na comparação anual citada na análise, a correção foi ainda maior. A cotação recuou de US$ 118.600 para os atuais US$ 63.800. Ainda assim, a acumulação persistiu mesmo com a perda de força no preço.
Na avaliação de Axel Adler Jr., esse comportamento mostra uma transferência gradual de moedas para investidores mais convictos. Em outras palavras, o mercado enfrenta uma restrição de oferta. Contudo, ainda falta demanda suficiente para sustentar uma recuperação mais forte.
Adler argumenta que o crescimento da oferta nas mãos dos holders de longo prazo confirma uma acumulação persistente. No entanto, esse movimento ainda não impulsionou uma recuperação de preços, já que a demanda geral continua fraca.
A metodologia acompanhada por plataformas de análise como a Glassnode costuma tratar o avanço da oferta em carteiras de longo prazo como um fator de redução da liquidez circulante. Entretanto, esse efeito tende a ganhar relevância apenas quando novos compradores entram no mercado.
Queda no preço contrasta com retirada de oferta
Esse contraste define o momento atual do Bitcoin. Por um lado, a redução da oferta negociável limita a pressão vendedora. Por outro, a demanda segue fraca e impede uma reversão mais convincente na cotação.
Além disso, ciclos anteriores já mostraram padrão semelhante. Em geral, holders de longo prazo acumulavam de forma silenciosa enquanto os preços consolidavam ou recuavam. Posteriormente, o mercado retomava força quando varejo, instituições ou um ambiente macroeconômico mais favorável voltavam a estimular compras.
CDD indica atividade moderada de moedas antigas
A análise também destacou o indicador Dias de Moeda Destruídos, conhecido pela sigla CDD. A saber, essa métrica mede a atividade de gasto de moedas antigas da rede Bitcoin. Nos últimos 30 dias, o CDD ficou em 313 milhões de dias de moeda.
Esse nível permanece bem abaixo da média anual de 450 milhões. Além disso, continua distante dos 899 milhões registrados no ano anterior. Portanto, os dados ainda não apontam pressão vendedora relevante por parte dos investidores de longo prazo.
Embora o CDD tenha subido 63% desde a mínima registrada em março e avance 21% no acumulado mensal, Adler afirmou que o movimento ainda é moderado. Segundo ele, apenas uma alta sustentada acima da média anual do CDD indicaria um retorno mais claro da atividade dessas moedas antigas.
Minidicionário: CDD é uma métrica do Bitcoin que multiplica a quantidade de BTC movimentada pelo número de dias desde a última movimentação dessas moedas. Assim, o indicador oferece pistas sobre o comportamento de gasto dos holders de longo prazo.
Leitura do CDD afasta pressão vendedora forte
Na prática, o CDD atual sugere que carteiras antigas seguem relativamente inativas. Ou seja, mesmo com alguma elevação recente, holders de longo prazo ainda não mostram disposição ampla para distribuir moedas no mercado aberto.
Com efeito, esse dado reforça a tese central da análise. A oferta está mais apertada, mas a procura ainda não responde na mesma intensidade. Nesse sentido, o mercado continua em compasso de espera.
Demanda fraca limita recuperação do Bitcoin
Apesar da acumulação contínua, o preço do Bitcoin segue sem força para iniciar uma recuperação mais consistente. Adler observou que a menor pressão de venda ajuda a reduzir a oferta disponível. Contudo, esse fator sozinho não cria força compradora suficiente para empurrar os preços para cima.
Na leitura do analista, a oferta acumulada funciona mais como uma camada de proteção para o mercado do que como gatilho imediato de valorização. Afinal, uma alta sustentável depende de entrada nova de capital e de melhora mais ampla no apetite por risco.
Os holders de longo prazo continuam retirando Bitcoin de circulação. Porém, sem avanço da demanda ou retorno da estabilidade de preços, essa oferta acumulada tende a funcionar mais como uma rede de proteção para o mercado do que como gatilho para ganhos imediatos.
Outro ponto citado na análise envolve o interesse em aberto dos contratos futuros de Bitcoin nas principais exchanges centralizadas. Esse indicador segue muito abaixo das máximas históricas vistas no pico do mercado em 2025. Desse modo, traders ainda não retornaram em massa para buscar risco ou alavancagem.
Em resumo, os dados mostram 16,34 milhões de BTC nas mãos de holders de longo prazo, preço do Bitcoin em US$ 63.800 e CDD de 313 milhões de dias de moeda nos últimos 30 dias. Ao mesmo tempo, a média anual de 450 milhões e a leitura de 899 milhões do ano anterior indicam que a atividade das moedas antigas ainda permanece contida.