Metaplanet passa Coinbase com 10.000 Bitcoin

Metaplanet alcança 10.000 BTC em tesouraria

A japonesa Metaplanet ultrapassou a Coinbase e assumiu a sétima posição entre as empresas de capital aberto com mais Bitcoin em tesouraria. Na segunda-feira, a companhia anunciou a compra de 1.112 BTC por 16,88 bilhões de ienes, cerca de US$ 117 milhões nas cotações atuais. Com isso, suas reservas chegaram a 10.000 BTC, acima dos 9.267 BTC mantidos pela Coinbase.

Além do volume, a velocidade da acumulação chamou atenção. Há apenas duas semanas, a Metaplanet havia alcançado a oitava colocação nesse ranking. Agora, a ultrapassagem sobre uma das maiores exchanges do mercado de criptomoedas reforça a execução de uma estratégia deliberada de expansão de caixa em Bitcoin.

A empresa informou que o preço médio de aquisição da posição total está em US$ 96.400 por Bitcoin. Esse nível supera boa parte da história de negociação do ativo. Ainda assim, permanece abaixo da faixa psicológica de US$ 100.000, ponto que o mercado acompanha de perto.

Ademais, a meta da companhia vai muito além da compra mais recente. A administração declarou publicamente o objetivo de deter 210.000 BTC até o fim de 2027. Se cumprir esse plano, a Metaplanet multiplicará sua posição atual por 21 vezes e entrará em um grupo restrito de grandes detentores globais do ativo.

Captação amplia a estratégia de compras

Para financiar novas aquisições, o conselho da Metaplanet aprovou a emissão de US$ 210 milhões em títulos sem juros. A companhia pretende direcionar todo o montante a compras adicionais de Bitcoin. Assim, a empresa repete uma estrutura que o mercado já associa à Strategy, companhia cofundada por Michael Saylor.

Ao longo dos últimos anos, a Strategy recorreu a dívida conversível e a outros instrumentos financeiros para ampliar agressivamente sua exposição ao BTC. Nesse sentido, a Metaplanet adapta a mesma lógica ao mercado japonês. Como resultado, a tese de tesouraria corporativa em Bitcoin ganha escala fora da América do Norte.

Modelo de tesouraria em Bitcoin avança no Japão

O movimento da Metaplanet fortalece o modelo popularizado por Michael Saylor desde agosto de 2020, quando a Strategy realizou sua primeira grande compra de Bitcoin. Desde então, Saylor se consolidou como um dos principais defensores do ativo como reserva corporativa de longo prazo. Além disso, ele já afirmou que sua empresa pretende seguir comprando BTC mesmo em meio a tensões geopolíticas e pressão nos mercados financeiros.

Essa leitura trata o Bitcoin menos como uma aposta especulativa e mais como um ativo de reserva. Em outras palavras, empresas alinhadas a essa tese enxergam o BTC como uma alternativa de proteção patrimonial em horizontes mais longos. Embora o preço oscile no curto prazo, o foco permanece na escassez do ativo e no potencial de valorização ao longo dos ciclos.

O caso da Metaplanet também importa pelo contexto regional. O modelo de tesouraria corporativa em Bitcoin se concentrou, sobretudo, na América do Norte. No entanto, a aceleração da empresa japonesa representa uma das adoções mais visíveis da estratégia na Ásia. Como o Japão mantém um ambiente regulatório historicamente mais estruturado para o setor de criptomoedas, outras companhias da região podem observar esse precedente com atenção.

Além disso, a velocidade da escalada no ranking mostra que as barreiras para uma acumulação corporativa em larga escala diminuíram. Com acesso ao mercado de capitais e aval explícito do conselho, empresas conseguem executar compras em um ritmo que parecia improvável há poucos anos. Assim sendo, o modelo deixa de parecer experimental e passa a ser visto como replicável.

Ações disparam com prêmio por exposição ao ativo

As ações da Metaplanet, negociadas na Bolsa de Tóquio sob o código 3350.T, reagiram com força ao anúncio de segunda-feira. Os papéis subiram 22% no pregão e chegaram a 1.860 ienes antes de devolver parte do avanço. Ainda mais relevante, a alta acumulada em 2026 já supera 417%.

Esse desempenho ficou muito acima da valorização do próprio Bitcoin e também superou o mercado acionário japonês. Portanto, investidores parecem atribuir um prêmio relevante à estratégia de acumulação da companhia. O fenômeno lembra o que ocorreu com a Strategy, cujas ações passaram a funcionar como uma forma regulada de exposição indireta ao BTC.

Quando uma empresa se torna uma proxy de Bitcoin, suas ações podem negociar acima do valor patrimonial das reservas. Isso acontece porque o papel oferece liquidez em bolsa regulada, acesso simplificado para muitos investidores e potencial de novas captações. Dessa maneira, o mercado precifica não apenas o estoque atual de BTC, mas também a capacidade futura de ampliar a posição por ação.

Ao mesmo tempo, esse ciclo pode se reforçar. Com a valorização do papel, a capitalização de mercado cresce. Em seguida, a empresa pode captar mais recursos por ações ou dívida em condições melhores. Depois, converte esse capital em novas compras de Bitcoin, o que tende a sustentar a narrativa de expansão patrimonial.

ETFs spot e demanda institucional sustentam a tese

Apesar dos riscos, a Metaplanet avança em um ambiente de demanda institucional ainda robusta por Bitcoin. Na semana passada, os ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos registraram cinco dias consecutivos de entradas líquidas. No total, os aportes somaram mais de US$ 1,3 bilhão, segundo a CoinGlass.

Esse fluxo chama atenção porque o desempenho do Bitcoin em 2026 tem sido mais moderado. O ativo acumula valorização de cerca de 13% no ano. Já o ouro avançou 30% no mesmo período, impulsionado em parte pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Ainda assim, a procura por estruturas reguladas de acesso ao BTC segue consistente.

Por outro lado, o debate macroeconômico continua aberto. Em episódios recentes de estresse geopolítico, o Bitcoin mostrou correlação mais alta com ativos de risco, como ações de tecnologia. Isso reacendeu dúvidas sobre seu papel em carteiras institucionais. Mesmo assim, defensores sustentam que a oferta fixa e a natureza descentralizada do ativo podem reforçar sua função como reserva de valor no longo prazo.

Críticos, contudo, lembram que a volatilidade do BTC e sua sensibilidade à liquidez global ainda o aproximam de um ativo de crescimento de beta elevado. Além disso, empresas que financiam compras com dívida seguem obrigadas a honrar o principal independentemente da cotação do ativo. No caso da Metaplanet, os títulos sem juros reduzem a pressão financeira imediata, mas não eliminam o risco de execução.

O avanço da Metaplanet reúne escala, captação e ambição em torno do Bitcoin. A companhia superou a Coinbase com 10.000 BTC, comprou 1.112 BTC por 16,88 bilhões de ienes, manteve preço médio de US$ 96.400, aprovou US$ 210 milhões em títulos sem juros e reiterou a meta de 210.000 BTC até o fim de 2027. Com isso, consolidou uma das principais apostas corporativas em Bitcoin fora da América do Norte.