Bitcoin encará 3 de agosto com dívida dos EUA a US$ 39,5 tri
O Bitcoin avançou para US$ 66.190, seu maior preço desde 17 de junho. Ao mesmo tempo, a dívida federal bruta dos Estados Unidos chegou a US$ 39,489 trilhões em 15 de julho. O valor ficou cerca de US$ 511 bilhões abaixo da marca de US$ 40 trilhões. Assim, o mercado voltou a relacionar a alta do ativo à sua oferta fixa e à narrativa de escassez no longo prazo.
No entanto, o foco imediato dos investidores está na necessidade de financiamento do Tesouro dos Estados Unidos. Atualmente, o departamento estima captar US$ 671 bilhões em dívida líquida negociável detida pelo setor privado entre julho e setembro. Esse cálculo considera uma projeção de saldo de caixa de US$ 950 bilhões no fim de setembro.
Tesouro pode influenciar o Bitcoin em agosto
Por isso, o dia 3 de agosto entrou no radar do mercado. Nessa data, o Tesouro revisará a estimativa do terceiro trimestre e divulgará a primeira projeção para outubro a dezembro. Em seguida, no dia 5 de agosto, o governo publicará o pacote completo de refinanciamento trimestral. O documento trará detalhes sobre leilões e a divisão entre títulos de curto prazo, notes, bonds, títulos de taxa flutuante e papéis protegidos contra a inflação.
Nesse cenário, uma revisão para cima na captação pode obrigar investidores privados a absorver mais títulos do governo. Como resultado, esses compradores podem exigir retornos maiores ou vender caixa e outros ativos para financiar as compras. Dessa forma, as condições de liquidez tendem a ficar mais apertadas.
Uma pesquisa do Federal Reserve publicada em maio apontou que o aumento de 1 ponto percentual na expectativa de dívida dos Estados Unidos em relação ao PIB adiciona cerca de 2 a 3 pontos-base ao prêmio de prazo dos Treasuries de 10 anos.
Rendimentos mais altos elevam a pressão de curto prazo
Com efeito, rendimentos mais altos aumentam o custo de oportunidade de manter Bitcoin, já que o ativo não paga cupom. Além disso, um dólar mais forte pode restringir a liquidez global em dólar e pressionar mercados de risco. No início da semana, o Bitcoin orbitava a região de US$ 65.000, enquanto o rendimento do Treasury de 10 anos rondava 4,60%.
Relatos indicaram que temores inflacionários ligados ao petróleo levaram essa referência a 4,6% em 20 de julho. Já o fechamento oficial mais recente do Federal Reserve mostrou rendimento de 4,16% para o título de 2 anos, 4,57% para o de 10 anos e 5,09% para o de 30 anos em 16 de julho.

Ao mesmo tempo, o total de US$ 39,489 trilhões representa obrigações já existentes, enquanto a projeção de captação aponta apenas a próxima necessidade de financiamento. Em outras palavras, a relação entre esses números não é direta. A dívida bruta também reflete vencimentos, fluxos intragovernamentais, movimentos de caixa e efeitos da carteira do Federal Reserve.
Liquidez em dólar e ETFs entram no cálculo
Outro ponto relevante está na Treasury General Account. Em 15 de julho, essa conta tinha cerca de US$ 795,98 bilhões. Isso representa aproximadamente US$ 154 bilhões abaixo da hipótese atual de US$ 950 bilhões para o fim do trimestre. Se o Tesouro decidir recompor esse caixa por meio de novas emissões, parte da liquidez ficará temporariamente estacionada em sua conta no Federal Reserve. Depois, esse dinheiro retorna ao sistema bancário pelos gastos públicos.
Além disso, o impacto depende do tipo de papel emitido. Títulos curtos podem atrair recursos de fundos do mercado monetário. Em contrapartida, vencimentos mais longos podem exigir retirada de depósitos bancários ou venda de outros ativos. O Federal Reserve informou uso próximo de zero na facilidade de recompra reversa overnight na maior parte dos dias. Também registrou cerca de US$ 3,1 trilhões em reservas na primeira metade de 2026. Portanto, há menos caixa ocioso disponível para absorver novas emissões de bills.

Entradas em ETFs oferecem suporte ao preço
Ainda assim, o Bitcoin conta com um possível amortecedor de demanda. Os ETFs spot de Bitcoin negociados nos Estados Unidos registraram entrada líquida combinada de US$ 500,2 milhões em quatro sessões positivas entre 14 e 17 de julho. Além disso, esse movimento reverteu a saída de US$ 424,7 milhões observada em 13 de julho. Se esses fluxos continuarem, poderão compensar parte do peso macroeconômico de uma revisão mais agressiva na necessidade de financiamento.
No cenário mais favorável, o Tesouro mantém a estimativa do terceiro trimestre em US$ 671 bilhões ou abaixo disso. Também preserva a meta de caixa em US$ 950 bilhões e divulga uma necessidade de financiamento para o quarto trimestre inferior ao esperado. Nesse caso, um pacote de emissão bem absorvido ao longo da curva pode aliviar os rendimentos de 10 anos e enfraquecer o dólar.
Por consequência, entradas contínuas nos ETFs spot de Bitcoin dariam suporte direto ao preço. Assim, a região de US$ 65.000 ganharia importância como base de sustentação. Essa leitura reforçaria a tese de que o aumento da dívida pública favorece, no horizonte estrutural, a escassez do ativo.
Por outro lado, o cenário negativo inclui revisão para cima da estimativa do terceiro trimestre, necessidade robusta para o quarto trimestre ou elevação da meta de caixa acima de US$ 950 bilhões. Se o pacote de 5 de agosto trouxer mais cupons e papéis longos, o mercado pode exigir prêmio adicional de duração. Esse movimento elevaria rendimentos e pressionaria as condições financeiras.
Nesse contexto, um dólar mais forte e resgates nos ETFs retirariam dois suportes importantes do Bitcoin. Como resultado, a recuperação recente poderia perder força na faixa atual. No horizonte mais amplo, o Congressional Budget Office projeta déficit federal de US$ 1,9 trilhão no ano fiscal de 2026. A instituição também projeta dívida federal em poder do público equivalente a 120% do PIB até 2036. Portanto, a tese de escassez segue viva, mas o evento de 3 de agosto pode transformar essa narrativa em um teste imediato de liquidez, rendimentos e força do dólar.