SpaceX cai e Schiff vê bolha de IA já estourada
Peter Schiff, economista-chefe e estrategista global da Euro Pacific Asset Management, afirmou que a bolha nas ações ligadas à inteligência artificial pode já ter começado a estourar. O alerta veio em meio à forte pressão vendedora sobre os papéis da Space Exploration Technologies Corp., a SpaceX (NASDAQ: SPCX).
Para Schiff, a tecnologia de IA segue relevante. No entanto, o comportamento recente das ações do setor indica uma possível correção mais ampla. Assim, ele separou a utilidade da inteligência artificial da precificação dos ativos.
Schiff separa IA de ações ligadas ao setor
Em publicação no X em 20 de julho, analisada em 21 de julho, Schiff argumentou que investidores podem ter inflado demais empresas associadas ao tema. Segundo ele, a forte corrida compradora dos últimos trimestres deixou parte do mercado vulnerável a revisões de preço.
“A IA não é uma bolha, mas as ações de IA são. A bolha provavelmente já estourou”, escreveu Peter Schiff.
Peter Schiff no X
O comentário não invalida a expansão da inteligência artificial. Contudo, reforça a tese de que empresas com múltiplos elevados podem sofrer mais quando o mercado reduz o apetite por risco. Nesse sentido, a queda da SpaceX ganhou peso simbólico.
SpaceX vira termômetro para ações de crescimento
Segundo Peter Schiff, a liquidação nas ações da SpaceX pode funcionar como um sinal antecedente de perda de fôlego em empresas ligadas à inteligência artificial. Além disso, ele relacionou parte dessa pressão ao avanço de modelos chineses de baixo custo.
O economista citou o Kimi K3, da Moonshot AI, e o DeepSeek Chat como exemplos de concorrência capaz de desafiar empresas dos Estados Unidos. Como resultado, companhias norte-americanas negociadas a preços elevados podem enfrentar maior revisão de expectativas.
Em outra publicação, Schiff reforçou a leitura negativa ao comentar o gráfico da SpaceX. Ele também destacou a perda acumulada desde a oferta pública inicial. Para o economista, o fechamento abaixo de um nível técnico relevante piorou o quadro de curto prazo.
“A SpaceX fechou abaixo de US$ 120, perto da mínima do dia. Isso representa mais de 11% abaixo do preço do IPO. O gráfico não está com boa aparência”, acrescentou Peter Schiff.
Peter Schiff no X
Esse movimento ganhou relevância porque a SpaceX passou a simbolizar, para parte do mercado, o apetite por empresas de crescimento acelerado. Portanto, sua queda pode afetar a percepção de risco em outros segmentos de tecnologia. Ainda assim, isso não significa que todas as companhias expostas à IA perderam potencial de longo prazo.
Concorrência chinesa pressiona valuations
Para Schiff, soluções mais baratas desenvolvidas na China adicionam uma camada importante ao debate. Afinal, modelos como Kimi K3, da Moonshot AI, e DeepSeek Chat sugerem que a corrida global de IA pode se tornar menos concentrada.
Esse cenário não elimina a expansão da inteligência artificial. Porém, reduz a margem para valuations excessivos, principalmente quando o mercado já precificou crescimento agressivo por vários anos. Em outras palavras, a tecnologia pode avançar enquanto várias ações do setor passam por correção simultânea.
Wall Street ainda vê recuperação em nomes de IA
Apesar do alerta de Peter Schiff, parte de Wall Street ainda enxerga espaço para recuperação em nomes relevantes do setor. Dessa forma, o mercado diferencia empresas com fundamentos resilientes daquelas que podem ter subido além do razoável.
Um dos exemplos citados é a Micron Technology, Inc. (NASDAQ: MU). Embora a ação tenha recuado mais de 28% nos últimos 30 dias, para US$ 865,46 no momento citado, 30 analistas de Wall Street consultados pela TipRanks projetam preço-alvo médio de 12 meses em cerca de US$ 1.569,29. Esse nível indicaria potencial de alta de 81,32%.
Além disso, a Nvidia Corp. (NASDAQ: NVDA) permanece entre os principais nomes observados. Mesmo com queda de 2,57% nos 30 dias anteriores à publicação, para cerca de US$ 203,28, 37 analistas de Wall Street ouvidos pela TipRanks definiram preço-alvo médio de 12 meses em US$ 309,94. Portanto, a projeção aponta possível valorização de 52,47%.
Já a Sandisk Corp. (NASDAQ: SNDK) também aparece no radar. Segundo levantamento da TipRanks com 17 analistas de Wall Street, o preço-alvo médio em 12 meses ficou em US$ 2.041,88. Isso ocorreu mesmo após as ações acumularem queda superior a 39% nos últimos 30 dias, para aproximadamente US$ 1.390 no momento mencionado.
Duas leituras disputam o cenário de 2026
Na prática, os dados colocam lado a lado duas leituras distintas. De um lado, Peter Schiff avalia que a bolha nas ações de IA provavelmente já estourou, com a SpaceX como possível sinal desse movimento. Por outro lado, analistas de Wall Street seguem atribuindo preços-alvo elevados para Micron Technology, Nvidia e Sandisk.
O debate de 2026, portanto, não gira em torno da relevância da inteligência artificial. A questão central está na precificação de empresas expostas ao tema. Assim, parte do setor pode continuar corrigindo, enquanto alguns papéis preservam potencial de recuperação nos próximos 12 meses.