Bitcoin e XRP ficam fora de índice cripto da S&P
O mercado de criptomoedas pode estar diante de uma das maiores divergências deste ciclo. A Pantera Capital, em parceria com a S&P Dow Jones Indices, lançou o S&P Digital Asset Index com uma cesta de 18 criptomoedas. O anúncio ganhou força nas redes sociais logo após o Bitcoin voltar a superar a faixa de US$ 66.000.
No entanto, a discussão principal não ficou apenas nos ativos escolhidos. Pelo contrário, a ausência de dois dos nomes mais conhecidos do setor, Bitcoin e XRP, concentrou a maior parte da repercussão.
Até agora, cinco criptomoedas foram confirmadas no S&P Digital Asset Index: Ethereum, BNB, Solana, Hyperliquid e Tron. Assim, a exclusão de Bitcoin e XRP abriu um debate mais amplo sobre o que o índice pretende medir. Também levantou dúvidas sobre quais critérios podem orientar essa nova referência institucional.

S&P Digital Asset Index amplia debate sobre fundamentos
Esse movimento pode sinalizar uma mudança estrutural relevante. Até aqui, os ativos digitais vinham operando, em grande parte, como uma ampla aposta de risco. Nesse cenário, o Bitcoin liderava a principal narrativa do mercado.
Agora, contudo, a composição inicial do índice sugere outra leitura. Parte do capital institucional pode começar a olhar menos para tamanho de mercado e mais para fundamentos econômicos das redes.
De fato, os ativos já confirmados no índice compartilham uma característica central. São redes vistas como fortes do ponto de vista fundamental. Ao longo dos últimos anos, esses ecossistemas de camada 1 passaram por melhorias de escalabilidade, atualizações de rede e hard forks. O objetivo foi ampliar capacidade de processamento, utilidade e atividade em rede.
Além disso, essa mudança vai além da antiga narrativa de ativo puramente especulativo. Um analista citado no X afirmou que os tokens incluídos no índice geraram US$ 3 bilhões em receita anualizada nos últimos seis meses, mesmo em um ambiente de mercado de baixa.
Na prática, a seleção parece favorecer redes que produzem atividade econômica real. Portanto, a ausência de Bitcoin e XRP ganha outra dimensão. Em vez de parecer apenas uma omissão, ela reforça a tese de que o índice busca medir fundamentos mensuráveis.

Jon Ma defende foco em receita e utilidade
Em meio ao foco do mercado sobre a ausência de Bitcoin e XRP, esse pode ser o ponto mais relevante do anúncio. Jon Ma, que trabalhou com a Pantera Capital e a S&P Dow Jones Indices na construção do S&P Digital Asset Index, definiu o produto como o índice fundamental para criptomoedas.
Em outras palavras, a tese defendida por ele é direta. Os próximos US$ 10 trilhões que podem entrar no setor tendem a buscar redes com fundamentos sólidos, receita sustentável e utilidade no mundo real. A leitura contrasta com ativos impulsionados apenas por capitalização de mercado.
Essa visão ajuda a explicar por que o mercado reagiu com intensidade. Afinal, o Bitcoin continua sendo a principal referência do setor em capitalização, liquidez e reconhecimento global. Ainda assim, o novo índice propõe uma régua diferente, centrada na capacidade das redes de gerar valor econômico recorrente.
Por conseguinte, o lançamento do S&P Digital Asset Index pode marcar um ponto de inflexão para o mercado cripto. À medida que o capital institucional ganha exposição por meio de benchmarks desse tipo, a diferença entre impulso de preço e força fundamental pode se tornar um tema central dos próximos ciclos.
Exclusão de Bitcoin e XRP muda a leitura institucional
No centro dessa discussão estão fatos objetivos. O índice reúne 18 criptomoedas, confirmou inicialmente Ethereum, BNB, Solana, Hyperliquid e Tron, deixou Bitcoin e XRP de fora e, segundo a tese de Jon Ma, prioriza redes com receita, utilidade e atividade econômica mensurável.
Dessa forma, o mercado tenta entender se essa metodologia representa apenas um recorte inicial ou uma mudança mais ampla na avaliação institucional de ativos digitais. Seja como for, a decisão da S&P Dow Jones Indices com a Pantera Capital já inseriu um novo elemento na disputa por relevância entre as principais redes do setor.
Além disso, o momento do anúncio reforçou sua repercussão. O Bitcoin havia retomado a faixa de US$ 66.000, cenário que já favorecia o apetite por risco. Assim, a ausência do maior ativo do mercado em um índice institucional ampliou a percepção de que a seleção não seguiu apenas o tamanho de mercado.
Em suma, a mensagem implícita é clara. Para parte do mercado institucional, fundamentos econômicos podem começar a pesar tanto quanto dominância e capitalização. Caso essa tendência avance, o debate sobre valor no mercado de criptomoedas poderá mudar de forma significativa nos próximos anos.