Petróleo impulsiona energia na Europa; STOXX sobe 0,5%

As bolsas europeias avançaram nesta quarta-feira, enquanto o setor de energia liderou os ganhos após a alta do petróleo no mercado internacional. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,5% e alcançou o maior nível em duas semanas. A sessão também recebeu apoio de uma rodada positiva de resultados corporativos.

iShares STOXX Europe 600 UCITS ETF (DE) EUR (Dist) (EXSA.DE)
iShares STOXX Europe 600 UCITS ETF (DE) EUR (Dist) (EXSA.DE)

Fonte: Yahoo Finance

Em Londres, o FTSE 100 se destacou entre os principais mercados da região, com alta superior a 1%. O índice britânico tem forte exposição a empresas de commodities e energia. Por isso, reagiu de forma imediata ao avanço do barril.

Além disso, o movimento positivo se espalhou pelo continente. O DAX, da Alemanha, subiu 0,4%, enquanto o CAC 40, da França, avançou 0,9%. Na Itália, o FTSE MIB ganhou 1,1%, embora ações do setor bancário tenham enfrentado alguma pressão durante o pregão.

Choque no barril sustenta petroleiras europeias

O petróleo bruto atingiu os maiores níveis em seis semanas depois de novos ataques com drones e mísseis realizados pelos houthis do Iêmen contra rotas de transporte ligadas ao setor de energia. Como resultado, investidores passaram a embutir um prêmio de risco maior nos preços da commodity, diante do temor de interrupções na oferta global.

Com isso, gigantes europeias do setor avançaram com força. Shell, BP e TotalEnergies registraram ganhos consistentes, à medida que o mercado precificou uma chance maior de perturbação no abastecimento. Como essas empresas têm peso relevante em índices como o FTSE 100, a valorização ajudou a sustentar as bolsas europeias.

Ao mesmo tempo, o interesse por ativos ligados a commodities reforçou a rotação setorial na sessão. Investidores reduziram a exposição a segmentos mais sensíveis a juros e ampliaram posições em companhias beneficiadas pela alta das matérias-primas. Nesse sentido, o noticiário geopolítico ampliou o apelo do setor de energia no curto prazo.

Resultados corporativos ampliam apetite por risco

Além da força do petróleo, os balanços corporativos deram suporte adicional ao mercado. A Airbus liderou os ganhos do dia ao saltar mais de 6%. A companhia anunciou um programa de recompra de ações de 5 bilhões de euros e elevou sua projeção para o ano inteiro.

Da mesma forma, a Randstad, empresa de recrutamento e recursos humanos, avançou quase 8% depois de superar as expectativas de receita. O resultado colocou a companhia entre as maiores altas do STOXX 600. Além disso, reforçou a percepção de que alguns setores seguem resilientes mesmo em um ambiente macroeconômico incerto.

No setor financeiro, o Banco Santander ganhou cerca de 2% após divulgar crescimento de 17% no lucro líquido subjacente do segundo trimestre, na comparação anual. Já o UniCredit subiu 1,3% e atingiu o maior nível em 16 anos antes da divulgação de seu próprio balanço.

Ademais, a Akzo Nobel registrou valorização próxima de 3% após publicar seus resultados do segundo trimestre. No conjunto, os números corporativos melhoraram a confiança dos investidores em diferentes setores da economia europeia. Assim, ajudaram a equilibrar preocupações geopolíticas com fundamentos empresariais mais fortes.

Inflação britânica e BCE entram no radar

O Reino Unido também contribuiu para o tom mais favorável dos mercados. Dados oficiais mostraram que a inflação desacelerou para 2,6% em junho. Dessa forma, cresceu a expectativa de que o Bank of England possa ter espaço para cortar juros ainda neste ano.

Em contraste, o setor de tecnologia figurou entre os pontos fracos do mercado europeu. A ASML recuou 2,1%, a SAP caiu 1,2% e a STMicroelectronics perdeu 0,8%. Portanto, o fluxo comprador se concentrou em energia, indústria e empresas apoiadas por resultados mais fortes.

Agora, a atenção do mercado se volta para os Estados Unidos. Alphabet e Tesla devem divulgar seus resultados mais tarde. Por conseguinte, esses números podem influenciar fabricantes europeus de chips e fornecedores industriais na retomada dos negócios de quinta-feira, sobretudo se houver surpresa nas projeções.

Os investidores também acompanham de perto a próxima decisão de política monetária do Banco Central Europeu, marcada para quinta-feira. A sinalização do BCE sobre juros e atividade econômica pode mudar rapidamente o humor do mercado. Ainda mais porque petróleo em alta, balanços robustos e inflação britânica mais fraca sustentam os ativos da região.

Em suma, o avanço de 0,5% do STOXX 600, a alta superior a 1% do FTSE 100, o salto de mais de 6% da Airbus e a inflação britânica em 2,6% formaram a base do movimento desta sessão. Enquanto isso, Shell, BP e TotalEnergies concentraram parte relevante da reação positiva associada ao petróleo.