Bitcoin recua com WTI acima de US$ 85
Criptomoeda devolve parte da alta recente
O Bitcoin perdeu força nesta quarta-feira e voltou a operar abaixo de US$ 66.000. Desde 0h UTC, a maior criptomoeda do mercado caía cerca de 0,9%, na faixa de US$ 65.900. Dados acompanhados pela CoinDesk indicaram preço à vista de US$ 65.848,59. Ao mesmo tempo, o Ether recuava 0,5%, para US$ 1.920.
A correção veio logo após a forte alta de terça-feira. Além disso, o ambiente macroeconômico pressionou ativos de risco. O principal gatilho veio do petróleo. O barril do WTI, referência dos Estados Unidos, superou US$ 85 pela primeira vez desde 12 de junho, em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã.
Como resultado, investidores voltaram a temer uma inflação mais persistente. Esse cenário pode manter bancos centrais em postura dura por mais tempo. O efeito apareceu em várias classes de ativos. Enquanto os futuros do Nasdaq 100 e do S&P 500 recuavam, o ouro subia 0,95%, para US$ 4.118, e a prata avançava 1,2%.
Dessa forma, o mercado reforçou a busca por proteção. No mercado de criptomoedas, o capital também migrou para posições mais defensivas, com preferência pelos ativos mais líquidos.
Dominância do Bitcoin sobe em rotação defensiva
Esse ambiente importa porque o Bitcoin vinha em recuperação consistente. No entanto, com o petróleo acima de US$ 85, a narrativa de alívio inflacionário voltou a ser testada. Assim, o impulso comprador perdeu força e abriu espaço para consolidação no curto prazo.
A migração para ativos considerados mais seguros dentro do mercado cripto ficou clara na dominância do Bitcoin, que subiu para 59%. Em outras palavras, os investidores não abandonaram necessariamente o setor. Em vez disso, reduziram exposição a altcoins e priorizaram a criptomoeda de maior capitalização.
Na prática, a alta da dominância durante uma correção indica redução de risco. Além disso, esse padrão costuma surgir em sessões com liquidez menor e menor apetite especulativo. O restante do mercado operou em baixa, com a maioria das principais criptomoedas registrando delta cumulativo de volume de 24 horas negativo.
Entre as exceções, Monero (XMR), Tether Gold (XAUT) e Hedera (HBAR) conseguiram se descolar da tendência. Nos demais casos, os dados sugeriram atuação mais agressiva dos vendedores, com predominância de ordens a mercado no lado vendido. Ademais, o indicador Altcoin Season, da CoinMarketCap, marcou 50/100, levemente abaixo do pico da semana anterior. O nível intermediário ainda indica ausência de direção absoluta entre Bitcoin e altcoins, embora a trajetória recente favoreça o Bitcoin.
Derivativos indicam cautela, mas sem pânico
Nos derivativos, os sinais apontaram perda de convicção e aumento de proteção, sem caracterizar liquidação forçada. O volume negociado nas últimas 24 horas caiu 12%, para US$ 150 bilhões. Ainda assim, o interesse em aberto permaneceu praticamente estável, em torno de US$ 116 bilhões. Além disso, as liquidações somaram apenas US$ 165 milhões, o que reforça a leitura de um recuo controlado.
A relação long/short em 24 horas ficou em 50,59% para comprados e 49,41% para vendidos. Portanto, a distribuição mostrou um mercado mais indeciso do que no dia anterior. Embora cada posição comprada encontre uma vendida em número de contratos, esse indicador mede a quantidade de contas líquidas em cada lado. Nesse sentido, o estreitamento sugere que o viés otimista de terça-feira perdeu força.
O interesse em aberto de BTC e ETH pouco mudou no período. Assim, grande parte dos participantes preferiu esperar antes de ajustar exposição. Ao mesmo tempo, a expectativa de volatilidade aumentou. O índice de volatilidade implícita de 30 dias do Bitcoin, o BVIV, avançou para 40%, ante 37,5%. O índice equivalente do Ether, o EVIV, também passou a mostrar inclinação de alta.
Opções mantêm interesse em calls acima do preço à vista
Quando a volatilidade implícita sobe, os preços à vista caem e o interesse em aberto fica estável, a leitura usual aponta predominância de compradores de opções em busca de proteção. Ainda assim, o mercado de opções não indica pessimismo absoluto. Na Deribit, opções de compra de BTC seguiram dominando o volume de 24 horas, com concentração nos preços de exercício de US$ 70.000 e US$ 72.000.
No Ether, as calls também prevaleceram, com o preço de exercício de US$ 3.000 na liderança das negociações no período. Dessa maneira, parte dos agentes continua mirando recuperação, apesar do recuo atual.
Entre os destaques negativos, Dash (DASH) liderou as perdas, com queda de 4,1% desde 0h UTC, para US$ 33,44. O token HYPE, da Hyperliquid, recuou 3,42%, para US$ 58,79. No caso de HYPE, a queda veio acompanhada de forte alta no interesse em aberto dos futuros, que chegou a 42,8 milhões de tokens, o maior nível desde 4 de junho. Com taxas anualizadas de financiamento perpétuo levemente negativas e delta cumulativo de volume de 24 horas no vermelho, os dados apontam viés claro para posições vendidas.
XLM mostrou dinâmica semelhante. O interesse em aberto nos futuros do token subiu pelo terceiro dia seguido, alcançando 1 bilhão de unidades. Ao mesmo tempo, o ativo registrou delta cumulativo de volume negativo em 24 horas. Como resultado, o preço falhou pelo segundo dia consecutivo em sustentar ganhos acima de US$ 0,19.
NIGHT, ETHFI, ENA e Ondo destoam da queda
Mesmo com o mercado majoritariamente em baixa, alguns tokens se destacaram. Midnight (NIGHT) avançou 19% após a liquidação de segunda-feira. Charles Hoskinson, fundador da plataforma blockchain Cardano, descreveu o projeto como um ecossistema incrível, com tecnologia admirável, em comentário publicado no X. Assim, a fala funcionou como gatilho para a reversão de curto prazo.
Ether.fi (ETHFI) e Ethena (ENA) contrariaram a fraqueza mais ampla e subiram 2,63% e 1,27%, respectivamente. Além disso, os dois ativos deram continuidade ao melhor desempenho recente de tokens ligados a finanças descentralizadas. Já Ondo chamou atenção no acumulado semanal, com alta de 26% em sete dias, para US$ 0,40, em meio ao interesse especulativo persistente por ativos do mundo real tokenizados.
Em suma, os dados desta quarta-feira mostram um mercado em transição. O recuo do Bitcoin a partir da máxima de um mês acompanhou um choque macroeconômico externo, ligado à alta do petróleo acima de US$ 85 e ao agravamento do conflito envolvendo o Irã. Ainda assim, os derivativos não mostram capitulação. As liquidações ficaram em US$ 165 milhões, o interesse em aberto de BTC e ETH permaneceu estável, e a demanda por calls acima do preço à vista seguiu presente. Por enquanto, permanecem no radar os níveis de US$ 65.848,59 para o Bitcoin à vista, US$ 1.920 para o Ether, dominância de 59%, volume de derivativos de US$ 150 bilhões e interesse concentrado em opções de BTC nos preços de exercício de US$ 70.000 e US$ 72.000.