OLY usa taxas e staking para proteger holders

O protocolo OLY apresentou uma proposta para alterar a lógica de incentivos que, segundo seu fundador, domina o mercado de criptomoedas há vários ciclos. Em vez de favorecer vendedores de curto prazo, o projeto pretende recompensar quem compra e permanece posicionado no ativo. A tese central afirma que muitos tokens transferem valor para participantes que saem cedo, enquanto holders de longo prazo absorvem a pressão de venda.

Para o projeto, esse problema não ocorre por acaso. Pelo contrário, ele resulta de um desenho recorrente de incentivos. Desbloqueios de investidores iniciais, emissões e liquidez limitada criam disputas pelo capital disponível. Como resultado, quem entra cedo e vende antes dos demais tende a capturar a maior parte do valor.

Na visão do OLY, compradores tardios e investidores mais convictos costumam pagar essa conta. Por isso, o protocolo afirma ter estruturado sua mecânica com o propósito de alinhar incentivos e reduzir a extração de valor contra holders de longo prazo no mercado cripto.

OLY cobra mais de saídas com maior impacto

O OLY descreve sua mecânica a partir das principais ações possíveis ao longo da vida de um token. Entre elas estão comprar, manter, fazer staking, prover liquidez, vender gradualmente ou vender imediatamente. Dessa forma, o protocolo tenta precificar cada saída conforme o impacto causado sobre o mercado.

Em primeiro lugar, a venda direta a mercado recebe uma taxa dinâmica. Como esse tipo de operação pressiona o preço para baixo, a cobrança começa mais alta nos estágios iniciais. Depois, ela recua automaticamente conforme o valor de mercado do protocolo cresce. Na principal pool, essas taxas são recolhidas em ETH com uso de hooks do Uniswap.

Em segundo lugar, a ordem limite aparece como uma saída menos agressiva. Afinal, ela espera um comprador real e não consome imediatamente a liquidez do livro. Por isso, paga apenas uma taxa fixa menor.

Além disso, o protocolo destaca uma terceira alternativa, chamada de saída por liquidez unilateral. Nesse modelo, o usuário não despeja tokens na pool. Em vez disso, adiciona profundidade ao mercado e aguarda compradores. Enquanto isso, recebe taxas de negociação e converte os ativos gradualmente em ETH. Segundo o projeto, esse formato não gera uma vela vermelha imediata e, portanto, tem custo zero.

Modelo transforma pressão vendedora em receita

A ideia central do OLY não consiste em punir a saída em si. Em outras palavras, o protocolo tenta cobrar pelo dano causado por cada forma de venda. Quanto mais agressiva for a operação, maior será o custo. Ao passo que, quanto menor o impacto sobre o preço, menor será a cobrança.

Assim, vendedores passam a funcionar como fonte de receita do sistema. Com efeito, essa arrecadação busca sustentar recompensas para quem aceita travar capital por mais tempo.

Receita em ETH abastece staking, liquidez e queima

Uma parte relevante da arrecadação vai para um cofre de ETH em staking, que gera rendimento por meio da Lido. O restante se divide entre um cofre de liquidez na Uniswap, pagamentos diretos em ETH para stakers, recompras com queima permanente de tokens e uma camada adicional chamada Liquidity Defense.

Segundo a proposta, esse desenho evita que momentos de queda e capitulação esvaziem a remuneração dos participantes mais comprometidos. Pelo contrário, quando aumenta a venda tributada, cresce também a receita do protocolo. Consequentemente, os repasses aos stakers também avançam. Nesse sentido, o OLY afirma inverter uma lógica comum em muitos tokens, nos quais fases de estresse coincidem com enfraquecimento das recompensas.

Ademais, o projeto diz que pretende oferecer aos stakers exposição a uma cesta de fontes de rendimento. Entre elas estão ETH vindo das saídas tributadas, stETH com rendimento de validadores, taxas de negociação obtidas por posições de liquidez em ativos consolidados e futuras expansões da estrutura de cofres, caso a DAO aprove essas mudanças.

No roteiro citado pelo protocolo, um dos próximos passos inclui um cofre de ativos do mundo real na Robinhood Chain. Contudo, essa etapa ainda depende de implementação pela governança. A proposta é transmitir aos stakers rendimento de ações tokenizadas, desde que o lançamento, a validação em produção e o posterior bloqueio imutável sigam o processo previsto.

Defesa de liquidez busca suporte em quedas

Outro pilar do modelo é a defesa de liquidez. O OLY reconhece que uma taxa, sozinha, não impede quedas bruscas em mercados rasos. Por isso, parte da arrecadação fica posicionada abaixo do preço de mercado na forma de ofertas concentradas de compra em ETH.

Na prática, uma queda precisa atravessar esses lances para continuar avançando. Sempre que esses níveis absorvem tokens, os ativos adquiridos são queimados permanentemente. Dessa maneira, a oferta diminui. Vendas fortes, portanto, não apenas remuneram os stakers, mas também reforçam a linha de defesa para a próxima onda de pressão.

Ainda assim, o projeto reconhece que não existe imunidade ao mercado. Como parte das reservas está vinculada a ETH em staking, quedas do ETH também afetam a base de proteção. Portanto, o modelo não elimina risco, embora tente redistribuí-lo de modo diferente.

Staking longo amplia bônus e voto no OLY

O OLY também precifica a paciência no momento de entrada. O mint, marcado para 28 de agosto, prevê diferentes níveis de compromisso. As melhores condições ficam para quem aceitar travas mais longas. De acordo com o whitepaper, os períodos de staking vão de 88 a 1.776 dias, com bônus de participação que podem chegar a quatro vezes nos bloqueios mais extensos.

As recompensas se distribuem em cinco ciclos móveis de 8, 28, 90, 369 e 888 dias. Segundo o projeto, o período de 888 dias foi escolhido por representar aproximadamente um ciclo completo do mercado de criptomoedas. Além disso, o poder de voto na governança deriva das cotas de staking, e não de tokens parados em carteira.

Esse mecanismo também surge como resposta ao problema das baleias. Em vez de grandes detentores manterem posições destravadas, o OLY condiciona recompensas e poder político ao bloqueio dos ativos. Assim, esses participantes ficam menos aptos a derrubar o preço a qualquer momento. Há, ainda, penalidades reais para quem rompe o compromisso antes do prazo.

Na avaliação do projeto, os maiores participantes do sistema se tornam justamente os menos aptos a vender abruptamente. Afinal, eles precisam aceitar o mesmo regime de travamento para acessar as vantagens econômicas de uma posição maior.

Em suma, a proposta do OLY defende que a próxima etapa do mercado cripto exigirá valor real e mecanismos concretos de proteção de preço. O protocolo resume essa visão ao afirmar que muitos tokens foram desenhados para transferir valor dos crentes para os iniciados. Sua arquitetura, por outro lado, tenta inverter esse fluxo, fazendo com que os impacientes financiem os pacientes.

O projeto também reforça os riscos. Reservas lastreadas em ETH em staking podem cair junto com o próprio ETH. Além disso, o bloqueio de tokens envolve penalidades em caso de abandono. Ainda assim, vendas tributadas em ETH, recompensas via Lido, defesa de liquidez com recompras e queima, governança baseada em staking e o início do mint em 28 de agosto formam os pilares do desenho apresentado.