Charter cai com perda de clientes de banda larga
As ações da Charter Communications oscilaram fortemente nesta sexta-feira, após o balanço do segundo trimestre de 2026. O papel CHTR caiu até 13% no pré-mercado. Depois, reduziu parte das perdas e abriu em baixa de cerca de 1,6%. O movimento refletiu a nova queda na base de assinantes de banda larga e o recuo da receita trimestral.
A companhia reportou receita de US$ 13,53 bilhões no período. Assim, o resultado ficou 1,7% abaixo do registrado um ano antes. O número veio praticamente em linha com as estimativas de analistas. Ainda assim, marcou o quarto trimestre consecutivo de queda na receita. Em contrapartida, o lucro ajustado por ação alcançou US$ 10,66, acima da projeção de Wall Street, que apontava US$ 10,00. O lucro líquido do trimestre somou US$ 1,29 bilhão.
O perfil Wall St Engine destacou que a Charter também reportou EBITDA ajustado de US$ 5,4 bilhões, queda anual de 4,3%, e fluxo de caixa livre de US$ 969 milhões.
Wall St Engine no X
Além disso, os números reforçaram a leitura de que a empresa enfrenta um ambiente mais competitivo em suas operações tradicionais. Nesse sentido, investidores avaliaram não apenas o lucro por ação, mas também a evolução da base de clientes, do fluxo de caixa livre e dos investimentos previstos para 2026.
Banda larga perde força no trimestre
Apesar do lucro por ação acima do esperado, o mercado concentrou a atenção na deterioração da base de clientes. A Charter perdeu 172 mil clientes de internet ao longo do trimestre. Dessa forma, sua base total de banda larga caiu para 29,4 milhões. A receita da divisão de internet somou US$ 5,8 bilhões, com queda anual de 3,2%.
Esse desempenho reforça a pressão sobre o negócio tradicional de banda larga da empresa. Afinal, a Charter enfrenta concorrência de serviços de internet fixa sem fio e de operadoras de fibra. Além disso, a companhia já acumula perdas de assinantes de banda larga em trimestres consecutivos, o que sinaliza um cenário mais difícil para esse segmento.
No segmento de vídeo, a Charter encerrou o trimestre com cerca de 12,5 milhões de assinantes, após uma redução de 21 mil clientes. Embora o resultado ainda represente retração, ele foi menos severo do que a perda de 80 mil clientes registrada no segundo trimestre de 2025.
Ao mesmo tempo, o mercado também observou outros indicadores operacionais da empresa. Com efeito, a combinação entre menor receita, perda de clientes e pressão competitiva aumentou a cautela em torno da trajetória de crescimento da companhia no curto prazo.
Spectrum Mobile lidera crescimento operacional
Se a banda larga e o vídeo pesaram negativamente, a operação móvel trouxe o principal contraponto positivo do trimestre. A Charter adicionou 406 mil novas linhas móveis. Assim, a base do Spectrum Mobile chegou a 12,5 milhões. Isso representa crescimento anual de 15,5%.
Além disso, a receita com serviços móveis avançou 18,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 1,1 bilhão. O desempenho indica que a área sem fio ganha relevância dentro da estrutura da companhia, à medida que a Charter acelera sua expansão nesse mercado.
O CEO Chris Winfrey resumiu a estratégia da empresa ao afirmar que o objetivo é entregar "os melhores produtos, com o melhor valor geral, e com o melhor serviço".
Mesmo com essa frente de crescimento, o EBITDA ajustado da companhia caiu 4,3% na comparação anual, para US$ 5,4 bilhões. Desconsiderando despesas de transição ligadas à aquisição pendente da Cox, a queda teria sido de 3,2%. Por consequência, parte do mercado segue avaliando até que ponto a expansão em móvel poderá compensar a pressão sobre os negócios mais maduros.
O fluxo de caixa livre da Charter ficou em US$ 969 milhões. Isso representa valor US$ 77 milhões inferior ao do mesmo trimestre do ano passado. A empresa atribuiu essa variação principalmente a mudanças em despesas acumuladas de investimentos em capital.
Compra da Cox segue prevista para agosto
Durante o trimestre, a Charter recomprou 4,0 milhões de ações, em uma operação que consumiu US$ 838 milhões. Além disso, a companhia manteve sua projeção de investimentos em capital para 2026 em cerca de US$ 11,4 bilhões, sem considerar os efeitos da transação com a Cox.
A aquisição da Cox Communications, avaliada em US$ 21,9 bilhões, continua no cronograma para conclusão entre meados e o fim de agosto. A administração afirma que a combinação entre as empresas pode fortalecer o desempenho comercial em internet e acelerar a expansão em áreas ainda pouco penetradas, como móvel e vídeo.
Chris Winfrey vê sinergias após compra da Cox
Chris Winfrey disse a analistas que espera que a união "gere melhor desempenho com clientes de internet e crescimento de unidades, além de aceleração em móvel e vídeo, que ainda têm baixa penetração".
A Charter também indicou que os investimentos em capital devem seguir uma "trajetória relevante de queda" após 2026. No entanto, os números que mais chamaram a atenção do mercado foram a receita em retração, a perda de 172 mil clientes de banda larga, a queda de 21 mil assinantes de vídeo e, em sentido oposto, a adição de 406 mil linhas móveis.
Em suma, o balanço mostrou uma empresa ainda lucrativa, mas pressionada em seus negócios tradicionais. Por outro lado, a expansão do Spectrum Mobile e a expectativa de concluir a compra da Cox em agosto seguem como os principais vetores para alterar a percepção dos investidores nos próximos trimestres.