Clarity Act ganha apoio da maior entidade policial dos EUA

A National Fraternal Order of Police, maior organização de agentes da lei juramentados dos Estados Unidos, declarou apoio à versão mais recente do Clarity Act. Com isso, o projeto ganhou novo peso político no debate sobre a regulação dos ativos digitais no país.

Nesta sexta-feira, a entidade divulgou uma carta aos senadores Elizabeth Warren, democrata, e Timothy Eugene Scott, republicano. No documento, a organização afirmou que aprova o texto atualizado e defendeu a proposta como instrumento para ampliar a proteção ao consumidor e fortalecer investigações de crimes financeiros.

Texto amplia poderes contra fraudes digitais

Segundo a carta, a nova versão do Clarity Act amplia a capacidade de autoridades estaduais e locais de agir contra fraudes. Além disso, o texto fortalece a cooperação com órgãos federais, o que pode acelerar investigações e melhorar a resposta a esquemas ilícitos.

A National Fraternal Order of Police também afirmou que o projeto revisado cria salvaguardas específicas para casos de vitimização ligados a quiosques de ativos digitais. Nesse sentido, a entidade avaliou que a proposta melhora a coordenação entre diferentes níveis de aplicação da lei.

Ademais, o texto mantém obrigações de conformidade voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e ao cumprimento de sanções em todo o ecossistema de ativos digitais. Por isso, o Clarity Act voltou ao centro das discussões no Senado norte-americano.

O tema ganhou relevância porque o projeto busca consolidar um marco regulatório mais amplo para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, parlamentares ainda analisam os detalhes da versão mais recente antes de uma possível votação em plenário.

Entre as mudanças politicamente mais sensíveis, o novo rascunho proíbe que autoridades públicas e seus familiares emitam ou promovam ativos digitais. Dessa forma, os autores tentam responder a críticas sobre conflitos de interesse dentro do próprio governo.

Warren pressiona debate sobre Trump e cripto

Na quarta-feira, a senadora Elizabeth Warren, crítica antiga do setor de criptomoedas, afirmou que a nova redação abriria espaço para que o presidente Donald Trump lucrasse com ativos digitais. Além disso, ela disse que o projeto poderia beneficiar criminosos.

A vedação a autoridades e familiares responde a parte dessas contestações. Ainda assim, o debate continua intenso em Washington, sobretudo porque o texto envolve regulação financeira, proteção ao consumidor e governança pública.

No centro da disputa está a tentativa de equilibrar incentivo à inovação e regras de controle. Conforme os defensores do projeto, o Clarity Act pode oferecer segurança jurídica ao mercado de criptomoedas sem reduzir a capacidade de fiscalização das autoridades.

Indústria de ativos digitais reforça apoio

Além da National Fraternal Order of Police, grupos relevantes da indústria de ativos digitais também manifestaram apoio ao texto revisado nesta sexta-feira. Entre eles estão o Crypto Council for Innovation, a Blockchain Association e a Digital Chamber.

Em uma carta conjunta, as associações defenderam a aprovação do projeto como o primeiro marco federal abrangente de proteção ao consumidor para os mercados de ativos digitais. Segundo elas, a medida se torna ainda mais importante à medida que mais americanos usam e investem em criptomoedas.

Entretanto, o histórico do Clarity Act mostra que o caminho até a votação não foi simples. O projeto, aprovado pelos republicanos no ano passado, ficou travado por preocupações levantadas por executivos do setor bancário, especialmente em relação às stablecoins e ao rendimento que esses ativos poderiam pagar.

Stablecoins criaram impasse com bancos e Coinbase

Em janeiro, a Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos, retirou apoio ao projeto após entrar em choque com líderes do setor bancário. Na ocasião, bancos defenderam a proibição de rendimento sobre stablecoins, alegando risco de perda de depósitos tradicionais.

Em outras palavras, instituições financeiras temem que plataformas de ativos digitais ofereçam produtos mais atrativos para recursos hoje mantidos em contas bancárias. Como resultado, esse impasse manteve o projeto em compasso de espera por vários meses.

Agora, com a circulação de uma nova versão do texto ao longo desta semana, aumentou a expectativa de que o Senado leve a proposta ao plenário. Por conseguinte, o Clarity Act volta a ser tratado como peça central no esforço por regras federais mais claras para o setor.

Além disso, o debate ocorre em meio a questionamentos sobre negócios de ativos digitais ligados ao presidente Donald Trump. Embora ele tenha prometido apoiar o setor de criptomoedas durante a campanha, empreendimentos da família Trump nessa área seguem sob críticas de parlamentares em Washington.

O apoio da National Fraternal Order of Police fortalece o argumento de que a versão atual do Clarity Act pode combinar inovação, fiscalização e proteção ao consumidor. Cabe agora ao Senado decidir se esse apoio político avançará para uma votação concreta.