BitMEX é acusada de reter 622,66 BTC em liquidações

A BitMEX enfrenta uma nova ação coletiva nos Estados Unidos, que a acusa de estruturar liquidações de clientes para reter colateral em Bitcoin. A disputa chegou ao tribunal no mesmo dia em que a corretora anunciou o encerramento de suas operações. Com isso, antigas críticas sobre seu sistema de negociação ganharam novo peso.

A petição registra que o caso tramita na US District Court for the Southern District of New York. A ação busca recuperar centenas de Bitcoins. Segundo os autores, a plataforma teria tomado esses valores de forma indevida por meio de liquidações forçadas. Ao todo, as perdas alegadas somam 622,66 BTC.

Clientes pedem devolução de 622,66 BTC

A BKX Services Inc. e o investidor David Namdar moveram a ação contra a BitMEX. Em conjunto, eles afirmam ter perdido 622,66 BTC por causa do modelo de liquidação da exchange. A BKX Services Inc., conforme a petição, teria perdido ao menos 305,81 BTC. David Namdar, por sua vez, relata perdas superiores a 316,85 BTC.

Os autores sustentam que essas perdas não decorreram apenas da volatilidade normal do mercado. Em vez disso, afirmam que o sistema de liquidação operava em benefício da própria exchange. Assim, a acusação central aponta que a plataforma teria provocado liquidações de forma intencional, a fim de reter o Bitcoin remanescente depositado como garantia pelos clientes.

Além disso, a ação afirma que a BitMEX teria lucrado com os eventos após o fechamento das posições. Segundo os autores, a exchange não teria devolvido eventual excesso de colateral. Dessa forma, eles pedem indenização e outras medidas judiciais por prejuízos relevantes em múltiplos episódios de negociação.

Motor de liquidação está no centro da disputa

No centro da ação está o motor de liquidação da BitMEX. Segundo os autores, ele teria sido desenhado para favorecer a exchange, e não para proteger operadores contra perdas excessivas. A plataforma se tornou uma das maiores do segmento de derivativos de criptomoedas ao oferecer alavancagem de até 100x. Com isso, traders podiam controlar posições muito maiores que o valor efetivamente depositado em garantia.

Embora a alavancagem amplie o potencial de lucro, ela também eleva o risco de liquidação quando o mercado se move contra a posição. Ainda assim, a queixa afirma que a BitMEX encerrou posições de clientes mesmo quando o colateral restante ainda seria suficiente para cobrir as perdas. Em outras palavras, os autores alegam que a exchange não apenas liquidava as posições, mas também mantinha o excedente em Bitcoin.

Outro ponto levantado envolve falhas de servidor e interrupções em momentos de forte volatilidade. De acordo com a ação, esses episódios teriam contribuído para liquidações que poderiam ter sido evitadas. Nesse sentido, os autores dizem que alguns traders ficaram impedidos de ajustar ou encerrar suas posições antes da execução automática.

Acusações reacendem debate sobre a exchange

Por consequência, a acusação sustenta que a plataforma acumulou Bitcoin de clientes por meio de liquidações forçadas, e não apenas para cobrir perdas operacionais. O processo, portanto, revive um debate antigo no mercado cripto. Ao longo dos anos, parte da comunidade de negociação questionou o modelo de liquidação da BitMEX.

Ao mesmo tempo, a ação separa essas alegações de movimentos normais de mercado. Os autores defendem que o problema estava no desenho do sistema e na forma como a exchange tratava o colateral remanescente. Contudo, as acusações ainda não passaram por comprovação em tribunal. A Justiça definirá a responsabilidade legal ao longo do processo.

Fechamento das operações amplia atenção sobre o caso

O momento da ação chamou atenção porque o protocolo judicial ocorreu no mesmo dia em que a BitMEX informou que encerrará suas atividades. Em comunicado, a empresa declarou que pretende fechar as operações em 23 de setembro de 2026, após uma revisão estratégica de seus negócios.

Como parte desse processo, a corretora orientou os clientes a fechar posições em aberto e retirar seus ativos antes do fim das atividades. Assim, a disputa judicial adiciona um novo fator de incerteza às semanas finais de funcionamento da exchange.

Embora o anúncio de fechamento trate de uma decisão empresarial, o processo apresenta alegações separadas sobre a forma como a companhia lidava com fundos de clientes e com seu sistema de liquidação. Nesse meio tempo, o caso reúne dois elementos centrais: o encerramento das operações em 23 de setembro de 2026 e a cobrança judicial pela devolução de 622,66 BTC supostamente retidos após o fechamento de posições.