USDT lidera volume de criptomoedas no Brasil em 2025
O mercado brasileiro de criptomoedas movimentou R$ 505,50 bilhões em operações declaradas à Receita Federal em 2025. O volume avançou cerca de 21,5% ante os R$ 416,13 bilhões registrados em 2024. Além disso, os dados indicam uma mudança relevante no perfil das negociações, com as stablecoins no centro do fluxo financeiro.
O Relatório de Dados Abertos e Informações Gerais sobre Criptoativos da Receita Federal mostra que quatro stablecoins, USDT, USDC, BRZ e BUSD, somaram R$ 364,34 bilhões no ano. Dessa forma, esses ativos responderam por 72,1% de todo o volume declarado no país.
Na prática, o resultado reforça a função dessas moedas no mercado cripto. Afinal, ativos pareados a moedas fiduciárias, principalmente ao dólar, facilitam transferências entre plataformas, ampliam o acesso à liquidez, servem para negociar outros ativos e reduzem a exposição a oscilações bruscas.
Além disso, o comportamento do investidor brasileiro indica preferência crescente por instrumentos com maior previsibilidade de preço. Nesse sentido, o uso de stablecoins ganhou espaço não apenas como reserva transitória, mas também como peça central na movimentação diária de capital.
USDT domina o ranking de negociações
O USDT liderou com ampla vantagem entre os ativos mais negociados no Brasil em 2025. Sozinha, a stablecoin da Tether movimentou R$ 326,89 bilhões em compras e vendas. Portanto, concentrou 64,7% de todo o volume declarado no período.
Em segundo lugar apareceu o Bitcoin, com R$ 48 bilhões em operações. Ainda assim, o volume do USDT foi quase sete vezes maior que o do principal criptoativo do mercado. Em outras palavras, a stablecoin teve peso muito mais relevante no giro de recursos do que o próprio Bitcoin.
Na sequência, o USDC registrou R$ 33,03 bilhões negociados. Em seguida, vieram Ethereum, com R$ 16,89 bilhões, e Solana, com R$ 8,13 bilhões. XRP, BRZ, BUSD, Aave e Uniswap completaram a lista das dez criptomoedas mais negociadas no Brasil em 2025.
Somados, esses dez ativos movimentaram R$ 446,39 bilhões. Como resultado, representaram 88,3% de todas as operações declaradas à Receita Federal no ano.
Top 10 concentrou quase todo o mercado
A concentração nos principais ativos também chama atenção. De fato, apenas dez criptomoedas responderam por quase nove décimos de todo o volume informado à Receita Federal. Esse quadro mostra um mercado bastante concentrado, tanto em stablecoins quanto em nomes já consolidados.
Ao mesmo tempo, o ranking reforça que volume negociado não depende apenas de valor de mercado ou popularidade. Pelo contrário, o giro tende a refletir a utilidade prática do ativo nas operações do dia a dia. Por isso, stablecoins aparecem tão à frente de moedas tradicionais do setor.
Stablecoins concentraram mais de 70% do mercado
A principal marca do mercado brasileiro em 2025 foi a concentração em stablecoins. O USDT respondeu sozinho por quase dois terços de todas as operações declaradas. Ademais, o USDC representou outros 6,5%, com R$ 33,03 bilhões em volume.
O BRZ, stablecoin pareada ao real, ocupou a sétima colocação geral. Ao todo, movimentou R$ 2,70 bilhões e ficou com 0,5% de participação. Já o BUSD apareceu na oitava posição, com R$ 1,72 bilhão, equivalente a 0,3% do total.
Esse padrão ajuda a explicar por que o volume dessas moedas supera com ampla margem o de ativos mais conhecidos. Como servem de ponte para entrada, saída e realocação de capital nas plataformas, elas costumam registrar giro mais elevado. Assim, seu peso nas estatísticas tende a crescer em mercados com maior atividade operacional.
Além disso, esse comportamento sugere um uso mais funcional do mercado cripto no Brasil. Em vez de focar apenas em valorização, parte relevante dos investidores usa stablecoins como ferramenta de liquidez, proteção cambial e transição entre diferentes estratégias de alocação.
Por que o USDT lidera com tanta folga
O domínio do USDT decorre, principalmente, de sua ampla aceitação global e de sua presença nas principais rotas de negociação. Dessa maneira, o ativo se torna uma escolha recorrente para arbitragem, remessas entre exchanges e proteção temporária contra volatilidade.
Além do mais, o mercado brasileiro acompanha uma dinâmica já observada em outras jurisdições. Ou seja, a stablecoin não precisa liderar em valor de mercado local para dominar o volume negociado. Basta funcionar como principal moeda de trânsito dentro do ecossistema.
Bitcoin, Ethereum e Solana ficaram atrás
Entre os ativos não pareados a moedas fiduciárias, o Bitcoin liderou as negociações no Brasil em 2025. Foram R$ 48 bilhões movimentados, o que correspondeu a 9,5% do total declarado à Receita Federal. No entanto, esse volume representou cerca de 15% do registrado pelo USDT no mesmo período.
O Ethereum ficou na quarta posição geral, com R$ 16,89 bilhões em operações e participação de 3,3%. Em seguida, a Solana registrou R$ 8,13 bilhões, o equivalente a 1,6% do mercado. Já o XRP ocupou o sexto lugar, com R$ 5,84 bilhões e fatia de 1,2%.
O ranking também incluiu dois tokens ligados ao setor de finanças descentralizadas, ou DeFi. A Aave apareceu na nona posição, com R$ 1,69 bilhão em volume. Da mesma forma, a Uniswap fechou a lista em décimo lugar, com R$ 1,50 bilhão. Cada uma respondeu por cerca de 0,3% do total declarado em 2025.
Esses dois ativos ficaram à frente de criptomoedas conhecidas como Chainlink, Litecoin, Stellar, Cardano e Dogecoin. Portanto, o ranking nacional não reflete apenas notoriedade entre investidores. Antes de tudo, ele evidencia quais ativos realmente participaram das operações reportadas no período.
Dados ainda podem sofrer ajustes
Segundo a Receita Federal, os números ainda podem mudar após o envio de declarações atrasadas ou retificadoras. Ainda assim, o recorte por criptoativo já revela um cenário consistente. O USDT liderou com R$ 326,89 bilhões, seguido por Bitcoin, com R$ 48 bilhões, e USDC, com R$ 33,03 bilhões.
Por fim, o levantamento reúne informações enviadas por exchanges domiciliadas no Brasil, contribuintes que operaram em plataformas estrangeiras e negociações sem intermediação de exchanges. Assim, os dados oferecem um retrato amplo do mercado de criptomoedas no país e mostram o avanço das stablecoins como eixo central da atividade em 2025.