Bitcoin oscila entre US$ 60 mil e US$ 72 mil em julho e testa fôlego após correção de 50% desde outubro

Julho começou com o Bitcoin lutando para segurar o suporte de US$ 60 mil e chegou à terceira semana buscando romper a marca de US$ 72 mil. É um mês de equilíbrio delicado depois da queda profunda que tirou a criptomoeda dos US$ 126 mil registrados em outubro de 2025 — o pico histórico do ativo — e a levou para uma faixa de negociação em torno da metade desse valor.

O que aconteceu na primeira metade do mês

No dia 8 de julho, o BTC oscilou em torno de US$63 mil enquanto o mercado enfrentava saídas líquidas em ETFs à vista americanos. Na primeira metade do mês, o índice de medo e ganância ficou em zona de medo extremo, segundo dados do CoinDesk, refletindo o clima de aversão a risco que empurrou capital do bitcoin para ativos como o dólar e o ouro.

A partir do dia 15, um movimento de recuperação começou a se desenhar, apoiado em compras de tesourarias corporativas e no arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e China.

Trajetória do BTC desde o pico

PeríodoPreço (aproximado)Evento
Outubro/2025US$ 126 milPico histórico do ativo
Fim de junho/2026US$ 60-62 milQueda de aproximadamente 50%
3 de julhoUS$ 63 milMigração de capital do Nasdaq para o BTC
8 de julhoUS$ 63 milOscilação com saídas em ETFs
19 de julhoMeta US$ 72 milTentativa de rompimento técnico

Por que essa correção não é inédita

A queda de aproximadamente 50% desde o pico segue um padrão que o Bitcoin já mostrou várias vezes. Os principais bear markets da história do ativo:

  • 2018 — queda de mais de 80%, fechou o ano abaixo de US$ 3.500.
  • 2022 — correção acompanhou o colapso da FTX e das taxas de juros altas.
  • 2025-2026 — 50% de recuo depois do pico impulsionado por ETFs.

O padrão histórico mostra recuperação depois de fases de acumulação. O que muda neste ciclo é a presença institucional: os ETFs à vista, aprovados nos EUA em janeiro de 2024, transformaram o BTC em ativo negociado dentro de carteiras tradicionais, o que aumenta a correlação com o Nasdaq e amplifica movimentos de risk-off.

A tese da Grayscale para o segundo semestre

A Grayscale, uma das gestoras que mais compra bitcoin no mercado americano, publicou em relatório no fim de junho a tese de que a criptomoeda pode romper o ciclo tradicional de quatro anos e estabelecer novas máximas ainda em 2026. Entre os indicadores citados:

  1. Viés de opções acima de 4 — sinal de que investidores já estão amplamente protegidos contra novas quedas.
  2. Aumento do fluxo de compras corporativas listadas em bolsa.
  3. Estabilização dos preços em zona de suporte, sem novos pisos.

É um cenário que exige paciência, mas que aponta para um segundo semestre menos hostil que o primeiro.

O uso do BTC em cassinos e apostas

No lado do consumo, o Bitcoin voltou a ganhar tração em segmentos que sempre foram parceiros históricos do ativo: pagamentos internacionais, jogos online e remessas. Cassinos que aceitam cripto seguem operando em português — a Meteoro Casino é um dos nomes conhecidos pelo público lusófono nesse segmento, ainda que não integre a lista de casas licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Brasil, que barrou cripto como método de pagamento em plataformas .bet.br desde 2025. Fora do escopo regulado, o pagamento em BTC segue como opção usada por parte dos apostadores.

Regulação brasileira no radar

Para o mercado brasileiro, o segundo semestre traz nova rodada de discussões regulatórias. O Banco Central deve publicar em agosto normas atualizadas para prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs), com foco em três eixos:

  • Custódia de ativos.
  • Segregação patrimonial entre cliente e operadora.
  • Reporte obrigatório de transações acima de determinado limite.

A tokenização de recebíveis e a movimentação institucional em torno de plataformas de blockchain seguem entre os temas mais quentes do ciclo 2026, com participação crescente de bancos tradicionais como Itaú e BTG Pactual.

Cenários possíveis para o fim de julho

No curto prazo, o desfecho do mês depende de duas frentes: fluxo dos ETFs e política monetária do Federal Reserve.

CenárioNível-chaveConsequência técnica
OtimistaSuporte de US$ 58 mil mantidoEspaço para retomada dos US$ 70 mil
NeutroOscilação entre US$ 60 mil e US$ 68 milConsolidação lateral, sem gatilho de tendência
PessimistaRompimento abaixo de US$ 58 milRisco de nova perna de queda até US$ 55 mil ou menos

É um mês para operador manter disciplina técnica e, para investidor de longo prazo, mais um capítulo de um ciclo que ainda está longe de ser fechado.

 

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