BitMEX é acusada de reter 622 Bitcoin

Dois clientes da BitMEX abriram uma proposta de ação coletiva nos Estados Unidos para tentar recuperar 622,66 Bitcoin. Na petição apresentada em 23 de julho ao Tribunal Distrital do Sul de Nova York, eles alegam que a exchange provocou liquidações e reteve garantias de traders em anos anteriores.

Além disso, o protocolo da ação coincidiu com o início do encerramento ordenado das operações da empresa. O fechamento total dos serviços de exchange está previsto para 23 de setembro.

Clientes pedem a devolução dos Bitcoins

Segundo a ação, a BKX Services Inc. afirma ter perdido ao menos 305,809 BTC em liquidações realizadas pela BitMEX em 2018. Já David Namdar alega perdas de 316,856 BTC entre 2019 e 2020.

Assim, os dois autores pedem a devolução dos próprios Bitcoins, e não apenas o equivalente em dólares. Para isso, sustentam acusações de replevin, instituto jurídico voltado à recuperação de bens, bem como de fraude.

O processo cita como rés a operadora HDR Global Trading Limited, além de ABS Global Trading Limited, 100x Holdings Limited, Shine Effort Inc Limited e HDR Global Services (Bermuda) Limited. Ademais, os cofundadores Arthur Hayes, Samuel Reed e Benjamin Delo foram incluídos na ação, assim como Gregory Dwyer.

De acordo com os autores, o mecanismo de liquidação da BitMEX encerrava posições quando as perdas não realizadas chegavam a cerca de metade da garantia depositada pelo trader. Nesse sentido, a tese sustenta que a garantia ainda valeria aproximadamente o dobro da perda acumulada.

Contudo, segundo a acusação, o valor remanescente não teria sido devolvido aos clientes. Em vez disso, a exchange teria direcionado essa sobra ao seu fundo de seguro.

Ação cita mesa interna e congelamento de servidores

A ação também afirma que a BitMEX mantinha uma mesa de negociação interna não divulgada ao público. Conforme os autores, essa estrutura teria acesso a informações sensíveis sobre posições de clientes, ordens ocultas e pontos de liquidação.

Além disso, a petição alega que essa mesa usava contas anonimizadas. Ela também conseguiria continuar negociando durante períodos de congelamento dos servidores, enquanto clientes comuns ficavam impedidos de reagir ao mercado.

A acusação ainda diz que a mesa interna teria operado em exchanges de referência para provocar movimentos de preço capazes de disparar liquidações. Ainda assim, essas alegações não foram comprovadas judicialmente até o momento.

BitMEX nega as acusações

Em comentários à Benzinga, o CEO da BitMEX, Peter Wilkinson, rejeitou a ação. Ele classificou o processo como oportunista e sem fundamento. Segundo Wilkinson, a companhia pretende se defender com vigor.

Portanto, a disputa ainda está em fase inicial. Mesmo assim, ela já pressiona a reputação da exchange em um momento sensível de encerramento operacional.

O caso retoma pontos semelhantes aos discutidos em uma ação coletiva anterior, movida em 2020 com base no Commodity Exchange Act. Entretanto, esse processo foi encerrado voluntariamente em junho de 2025, sem impedir novo ajuizamento e sem decisão sobre o mérito.

Agora, os autores reformularam a estratégia jurídica. Em vez de repetir a mesma estrutura, passaram a sustentar acusações de replevin e fraude. Além disso, argumentam que a ação anterior interrompeu o prazo prescricional aplicável.

Encerramento amplia urgência da disputa

Em paralelo ao litígio, a Financial Services Authority of Seychelles informou que a HDR retirou voluntariamente, em 23 de julho, seu pedido pendente de licença para ativos virtuais.

De acordo com o plano aprovado pelo regulador, a empresa está limitada a encerrar operações, fechar posições e devolver ativos mantidos para clientes. A interrupção total dos serviços de exchange está prevista para 23 de setembro.

Em seu aviso de encerramento, a BitMEX afirma que os usuários continuarão tendo acesso à plataforma após essa data para consultar saldos e sacar fundos. A empresa também diz que seus ativos excedem seus passivos.

Ainda assim, essa posição não responde diretamente à controvérsia sobre Bitcoins ligados a liquidações históricas. Na prática, o plano de encerramento trata dos ativos mantidos para clientes no presente, mas não esclarece o destino dos Bitcoins contestados na nova ação.

Por isso, o fechamento da BitMEX aumenta a urgência da disputa sobre a titularidade dos 622,66 Bitcoin mencionados no processo. No entanto, esse cronograma não significa, por si só, que a jurisdição do caso, o andamento processual ou uma eventual recuperação dos valores tenham sido prejudicados.

O que está em disputa

Até o momento, os autores sustentam que a exchange reteve garantias além do necessário e transferiu esses valores ao fundo de seguro. Por outro lado, a BitMEX nega a acusação e promete contestá-la judicialmente.

Em resumo, o processo envolve 622,66 Bitcoin e cita perdas atribuídas a liquidações entre 2018 e 2020. A ação também avança poucos dias antes de o cronograma de encerramento da plataforma chegar à data final de 23 de setembro.

A disputa combina alegações graves sobre a conduta passada da exchange com um fechamento operacional já em curso. Caso os autores sustentem a tese de retenção indevida de garantias, o processo poderá influenciar debates sobre liquidações, fundos de seguro e proteção de clientes no mercado de criptomoedas.