Doug Casey vê depressão maior com dívida dos EUA
Doug Casey afirma que os EUA caminham para uma crise econômica de grandes proporções. Em entrevista publicada em 29 de julho, o autor e investidor disse que o país está à beira de um precipício fiscal. Segundo ele, a dívida pública crescente, os déficits persistentes e os gastos federais criam uma trajetória insustentável.
Na avaliação de Casey, esse processo pode terminar em uma “depressão ainda maior”, com impacto direto sobre o padrão de vida da população. Assim, o alerta se concentra no avanço do endividamento federal e no peso que esse passivo pode impor à economia.
Rolagem de US$ 15 trilhões amplia pressão fiscal
Casey estima que a dívida do governo dos EUA gira em torno de US$ 40 trilhões. Cerca de US$ 15 trilhões precisarão ser refinanciados nos próximos 12 meses. Portanto, esse volume representa um desafio relevante em um ambiente de juros ainda elevados.
Além disso, ele aponta a composição do passivo como um fator central de risco. Segundo Casey, uma parcela relevante do estoque está concentrada em papéis de prazo mais curto. Dessa forma, o Tesouro precisa voltar ao mercado com frequência e fica mais exposto a condições financeiras duras.
Na entrevista concedida a David Lin e publicada em 29 de julho, Casey também questionou quem comprará o grande volume de títulos a renovar. Compradores estrangeiros tradicionais, como China e Japão, podem reduzir a disposição para ampliar posições em Treasuries.
“Francamente, eu não vejo saída. Estamos à beira de um precipício neste momento. Eu acho que estamos caminhando para algo que chamo de uma depressão ainda maior. Isso é inevitável há anos. Era possível ver isso chegando desde a década de 1960. O resultado será um padrão de vida significativamente mais baixo para o americano e o canadense médios”, disse Casey.
Déficit anual e juros elevam o custo da dívida
Além do estoque da dívida, Casey aponta o déficit anual do governo federal, em torno de US$ 2 trilhões, como outro vetor de deterioração. Para ele, a dependência contínua de novas emissões e de suporte do Federal Reserve pode ampliar pressões inflacionárias em vários setores.
Esse quadro preocupa porque taxas mais altas encarecem o refinanciamento quando permanecem elevadas por longos períodos. Em outras palavras, quanto maior a necessidade de rolar passivos em um ambiente caro, maior tende a ser a pressão sobre as contas públicas.
Famílias também enfrentam maior endividamento
Casey também relaciona o risco fiscal ao aumento do endividamento das famílias. Ele citou aproximadamente US$ 1,5 trilhão em dívidas estudantis e valor semelhante em financiamentos de automóveis. Segundo ele, esses passivos não geram produção econômica relevante.
Além disso, o investidor argumenta que grande parte da dívida acumulada nos EUA e em outras economias ocidentais financiou consumo, e não investimento. Como resultado, famílias e governos ficam mais vulneráveis quando as obrigações de pagamento crescem.
Ao mesmo tempo, Casey destaca que a maior parte dos gastos do governo se concentra em Social Security, Medicare, Medicaid, despesas militares e juros sobre a dívida existente. Na avaliação dele, essas rubricas consomem grande parte dos recursos federais sem entregar crescimento produtivo proporcional.
Cortes de gastos enfrentam barreira política
Casey citou cortes de gastos e venda de ativos como possíveis caminhos para enfrentar o problema. No entanto, ele vê pouca disposição política para colocar essas medidas em prática. Assim, na visão do investidor, a trajetória fiscal permanece praticamente inalterada.
A combinação entre dívida total próxima de US$ 40 trilhões, refinanciamento de cerca de US$ 15 trilhões em 12 meses e déficit anual de US$ 2 trilhões forma o núcleo do alerta. Esse cenário, segundo Casey, pode reduzir o padrão de vida de muitos americanos e canadenses.
Para Casey, o risco não está apenas no tamanho da dívida. O problema envolve refinanciamento frequente, déficits contínuos, inflação potencial e gastos obrigatórios elevados. Por isso, ele considera que os EUA enfrentarão um teste fiscal decisivo nos próximos meses.